Entenda o que é um aperto monetário

Entenda o que é um aperto monetário

lucca

13 MAI

4 MIN

Entenda o que é um aperto monetário

Selic à 12.75%, juros americanos subindo, queda abrupta no mercado de criptomoedas e correção nas bolsas americanas. Todos esses eventos, à primeira vista distantes, foram desencadeados por um tipo específico de política econômica: o aperto monetário.

No artigo de hoje, vamos entender o processo e abordar como um aperto monetário pode influenciar nos seus investimentos. Para facilitar a compreensão o texto foi dividido em:

  • Aperto monetário: o que é?
  • Entendendo o aperto monetário
  • Aperto Monetário vs. Afrouxamento Monetário
  • Como um aperto monetário afeta os mercados
  • Conclusão

Aperto monetário: o que é?

O termo “aperto monetário” tem aparecido em diversas manchetes econômicas na última semana. Mas afinal, o que ele significa?

Um aperto monetário, ou uma política monetária contracionista, é uma ação coordenada por um Banco Central (como o FED ou o BCB) realizada com o objetivo de desacelerar uma economia para estabilizar o nível geral de preços.

Uma autoridade monetária costuma promover uma política monetária contracionista quando há pressões inflacionárias e os níveis de consumo e investimento estão elevados.

Entendendo o aperto monetário

Em um aperto monetário, os bancos centrais aumentam a taxa básica de juros da economia, reduzindo a oferta de moeda e desacelerando a demanda.

Nesse sentido, a taxa básica de juros de uma economia é basicamente o “preço do dinheiro”. É ela que estipula o quanto deve ser cobrado para realizar empréstimos, por exemplo. Com o aumento das taxas de juros, se torna mais difícil um estudante financiar sua faculdade ou um empresário financiar os projetos da companhia.

Por outro lado, quem possui capital em caixa, possui mais incentivos a investir em títulos atrelados à taxas básicas de juros, já que agora esse tipo de investimento possui uma maior taxa de retorno.

Por efeito da política, a quantidade de moeda em circulação na economia tende a cair, assim como o consumo e o nível de investimento. Portanto, se bem aplicado, um aperto monetário atinge o objetivo de baixar o nível geral de preços e acabar com a inflação.

Aperto monetário vs. Afrouxo Monetário

O afrouxo monetário, ou uma política monetária expansionista, é uma ferramenta utilizada pelos bancos centrais para estimular a economia. Ela eleva a oferta de moeda na economia, diminui as taxas de juros e estimula a demanda.

Um exemplo recente desse tipo de política aconteceu em 2020/2021, em resposta à crise econômica causada pelo Coronavírus. O afrouxamento monetário combinado a problemas na cadeia produtiva acabou trazendo pressões inflacionárias para diversas economias.

Com isso, os bancos centrais estão tendo que promover a outra face da política monetária, o aperto monetário.

Como um aperto monetário afeta os mercados

Nos últimos meses, presenciamos na prática o efeito de um aperto monetário.

No Brasil, nossa taxa básica de juros atingiu mínimas históricas na segunda metade de 2020 (2%), o que contribuiu para a recuperação da economia à época e refletiu na recuperação de diversos ativos – anteriormente depreciados por conta do COVID-19.

Contudo, com o avanço da inflação, a autoridade monetária brasileira passou a sinalizar que subiria os juros. Então, as ações das companhias brasileiras começaram a corrigir – algumas de forma bastante abrupta.

Um dos fatores que causam essa correção nos ativos é o efeito do aumento da taxa de juros no custo de capital das empresas. Como o dinheiro se torna mais caro, fica mais difícil para uma companhia conseguir empréstimos para investir e financiar seus projetos, bem como aumenta o custo de sua dívida – caso ela possua.

Na literatura, o tópico foi abordado por James Tobin, em seu notório artigo “A General Equilibrium Approach to Monetary Theory”. O autor argumentou que uma contração na política monetária diminui o valor presente dos fluxos de caixa futuros das companhias e, assim, “deprime” os mercados financeiros.

Posteriormente, Ehrmann, M., & Fratzscher, M. (2004) estudaram os efeitos da política monetária nos mercados de capitais. Eles apresentaram evidências de que, em média, um aumento de 50 pontos base na taxa de juros americana reduz o retorno de se investir em ações em aproximadamente 3%.

Ademais, os ativos reagem de forma mais abrupta quando essa mudança de política não é esperada.

Os ciclos de aperto monetário também tendem a apreciar a moeda local. No caso do Brasil, nossa moeda ganha ainda mais fluxo com juros altos por conta do carry trade.

Conclusão

Como vimos anteriormente, a política monetária contracionista, ou aperto monetário, é uma ferramenta utilizada por um Banco Central com o objetivo de controlar pressões inflacionárias e manter o crescimento de longo prazo de uma economia.

O tema tem aparecido em diversas manchetes por conta das contrações monetárias que vêm sendo realizadas pelos bancos centrais e seus respectivos efeitos nos mercados financeiros.

Um caso interessante que vamos acompanhar no futuro é o das criptomoedas. Será que elas são um produto do excesso de liquidez dos últimos anos? Como será que elas irão reagir a uma contração monetária?

Até agora, as criptomoedas têm performado (negativamente) de forma bastante correlacionada com ações americanas de tecnologia. Apenas resta saber se elas funcionarão como uma “proteção” inflacionária, como pregam alguns adeptos, ou perderão ainda mais valor com a política promovida pelo Federal Reserve.

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Referências

Ehrmann, Michael & Fratzscher, Marcel, 2004. “Taking stock: monetary policy transmission to equity markets,” Working Paper Series 354, European Central Bank.

Tobin, James (1969). A General Equilibrium Approach to Monetary Theory. Journal of Money, Credit and Banking 1(1): 15-29.

Estudante de Economia na UFPE

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