Celular roubado: dicas para proteger seus dados e o app do banco

Celular roubado: dicas para proteger seus dados e o app do banco

felipe_pontes

09 MAI

12 MIN

Celular roubado: dicas para proteger seus dados e o app do banco

Esta semana, a maioria dos usuários do Twitter entraram em pânico após uma thread viralizar na rede. A vítima relatou o caso do seu celular roubado e das diversas falhas de segurança, tanto por parte dele quanto por parte das instituições envolvidas, que resultaram em um grande prejuízo financeiro e emocional.

Confesso que fiquei com muito receio de acontecer isso comigo um dia. Por isso, resolvi pesquisar para poder me proteger melhor.

Portanto, vou compartilhar tudo o que descobri com você, que não deseja ter todo esse problema que o rapaz enfrentou com o celular roubado após uma viagem de férias.

Devemos ter cada vez mais cuidado, pois existem até cursos sobre como se tornar ladrão de celular.

Cuidado com a praticidade do celular!

É verdade que muitas destas dicas podem ser chatas para algumas pessoas. Contudo, de fato existe um trade-off entre praticidade e segurança. Quanto mais praticidade você tiver no uso do seu celular, mais fácil será para os bandidos te prejudicarem com o celular roubado.

Ao longo do artigo você vai encontrar detalhes sobre várias dicas práticas – às vezes nem tanto, mas este é o custo da segurança!

No final do texto, mostro o relato que gerou a vontade de escrever isso aqui, bem como a metodologia usada pelos assaltantes do smartphone. Mas antes, leia as dicas e depois leia o relato para já ir pensando em como o rapaz poderia ter evitado toda essa dor de cabeça.

Segurança digital (Cyber Security) é um tema que deveria ser ensinado nas escolas e nas faculdades, assim como a educação financeira é. O rapaz não é 100% culpado. Nós é que não somos ensinados sobre este assunto tão “novo”, mas tão importante.

Baixando o app do TC gratuitamente você tem acesso a um curso de Cyber Security para aprender na prática como evitar vários tipos de fontes de dor de cabeça que você poderá ter por estar usando a internet.

Dicas de segurança contra celular roubado

Você não precisa seguir todas essas dicas. Faça o que te fizer sentir bem. A melhor solução, de fato, parece ser não usar tanta tecnologia, infelizmente.

A propósito, você já assistiu à série “Unabomber”? Recomendo, mas só depois de ler e aplicar essas dicas.

E não esquece de compartilhar com os seus amigos e me dizer lá no Instagram ou no Twitter qual dessas dicas você resolveu usar (ou já usava) e até mesmo compartilhar outras dicas.

Eu selecionei algumas que eu achei que são mais viáveis para a maioria das pessoas (ou será que foi para mim?) de uma forma que também não inviabilize demais o uso do smartphone.

Coisas como “não deixar o cartão cadastrado em aplicativos”, “travar a tela do celular após 10 segundos”, “desativar o preenchimento automático de formulários”, ficaram de fora.

Vamos nessa?

0. Não deixe dinheiro dando sopa na conta corrente

Nisso tudo, o que eu mais posso contribuir é com esta dica que chamei de 0. Porque se não tiver dinheiro na conta, não tem como transferir ou pagar algo no débito (sobra empréstimos e cartões ainda).

Se o seu dinheiro estiver investido, dependendo do caso, o dinheiro poderá levar alguns dias para estar disponível para transferência. No caso do celular roubado que viralizou no Twitter, ocorreu com o NuBank e o Banco do Brasil que, aparentemente, havia quase R$30 mil boiando na conta, o que facilitou o trabalho dos malfeitores.

Se o dinheiro estiver em uma corretora é mais seguro ainda. Isso porque o dinheiro que está na corretora deverá primeiro ser resgatado, o que poderá levar alguns dias, dependendo da liquidez do investimento escolhido.

1. Cuidado com o e-mail de recuperação de senhas

Se seu e-mail estiver logado em algum app no celular roubado e o ladrão estiver com o seu celular desbloqueado, ele poderá tentar recuperar a senha de alguns aplicativos de modo a te prejudicar em vários aspectos, inclusive o financeiro.

Esta é uma solução relativamente simples de se fazer e eu já estou começando a implementar.

2. Desinstalar os aplicativos que você não usa

Se você não usa mais um determinado aplicativo, para que mantê-lo instalado? Ainda que não seja um aplicativo de banco, outros dados e outras formas de te prejudicar ou prejudicar terceiros podem ser utilizadas.

Lembre-se que esse pessoal tem bastante tempo livre para pensar em formas de nos prejudicar.

Esta é mais uma solução muito simples de implementar. Eu já desinstalei alguns apps, dentre eles um de “mobilidade urbana”, por assim dizer, que não usava mais fazia anos.

O ladrão poderia, por exemplo, pedir corridas pelo app para realizar assaltos e isso poderia me dar alguma dor de cabeça.

3. Uso do cartão por aproximação

Algumas pessoas são mais extremas em relação aos pagamentos por aproximação e não usam.

Por outro lado, eu adoro e nunca tive problema. Porém, uso o pagamento por aproximação apenas com o meu celular e não com o cartão físico. Eu sinto que o cartão físico é menos confiável para valores menores que não exigem tanta segurança, enquanto que no seu celular você precisa usar a digital para liberar.

No smartphone eu usei durante muito tempo o SamsungPay e adorava. Não só pela segurança, mas também pelo programa de fidelidade deles. Cada vez que você faz o pagamento por aproximação usando o aplicativo, você ganha pontos não só no seu cartão, mas também no programa de fidelidade.

Hoje eu uso o GooglePay, porque não tenho mais um Samsung, e também estou gostando bastante. O da Samsung eu achava mais prático no início, mas agora já me acostumei com o GooglePay. Ambos só efetivam a compra se você estiver com o celular desbloqueado e com a digital reconhecida.

O importante é usar com sabedoria e segurança

Uma boa ideia para se aplicar tanto nos pagamentos por aproximação e também nos cartões cadastrados nos aplicativos é cadastrar um cartão virtual que é menos problemático inclusive para caso de clonagem do seu cartão.

Você pode cadastrar uma duração curta, ao seu critério (quanto mais seguro, menor será a duração), e com um limite baixo.

Alguns aplicativos como o Uber permitem que você compre créditos (Uber Cash) para não precisar usar cartão. Eu comecei a usar o Uber Cash por outros motivos (tinha desconto e não ficavam dezenas de compras pequenas no meu cartão dificultando o meu controle de gastos na planilha).

Contudo, percebi que também é mais seguro por ser menos uma empresa para eu me preocupar por eventuais dados vazados.

4. Cuidado com os limites do cartão e do Pix

É possível separar o limite do Pix para desconhecidos. Para mais informações, acesse o nosso texto completo sobre o PIX.

5. Programas de segurança da Apple, Samsung e Xiaomi

O Xiaomi possui um bloqueador de aplicativos (app lock) que já vem instalado nele. Basta acessar as configurações e pesquisar por “bloqueio de aplicativos”.

Todos os meus aplicativos mais críticos são bloqueados. Só não recomendo ocultarem as notificações, porque é bem inconveniente não poder ver a prévia das mensagens e poder priorizar a ordem de respostas.

Ainda há a possibilidade de usar o segundo espaço (second space), indo de novo nas configurações e pesquisando por “recursos especiais” para configurar uma “segunda área de trabalho” para instalar apenas os seus aplicativos mais críticos.

6. Ative o PIN do seu celular e guarde o seu IMEI

Este artigo do Tecmundo explica como faz para ativar o seu PIN. Em adição, também é importante manter a caixa do seu celular guardada, ou pelo menos guardar o número IMEI que tem nela – no Tecnoblog você terá mais informações sobre como usar o IMEI do celular.

Observação: eu ia fazer uma piada relacionando “IMEI” com “e-mail”, mas preferi te poupar disso.

7. Autenticação por dois fatores

A autenticação por dois fatores me salvou diversas vezes. Isso porque para entrar em um aplicativo ou conta de e-mail, por exemplo, além de inserir o login e a senha, você precisa autenticar o login por meio de um código gerado aleatoriamente e que dura poucos segundos.

Mas você também pode fazer isso por SMS e outros meios menos seguros.

Eu prefiro usar aplicativos de autenticação por dois fatores. O que eu uso é o Authy. Inclusive, eu já tive a minha conta de Twitter roubada, mesmo usando o Authy. Bem… pelo menos era o que eu achava.

De fato eu usava o Authy, porém eu troquei o @ do meu Twitter e não sabia que teria que fazer todo o processo de autenticação de novo. Aí me dei mal, porque minha conta estava desprotegida e eu não sabia.

8. Não deixe suas senhas salvas no seu celular, né?!

Imagine todas as suas senhas de acesso salvas no celular roubado? Preciso falar mais alguma coisa?

9. Use ambientes distintos ou pastas seguras no celular

Usar ambientes distintos (ou segundo espaço) que mencionei na dica 5 pode ser um pouco inconveniente.

É possível usar só uma pasta segura. Ou combinar o segundo ambiente com a pasta segura, e com o bloqueador de aplicativos. Tudo vai depender do nível de segurança que você quer ter e da praticidade que você quer perder.

Em algum comentário de um dos twittes que coloquei mais para frente, um usuário afirmou que pode ser uma boa ideia deixar uma conta com pouco dinheiro em um banco e um cartão cadastrado com baixo limite, fora do segundo espaço ou da pasta segura para enganar o ladrão, especialmente transferências feitas por meio do PIX.

Gostei e vou considerar fazer.

10. Tenha um celular em casa com aplicativos críticos ou use um emulador de celular

Tem gente que leva isso tão a sério que deixa um celular em casa apenas para usar esses aplicativos críticos. Conheço uma pessoa que até deixa escondido dentro de um cofre. Brincadeira.

Ou não.

Uma outra possibilidade é usar um emulador de celular, para usar os aplicativos críticos apenas do seu computador pessoal, como se estivesse usando um celular.

11. Bloqueio remoto do celular roubado

Uma das formas de segurança mais conhecidas pelos brasileiros é o “Find my device” para android (tentei usar uma vez para reiniciar o meu smartphone anterior e não consegui, não sei o porquê – ele não estava mais desbloqueando e não parava de tocar o alarme bem cedo da manhã). O Find my Device também é chamado de “Encontrar meu”.

O dispositivo é um serviço oferecido pelo Google quando cadastramos a nossa conta no Android.

É legal que lá você também consegue fazer outras coisas como identificar o IMEI, que falei na dica 6, saber em que rede ele está conectado, quanto ele tem de bateria, e até usar a função “limpar dispositivo” para zerá-lo por inteiro.

Uma outra função bem útil para aqueles que vivem perdendo o celular em casa: é possível usar a função “reproduzir som”, que fará o seu celular ficar fazendo um barulho chato danado, que lembra aquela fase do Mario num castelo bem sombrio.

Se tiver a opção de usar o bloqueio ou restauração tanto pelo serviço do Google quanto o do fabricante do seu celular (Conta Mi, no caso do Xiaomi), use os dois só por garantia.

12. Uso de bloqueador de aplicativo

Na dica 5 eu já falei do bloqueador de aplicativo que temos no Xiaomi. Mas você pode buscar outras soluções na sua loja de aplicativo caso não tenha um Xiaomi. Ou até mesmo uma solução nativa para o seu sistema operacional ou fabricante do celular.

É importante bloquear não só os aplicativos que têm o cartão cadastrado ou os aplicativos dos bancos, mas também o aplicativo de SMS.

Apesar de sabermos que não é legal usar a autenticação por SMS, como falei na dica 7, pode ser que esqueçamos de trocar a forma de autenticação em algum aplicativo. Se você quer estar muito protegido, tem que ser chato.

Algumas dessas dicas eu peguei dos nossos queridos amigos tuiteiros:

O que fazer caso nenhuma dessas dicas tenha funcionado?

E se tudo isso que eu disse aí em cima der errado ou, num caso hipotético muitíssimo extremo, você não use nenhuma destas ferramentas de proteção e tiver o celular roubado desbloqueado? O que você deve fazer?

Primeira coisa é manter a calma e não reagir.

Segunda coisa é buscar ajuda com alguém que tenha um computador com internet para seguir os passos abaixo (mais detalhes no R7):

  1. De posse de um computador conectado à internet, busque bloquear (ou até mesmo zerar) o seu smartphone para evitar maiores prejuízos com contas bancárias, e-mails, redes sociais etc.;
  2. Notifique o banco para que eles procedam com o bloqueio das contas e cartões. Se não fizer isso, poderá ter dificuldades de conseguir reembolso dos recursos eventualmente acessados pelos criminosos. E não esqueça de gravar a ligação;
  3. Para garantir que nenhum SMS de recuperação de senha chegue ao celular roubado desbloqueado, entre em contato com a sua operadora para bloquear também o chip do celular. Por isso, na dica 6 falei da importância de deixar o número IMEI salvo (e pode até ser num e-mail, mas não é a melhor forma); e
  4. Após isso, vá a uma delegacia prestar um boletim de ocorrência – se não puder fazer tudo isso ao mesmo tempo. Se você quiser ter mais chance de recuperar o celular roubado do que evitar os problemas causados por não bloquear tudo, pode ir à delegacia primeiro.

Conclusão

Se quiser ficar muitíssimo protegido, tenha certeza de que você perderá muitas funcionalidades e praticidades do uso dos smartphones. Mas pode existir um meio termo bom para você. Vai testando as dicas!

Eu já estou indo para o segundo ano sem andar com carteira e me sinto mais seguro com o celular apenas.

Não faz sentido eu voltar a andar com carteira por medo de roubo do celular. Roubariam a minha carteira do mesmo jeito e seria pior, porque teria que fazer tudo do celular e ainda buscar novos documentos pessoais.

É bom evitar facilitar a vida do ladrão antes do celular roubado também. Então, não fica dando bobeira com celular na rua e fecha a P*RR* da janela do carro, danado!

Entenda também o início de toda essa história e a explicação mais técnica do caso:

Diretor Educacional do TradersClub

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