Como o preço da gasolina pode afetar o seu dia a dia?

Como o preço da gasolina pode afetar o seu dia a dia?

pablo

17 MAR

8 MIN

Como o preço da gasolina pode afetar o seu dia a dia?

Que a pandemia impactou a maioria dos orçamentos das famílias brasileiras já é uma verdade, e, atualmente, a grande discussão encontra-se em torno do preço da gasolina e derivados do petróleo. Ao contrário do que se pode pensar no senso comum, os preços dos combustíveis não competem apenas para o setor de transportes ou aqueles indivíduos que possuam um automóvel próprio, mas sim, toda uma cadeia da economia.

Antes de tudo, para facilitarmos o entendimento do tema, o texto será estruturado da seguinte forma:

  • Contextualizando
  • O custo do frete
  • O repasse do preço da gasolina na sociedade
  • Impactos do preço da gasolina no dia a dia
  • Conclusão

Boa leitura!

Contextualizando

Antes de entendermos como o preço da gasolina pode afetar o seu dia a dia, precisamos entender o contexto histórico.

Para que possamos compreender como a gasolina e os derivados de petróleo se fazem tão importantes na dinâmica da economia brasileira, precisamos retomar um pouco a história do desenvolvimento socioeconômico brasileiro. Por volta do final da década de 50, durante o governo de Juscelino Kubitschek, à luz do ex-presidente Washington Luís, o crescimento do país se daria a partir da integração entre os estados, que assim, facilitaria a expansão do comércio.

Nesse sentido, o modal rodoviário foi a via escolhida para interligar os estados. Isso porque o desenvolvimento de rodovias no país trariam oportunidades de investimentos para a indústria automobilística, indústria essa que era a mais atrativa ao governo, justamente pelo fato de ser uma indústria polo, e, portanto, agrega consigo outras indústrias para o seu funcionamento gerando mais investimentos, empregos e crescimento.

No entanto, apesar de num primeiro momento a estratégia de crescimento adotada escalar maiores investimentos a um baixo custo, a longo prazo, temos externalidades negativas, como: perda de competitividade, limitação da carga transportada frente à outros modais, necessidade de maior tempo de transporte devido à capacidade e as estradas, e, o principal deles, o custo do frete.

O custo do frete

Como já falamos anteriormente, a logística é uma peça fundamental no funcionamento da economia, e, é o custo do frete quem lhe financia para promover o encontro entre ofertantes e demandantes. Dado o histórico de investimentos desse setor no Brasil, atualmente, o modal rodoviário continua sendo o principal modal da logística, com mais de 50% de participação.

Sabendo disso, e, levando em consideração apenas o principal modal utilizado, podemos pontuar quais são os principais fatores, entre outros, que devem participar da composição do custo do frete. Assim, temos: gastos com frota (compra de caminhões, implementos rodoviários e afins), gastos com manutenção da frota (compra de peças, trocas de lubrificantes e afins) e gastos com combustíveis.

Notem que dentre os principais fatores, os gastos com frota e manutenção de frota, via de regra, possuem uma baixa tendência a destoar do que já se gasta e em média com tais obrigações. Do contrário, quando tratamos de gastos com combustíveis, a tendência do gasto com essa obrigação se destoar em relação a sua média é elevada.

Isso porque, o fato do seu insumo ser uma commodity, o petróleo, e, a mesma ser negociada diariamente no mercado internacional (a principal referência é o barril de petróleo Brent), temos a volatilidade de seu preço elevada à medida que ele refletirá as informações disponíveis no mercado acerca de sua escassez.

Portanto, o preço da gasolina será um fator determinante na precificação dos custos de frete. Isso porque, se você oferta um serviço em que existe um custo variável de baixa previsibilidade, você possui duas opções: repasse esse custo para seu cliente com uma margem acima do que se espera para o custo variável (geralmente em contratos de longo prazo), ou, repasse esse custo extra a medida que ele vai se realizando (geralmente em contratos de curto prazo ou fora de contratos como é o caso das gasolinas nos postos).

O repasse do preço da gasolina na sociedade

No mercado financeiro, temos empresas do setor de logística. E dentre as empresas voltadas para o modal rodoviário, temos a Tegma (TGMA3) e a JSL Logística (JSLG3). Se vocês acessarem o site de relação com investidores dessas companhias e visualizarem os releases de resultados, ou até mesmo o formulário de referência, vocês poderão conferir na prática como ocorre o repasse desses custos variáveis ao consumidor final.

No geral, vocês vão perceber que para que uma empresa se perpetue, é necessário que ela mantenha a rentabilidade de suas operações ou cresça as mesmas. Assim, se as mesmas assumiram para si o custo extra de todas as variações positivas do preço da gasolina e outro combustíveis, seu negócio se tornaria insustentável a longo prazo. É justamente por isso que ocorre o repasse. E se não o houvesse, também não haveria oferta, crescimento e afins.

Passando a análise agora para o setor de varejo, que possui alta representatividade em nossa economia por estar ligado diretamente ao setor de consumo e o nível de atividade econômica do país, podemos compreender facilmente como esses custos do frete que tratamos até agora, podem afetar o nosso dia a dia.

Em termos gerais, uma empresa varejista compra de fornecedores ou de fabricantes diversos produtos e os revende para sua base de clientes. Nesse meio tempo, temos toda a logística de envio dos produtos, e, consequentemente, os custos de frete. Logo, se o custo do frete aumentar, a varejista irá reprecificar seus produtos como forma de financiar esse aumento nos custos para que mantenha suas margens e perpetue seu negócio.

Ao fim de todo esse raciocínio, podemos compreender que é o consumidor final (sociedade) quem financiará o aumento do preço da gasolina e demais combustíveis.

Impactos do preço da gasolina no dia a dia

E, este financiamento do aumento do preço da gasolina e diesel, principalmente, pode se dar em várias formas. A principal delas, e, que gera o maior impacto no dia a dia da sociedade reduzindo até o seu bem estar, é a inflação dos preços de produtos de baixo valor agregado e de consumo essenciais como alimentos por exemplo.

Veja, se o produto fretado possui um baixo valor agregado, e, o custo do seu frete aumenta, teremos em termos relativos uma inflação de preços muito maior do que em bens de alto valor agregado. Basta coletarmos os dados do IPCA de janeiro de 2022, onde somente a cenoura subiu 27,64%, e outros itens como o tomate e a cebola subiram, respectivamente, 6,21% e 12,43%.

Ainda no tema IPCA, que é o índice referência para a mensuração da inflação, se olharmos para a sua composição podemos visualizar melhor o impacto do aumento do preço da gasolina e outros combustíveis na inflação. Assim, temos:

  1. Transportes: 20,6%
  2. Alimentação e bebidas: 19,3%
  3. Habitação: 15,6%
  4. Saúde e cuidados pessoais: 13,5%
  5. Despesas pessoais: 10,7%
  6. Educação: 6,1%
  7. Comunicação: 5,7%
  8. Vestuário: 4,6%
  9. Artigos de residência: 3,8%

Notem que, entre os itens que possuem os maiores pesos no cálculo do IPCA, temos aqueles que são afetados diretamente pelo preço da gasolina, conforme já foi dito aqui no texto. Mas, a relevância desta informação é justamente o fato do preço da gasolina também impactar outros segmentos que não lidam diretamente com os custos do frete.

O exemplo mais recente disso é o segmento habitacional, mais especificamente os contratos de aluguéis. Com a escalada do IGP-M e o seu descasamento com o IPCA, foi permitido que tais contratos utilizassem o IPCA como base de cálculo para o reajuste dos valores.

Além disso, também temos contratos de mensalidades do setor educacional, de planos de saúde e até mesmo do setor de seguros, que também utilizam o IPCA para reajuste tarifário.

Portanto, dado que os componentes de grande relevância na composição do IPCA respondem de forma direta ao aumento do preço da gasolina, logo, a taxa de inflação também responde diretamente e o reflete, aqueles setores que utilizam o IPCA como base de cálculo do reajuste tarifário, também estarão repassando em suas tarifas o custo do aumento do preço da gasolina e demais combustíveis.

Por fim, e, o custo mais evidente neste quesito, é o custo de transportes. Como falamos anteriormente, os transportes já respondem a boa parte do IPCA, e, além disso, corroem boa parte da renda da sociedade que precisa diariamente de um veículo próprio para se locomover.

Ademais, aqueles que necessitam do transporte público também podem sofrer com o repasse dos combustíveis, pois há concessões que dão maior liberdade às concessionárias para reajustarem suas tarifas, e, no fim, a parte menos favorecida da sociedade também precisa financiar esse custo.

Conclusão

Na economia, temos o conceito da externalidade, que nada mais é do que o resultado de uma ação/tomada de decisão, que pode ser positiva ou negativa. No caso do preço da gasolina e seus outros derivados, podemos perceber como uma apreciação no preço tem uma longa lista de externalidades negativas, por ser um item essencial da cadeia econômica.

O mais importante é que você, leitor, compreenda a importância de determinado bem para a sociedade. Sabendo a relevância do mesmo no seu dia a dia, é possível traçar cenários sobre o seu comportamento de oferta e demanda.

Assim, poderá se antecipar ou se prevenir de suas possíveis externalidades negativas. Ou seja, se sabemos que a gasolina pode subir muito nos próximos meses, não seria interessante aumentar a sua poupança ou até mesmo antecipar o consumo daqueles bem que mais podem ser impactados!?

É por isso que a educação financeira se faz tão necessária, pois é ela quem diariamente irá te ajudar a se prevenir frente a esses impactos e emergências.

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Referências

O GLOBO. Alta da gasolina: entenda o que muda na sua vida. Disponível em: <https://oglobo.globo.com/economia/alta-da-gasolina-entenda-que-muda-na-sua-vida-22694234>. Acesso em: 16 mar. 2022.

SILVA. A estratégia brasileira de privilegiar as rodovias ao invés das ferrovias. Disponível em: <https://brasilescola.uol.com.br/geografia/por-que-brasil-adotou-utilizacao-das-rodovias-ao-inves-.htm>. Acesso em: 16 mar. 2022.

Estagiário do TC School | Estudante de Economia na UFPB

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