Tornando-se gestor: como conseguir a certificação CGA

Tornando-se gestor: como conseguir a certificação CGA

tcschool

06 OUT

5 MIN

Tornando-se gestor: como conseguir a certificação CGA

Por Vinicius Torres, CGA

A Certificação CGA (Certificação de Gestores ANBIMA) é uma das formas pelas quais órgãos reguladores atestam a competência dos profissionais do mercado financeiro. A ANBIMA (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) atua nesse sentido, ao conceder esta certificação, essencial para ampliar oportunidades profissionais na área. Assim, os seguintes tópicos serão abordados neste texto

  • CGA: a certificação dos gestores
  • Conheça a prova
  • CGA: estrutura e conteúdos da prova

Boa leitura!

Pessoa mostrando o seu certificado CGA

Conheça mais sobre certificações do mercado financeiro:

CGA: a certificação dos gestores

Determinadas ações são permitidas apenas para profissionais que possuam determinadas certificações. Por exemplo, a CGA certifica os gestores de fundos, enquanto a CNPI avalia os analistas de investimentos.

Tendo em vista as diversas funções possíveis neste mercado em ascensão, deve-se observar qual especificidade é a que você busca e buscar a certificação que mais atende aos requisitos dessa atividade.

O CGA permite trabalhar na gestão dos recursos de terceiros, sendo obrigatório para funcionários que trabalham em instituições associadas à ANBIMA, como bancos, distribuidoras, administradoras, corretoras e gestoras. A atuação pode ser tanto na gestão de fundos de investimento quanto gerindo a carteira de clientes. No total, a associação contava com 265 associados ao fim de 2019 e determina códigos de práticas e uma autorregulamentação.

É por isso que ela disponibiliza informações para investidores e organizações associadas, sem falar em suas quatro certificações disponibilizadas: a CPA10, a CPA20, a CEA e a CGA. Esta última é a mais completa e exige um maior nível de preparação.

A CGA teve uma taxa de aprovação de 30% dos candidatos que realizaram a prova quando considerados ambos os módulos de avaliação entre 2009 e 2015, como pode ser visto no gráfico a seguir:

Fonte: Anbima

Por fim, apenas 3.909 pessoas possuem essa certificação de acordo com os dados mais recentes da ANBIMA, de julho de 2020.

Estudei três meses para conseguir essa certificação, e aqui estão algumas dicas do que aprendi nessa experiência que podem lhe ajudar.

Conheça a prova

A prova para tirar a certificação CGA contém 120 questões de múltipla escolha, divididas em 2 módulos com 60 questões. A duração é de seis horas, sendo permitida a utilização de calculadora não alfanumérica, além de ser necessário levar documento original com foto.

O processo para tirar a certificação geralmente ocorre quatro vezes ao ano: em abril, junho, outubro e dezembro, sendo necessário 70% de acertos em cada módulo. Além disso, a avaliação não requer nenhum curso específico ou ensino superior no área, por exemplo, fazendo com que todos possam tentar por conta própria passar no exame.

Por fim, o preço exigido para fazer cada módulo da prova é R$ 573,00 para associados e R$ 688,00 para não associados. Dessa forma, como a prova é composta por dois módulos, quem desejar obter a certificação deve desembolsar R$1.376,00 ou R$ 1.146,00 caso seja associado ANBIMA.

O conteúdo abarca dez temas principais: economia, análise de relatórios financeiros, finanças corporativas, mercados, renda variável, renda fixa, derivativos, ética, legislação e regulação e investimentos alternativos.

CGA: estrutura e conteúdos da prova

É importante destacar o caráter da prova de maior especificidade em alguns aspectos. Em determinadas questões, é importante manter-se atento aos detalhes da frase e às diferenciações sutis entre alternativas.

No meu caso, tirei três meses para estudar os conteúdos indicados. Dentre eles, destacarei alguns essenciais tanto para a realização do exame quanto para a vida profissional em geral.

Os dois módulos da prova, que podem ser realizados em dias diferentes, possuem conteúdos distintos. O primeiro módulo é mais quantitativo e matemático, englobando cálculo, matemática financeira e questões de economia.

Já no segundo módulo a prova foca mais na gestão de portfólio em si. Assim, aborda ideias sobre como abordar e se relacionar com o cliente, como entendê-lo e traçar seu perfil de investidor, além de quais são suas obrigações para com ele e os padrões de qualidade em um atendimento como este.

Atendimento ao cliente

O atendimento ao cliente é uma área essencial para esse profissional, responsável por gerir os recursos de terceiros. Por isso, é necessário observar qual é a capacidade e a disposição deste para tomar riscos.

No que se refere à capacidade, deve-se analisar a condição financeira daquela pessoa, no que tange ao seu patrimônio e recursos. Já ao tratar da disposição, entra-se mais na aversão ao risco e na resiliência do investidor para lidar com eventuais perdas.

Como exemplo, muitas vezes há pessoas endividadas, mas com disposição para tomar o risco, ou mesmo pessoas estáveis financeiramente e que não têm disposição para arriscar. Essas condições individuais dos clientes precisam ser analisadas e o investimento deve se guiar com base em todos esses fatores considerados.

Finanças comportamentais e vieses

O estudo do comportamento humano foi mais recentemente aplicado ao mundo dos investimentos, ganhando um campo específico, o das finanças comportamentais. A CGA aborda questões referentes à essa área, o que não se aplica em outras certificações.

Nesse ponto, estuda-se como as pessoas lidam com seus investimentos, analisando sua resiliência e entendendo a irracionalidade por trás de cada investidor. Estudar esse perfil de alocação do investidor, portanto, é essencial para entender as características de seu cliente e para atuar na área.

Outro ponto interessante nesse aspecto são os vieses embutidos nas finanças comportamentais. Um deles é o viés de perda, em que estudos indicaram que as pessoas tendem a demorar mais para realizar uma perda do que para realizar um ganho. O motivo por trás dessa ação é a não aceitação da perda. Além dele, o viés da representatividade é a crença de que quando um fenômeno se aplica no passado, a tendência é que ele volte a ocorrer no futuro, servindo de base para decisões.

Gestão de carteira

As formas e técnicas de gerenciamento da carteira que aparecem no segundo módulo da certificação CGA. Nesse sentido, os portfólios devem ser gerenciados tendo em vista o conjunto dos recursos alocados, estando dentro do propósito da carteira.

Para isso, existem diversas técnicas no sentido de determinar a melhor forma de alocar os recursos, utilizando-se de métodos de balanceamento e de realocação. Além disso, há formas de dispor os investimentos em cada momento do cenário macroeconômico, como em mercados de alta e de baixa, por exemplo.

Assim, saber traçar estratégias de investimentos de acordo com a exposição ao risco, o momento econômico e a disposição atual dos setores é um skill indispensável para o profissional que deseja obter a certificação CGA.

Até a próxima!

A sua escola como investidor

Aprenda tudo sobre contabilidade

E-BOOK

Aprenda tudo sobre contabilidade

Neste e-book — “Contabilidade”, trazemos informações e conceitos importantes sobre contabilidade financeira.

Receba todas as novidades do TC

Deixe o seu contato com a gente e saiba mais sobre nossas novidades, eventos e facilidades.

Receba todas as novidades do TC

Deixe o seu contato com a gente e saiba mais sobre nossas novidades, eventos e facilidades.