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O crime compensa? Entenda a natureza econômica por trás dos crimes financeiros

O crime compensa? Entenda a natureza econômica por trás dos crimes financeiros

iris-sousa

25 NOV

12 MIN

O crime compensa? Entenda a natureza econômica por trás dos crimes financeiros

Hoje trazemos uma reflexão sobre os crimes contra o sistema financeiro. Ao longo da nossa história, e em especial falando de mercado financeiro, houve diversas ocasiões em que um indivíduo (ou um conjunto de indivíduos) realizaram ações consideradas criminosas e/ou fraudulentas sob a economia em que se insere.

Seja um administrador e/ou contador empresarial, ou atrelado a algum ente governamental, os crimes contra o sistema financeiro trazem consequências negativas para quem praticou, além de reverberar sobre a entidade foco do crime e a sociedade como um todo.

Sobretudo, você já se perguntou: por que algumas pessoas decidem, simplesmente, realizar determinados crimes contra o sistema financeiro e ações fraudulentas? Quais são as motivações? O que leva um indivíduo a continuar cometendo tais atos criminosos?

Alguns cientistas da área econômica e financeira estudam esse contexto de criminologia e a partir de algumas teorias eles explicam quais são as motivações e idealizações que estão por trás de um indivíduo que comete esses crimes de natureza econômica. 

Sendo assim, neste texto, vamos te apresentar algumas das principais teorias relacionadas ao que pode estar por trás das mentes criminosas e seus crimes contra o sistema financeiro.

Nossa discussão se dividirá da seguinte forma:

  • Economia do crime: maximização da utilidade esperada 
  • Teoria dos Custos de Transação
  • Teoria do Comportamento Planejado (TCP)
  • Triângulo da Fraude

Economia do crime: maximização da utilidade esperada 

Introdução à economia do crime

Uma das teorias mais significativas no mundo econômico e financeiro é a da maximização da utilidade esperada. Em linhas gerais, essa teoria versa sobre situações de incerteza em que os agentes econômicos podem estar inseridos e as suas decisões frente a essas situações.

É exatamente neste cenário de incertezas que a vertente de estudo “Economia do crime” debruça suas explicações.

Para explicarmos esse ponto, é necessário pensar que o indivíduo, a partir da sua tomada de decisão num contexto incerto, buscará otimizar a utilidade daquela decisão para ele, ponderando sobre os potenciais ganhos resultantes da sua ação.

Quando falamos de cometer um ato criminoso, a situação de incerteza é sobressalente para aquele que decidirá se vai ou não cometer o crime. Perceba que o ato criminoso é incerto, pois não traz garantia de que será bem sucedido ou se trará punições.

Dessa forma,  intuitivamente, o indivíduo precisará tomar uma decisão baseada nesses aspectos puramente probabilísticos. 

Aqui chegamos no ponto chave das proposições da Economia do Crime. Pressupõe-se, então, um indivíduo racional que deverá decidir previamente, antes do ato para enfatizar, se sua ação ilícita é justificada.

Ou seja, se a utilidade esperada da decisão de cometer um crime é coerente, a partir da probabilidade do benefício resultante do crime cometido e o custo do crime (por exemplo, ser preso ou ter que pagar multas).

A teoria da economia do crime: Gary Becker

A teoria mais relacionada com a economia do crime foi proposta por Gary Becker, em 1968, a partir da publicação do artigo “Crime and Punishment: An Economic Approach” (traduzido como “Crime e Punição: uma abordagem econômica”). 

A ideia central desta teoria consiste na ponderação realizada pelos indivíduos entre o custo de exercer a prática delituosa (ou crime em bom português) e os benefícios esperados, sendo neste caso, as expectativas de lucro.

De forma sintetizada, Gary Becker trouxe explicações acerca da decisão da prática ilícita, sob um aspecto decisório e racional do indivíduo, dado que a decisão dele em cometer ou não o crime decorreria de um processo de maximização da utilidade esperada.

Modelo matemático de Gary Becker

Becker (1968) argumenta que uma pessoa comete um crime se a utilidade esperada de cometer tal ato for maior do que a utilidade de gastar o seu tempo em outras atividades. Assim, algumas pessoas se tornam criminosas pelas suas compreensões subjetivas entre os custos e benefícios de se cometer tal ato.

Assim, Becker sugeriu uma função para descrever a oferta de crimes de uma determinada sociedade.

Essa função relaciona o número de crimes de qualquer pessoa à probabilidade dessa pessoa ser condenada, à punição se ela for condenada e à outras variáveis, como renda disponível em atividades lícitas e outras atividades ilícitas e a sua propensão a cometer um ato ilegal.

O autor representa essa função da seguinte maneira:

 0j=0j (pj , fj ,uj)

Onde:

  • 0j  é o número de crimes que o indivíduo cometeria;
  • pj é a probabilidade de condenação pelo crime;
  • fj é a punição se condenado;
  • uj é um termo que representa todas as outras variáveis que podem afetar o número de crimes que o indivíduo cometeria.

Além disso, o modelo de Becker assume que a função é negativamente relacionada com “p” e “f”. Ou seja, o medo atrelado ao custo de cometer o crime, sendo o custo a probabilidade de condenação e a punição, tendem a diminuir os crimes à medida que estas variáveis são maiores.

Nesse contexto, surge ainda a figura de outro conceito abordado por Becker: a determinação de se um “crime compensa” é dado pelo comportamento da pessoa perante o risco. Sendo assim, os custos atrelados à tentativa de coibição por meio de eficiência policial, por exemplo, podem ser tornar ineficientes dado esse aspecto particular de cada indivíduo. 

Essa explicação sobre o entendimento geral do que leva um indivíduo a cometer crimes abre margem para entender o que seriam os “benefícios” e os “custos”, dado que a maximização da utilidade pode ter diferentes significados para cada indivíduo. 

Crimes contra o sistema financeiro

A economia do crime na prática

Na perspectiva da maximização da utilidade do criminoso e sua aversão ao risco, o custo de ser flagrado e a necessidade de cumprir a pena, pode emergir possibilidades de tentativa de impedir a decisão pelo ato criminoso. 

Por exemplo, um aparato policial e severidade das punições pode servir como mecanismo para que o indivíduo pese mais o custo do que o benefício de cometer o crime.

Por outro lado, o indivíduo pode interpretar que os benefícios oriundos do crime lhe trarão maiores retornos (lucros), mesmo em caso de ser pego e punido. Sob essa análise, o fator da propensão ao risco é necessariamente dominante.

Sobretudo, a caráter exemplificativo, podemos mencionar o caso onde mesmo quando o indivíduo é flagrado e punido, os custos atrelados a punição são menores do que os benefícios advindos do ato criminoso. 

Isso ocorre, por exemplo, quando a multa/pena devida para ressarcimento do crime é inferior ao valor conseguido anteriormente. Podemos mencionar o caso do “Madoff Mineiro”.

O caso do Madoff Mineiro

Thales Maioline executou um crime de pirâmide financeira entre 2006 a 2010 e foi semelhante ao que Bernie Madoff fez nos Estados Unidos (por isso o nome fictício).

De acordo com dados informativos de 2014, Maioline e seus sócios tiveram vantagem de mais de 100 milhões de reais, juntamente com seus sócios, provenientes do golpe aplicado aos clientes de sua empresa.

Ao serem indiciados pela polícia, o valor indenizatório a ser pago pelos sócios foi de meio milhão de reais, inferior aos lucros estimados de seus crimes. Nessa perspectiva, os lucros (em termos monetários) foram superiores ao que os criminosos tiveram de pagar.

Sobretudo, vale a ressalva que aqui estamos analisando, para fins didáticos, a relação entre os valores relativos ao benefício e o custo relacionado ao crime específico. Sendo assim, excluindo os efeitos morais, perda de poder aquisitivo dada a apreensão de bens e outros malefícios que foram decorridos sequencialmente à penalização. 

Dado o contexto, podemos compreender, em termos gerais, que as atribuições ao que seriam os custos e os benefícios são ponderações que antecedem um ato criminoso. Portanto, nos fornece conhecimento sobre os diversos fatores que podem influenciar essa decisão ilícita.

Teoria dos Custos de Transação (TCT)

Num aspecto mais voltado para a contabilidade e as decisões possíveis dentro da prática contábil, podemos mencionar outra teoria que embasa um contexto propício de medidas ilícitas, estabelecidas relações contratuais entre as partes relacionadas de uma empresa.

Origem e objetivo do TCT

A origem da Teoria dos Custos de Transação (TCT) se deu com a publicação do artigo de Coase (1937), versando sobre a “natureza da firma”, cuja abordagem evidencia a necessidade de se considerar as empresas na análise econômica.

Outros autores expoentes deram sequência ao trabalho de Coase (1937), dentre eles Oliver Williamson (1981) e Douglass North (1998), entretanto, Williamson é considerado o desenvolvedor-chefe da TCT (Lopes et al., 2021).

A Teoria dos Custos de Transação emerge a partir de um cenário competitivo em que as organizações estão inseridas, abarcando as decisões organizacionais importantes como “fabricar ou comprar”, formar parcerias interorganizacionais, celebrar alianças e etc., seja no contexto público ou privado (Lopes et al, 2021).

Sendo assim, o  objetivo  fundamental  da  Teoria dos Custos de Transação (TCT)  é  analisar  os  custos  burocráticos, incorridos nas relações entre as estruturas dos direitos de propriedade e instituições. Sendo assim, argumenta-se que a transação é a unidade básica de análise econômica.  

Pressupostos: o oportunismo

Com base nessa perspectiva, a teoria identifica dois pressupostos comportamentais, os quais interferem na prossecução dessas transação: a racionalidade limitada e o oportunismo. (Lopes et al, 2021).

O segundo pressuposto, o oportunismo, expressa a tendência humana ao comportamento oportunista, aqui tratada como os processos de decisões delituosas em razão de benefício próprio do indivíduo.

Sendo assim, a Teoria dos Custos de Transação ao explicitar os custos correlatos aos contratos implícitos e explícitos nas organizações, afirma que se esse comportamento oportunista não existisse, não seria necessário o estabelecimento desses “contratos”, e consequentemente, os custos seriam reduzidos.

Além disso, retomando a situação de incerteza falada anteriormente quando nos referimos aos crimes, a TCT ainda traz compreensões de que o cenário incerto dificulta a previsão de condições futuras nos contratos. E sob o olhar do oportunismo, gera incerteza quanto à licitude dos atos relativos aos custos transacionais.

Teoria do Comportamento Planejado (TCP)

Visão geral da TCP

O processo de tomada de decisão frente aos julgamentos contábeis no contexto empresarial é uma vertente estudada no que se refere a atos ilícitos, pois, determinados julgamentos podem ter intenções embasadas em benefícios próprios, mesmo que isso resulte em um crime de natureza contábil e econômica.

Nessa perspectiva, a Teoria do Comportamento Planejado busca compreender e explicar o comportamento humano a partir das intenções comportamentais, estudando o estágio imediatamente anterior à ação propriamente dita.

Sendo assim, demonstra o nível motivacional que um indivíduo tem para realizar uma escolha ou tomar uma decisão em diferentes situações. 

No contexto de fraudes, a teoria explica sob a ótica do potencial fraudador os motivacionais que seriam capazes de influenciar suas decisões. 

Motivacionais para tomada de decisão

A partir da teoria, existem três principais influências que explicam a tomada de decisão no momento anterior à elas: Atitudes, Normas Subjetivas e a Percepção de Controle (Silva Filho e Vasconcelos, 2021).

As atitudes representam as crenças pessoais de um sujeito, que lhe permitem concluir positivamente ou não sobre o comportamento em questão. 

As normas subjetivas dizem respeito à percepção do indivíduo sobre a pressão social para executar (ou não executar) um determinado comportamento. 

Já a percepção de controle representa as dificuldades ou facilidades para se realizar uma conduta.

É válido salientar que as crenças desempenham um papel importante na Teoria, pois, ao se mensurar tais crenças, é possível investigar porque as pessoas apresentam diferentes atitudes, normas subjetivas e controles comportamentais percebidos. 

Sobretudo, as dimensões ditas anteriormente não determinam o comportamento, mas sim a intenção de desempenhar tal ação. Servindo como direcionadores para que um indivíduo venha ou não a cometer um crime. 

Triângulo da Fraude

Na literatura há diversos estudos sobre fraudes e as motivações por trás delas.

No âmbito financeiro, existe a Teoria do triângulo da fraude formulada por Cressey (1953). Essa teoria afirma que para a ocorrência de fraudes é necessário a existência conjunta de três dimensões: pressão, oportunidade e racionalização.

De forma geral, esse triângulo da fraude demonstra indícios que indicam presságios de uma ocorrência de fraude. Cada dimensão versa sobre um aspecto ou situação em que o indivíduo se insere, sendo características precedentes ao processo.

  • Pressão

A primeira dimensão diz respeito à pressão e também é chamada de motivação.

Na teoria, o potencial fraudador se enquadra nessa primeira dimensão quando ele possui algum problema, normalmente correlato às finanças, e acredita que o mesmo, não pode e não deve ser compartilhado com ninguém.

É aqui que entram pessoas que podem estar em situações financeiras desfavoráveis, com dívidas ou acreditar que estarão melhores em caso de possuir maior poder aquisitivo. Além disso, acreditam que ninguém poderá compreender aquele problema e que apenas ele pode e tem capacidade para resolvê-lo.

Em certo ponto, essa dimensão, tal qual as outras, possuem um viés subjetivo dado que a interpretação da situação dependerá do ponto de vista do potencial praticante da atitude criminosa.

  • Oportunidade

A segunda dimensão é a da oportunidade. Aqui, há a presunção de que os potenciais fraudadores têm o conhecimento e a oportunidade de cometer fraudes. São aquelas pessoas que dentro de uma organização, possuem uma certa influência sobre outras pessoas, ou ocupam cargos considerados de confiança.

  • Racionalização

Por fim, tem-se a dimensão da racionalização. Nessa etapa do processo, o atuante da fraude busca arranjar justificativas que tornem suas atitudes aceitáveis, principalmente com relação a solução do seu problema “não compartilhável”. 

Essa última dimensão em específico tem um viés comportamental sobressalente. Pois aqui, o cognitivo do fraudador cria uma justificativa plausível que amenize o ato notadamente nocivo.

Suas justificativas tem caráter individual e funcionam como uma tentativa de sua própria mente em lhe dar explicações racionais e equivalentes ao ato criminoso que está cometendo. 

Nessa perspectiva, essa teoria nos fornece subsídios para compreender e identificar potenciais situações em que haverão fraudadores e, consequentemente, o acometimento de crimes contra o sistema financeiro em determinada situação.

Conclusão

Diante das teorias expostas, podemos identificar diversos pressupostos gerais que funcionam como motivadores para tomada de decisão sob um ato ilícito. Além disso, podemos identificar sob o aspecto comportamental quais fatores estão diretamente atrelados à decisão delituosa.

Vale ressalvar que as teorias aqui expostas são um recorte de todo conhecimento teórico e científico que vem se desenvolvendo ao longo do tempo sobre a temática de criminologia, sendo ainda uma forte tendência de estudo e, por consequência, uma rica fonte de conhecimento para estarmos atentos aos fatores inerentes à situação e ao indivíduo que possa vir a cometer tais atos.

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Referências

Becker, Gary S. Crime and Punishment: An Economic Approach. Journal of Political Economy, 1968, v. 76, n. 2, p. 169–217. 

Coase, R. H. The nature of the firm. Economics, 1937. [S.l.], v.4, n.16, p.386-405.

Cressey, D. R. Other People’s Money: A Study in the Social Psychology of Embezzlement. Glencoe: The Free Press, 1953.

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Lopes, Christianne; Almeida, Karla; Freitag, Viviane. Teoria dos Custos de Transação. Teorias Aplicadas à Pesquisa em Contabilidade. 1 ed., João Pessoa: UFPB, 2021. p-33-61. Disponível em: https://www.editora.ufpb.br/sistema/press5/index.php/UFPB/catalog/view/758/901/7920-1.

“Madoff mineiro” é condenado a sete anos de prisão por golpe da pirâmide financeira. Hoje em Dia, 2013. Disponível em: https://www.hojeemdia.com.br/horizontes/madoff-mineiro-%C3%A9-condenado-a-sete-anos-de-pris%C3%A3o-por-golpe-da-pir%C3%A2mide-financeira-1.252133. Acesso em 25 de novembro de 2021.

Silva Filho, Gilberto; Vasconcelos, Adriana. Teoria do Comportamento Planejado. Teorias Aplicadas à Pesquisa em Contabilidade. 1 ed., João Pessoa: UFPB, 2021. p-246-270. Disponível em: https://www.editora.ufpb.br/sistema/press5/index.php/UFPB/catalog/view/758/901/7920-1.

Estagiária do TC School | Graduanda em Ciências Contábeis (UFPB)

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