Filme "Too Big to Fail" (Grande Demais para Quebrar)

Filme "Too Big to Fail" (Grande Demais para Quebrar)

iris-sousa

18 OUT

9 MIN

Filme "Too Big to Fail" (Grande Demais para Quebrar)

A crise do subprime em 2008 foi considerada umas das maiores crises financeiras já vivenciadas pelo mundo. O nome da crise faz referência aos créditos de alto risco vinculados a imóveis, que foram concedidos a população de forma desenfreada e irracional.

Esse movimento diligente resultou numa bolha financeira que explodiu em meados de setembro de 2008. O marco da crise ocorreu com a declaração de falência de uma das maiores instituições financeiras americanas: Lehman Brothers.

O filme “Too Big to Fail”, dirigido por Curtis Hanson (2011), retrata os bastidores da crise entre o final de março e meados de outubro de 2008. Relata como autoridades do Estado Americano e líderes financeiros de diversas instituições atuaram diante da crise, em especial, na tentativa de salvar o Lehman Brothers.

O filme é roteirizado por Peter Gould e se baseia no livro de mesmo nome do jornalista Andrew Ross Sorkin. O livro foi o primeiro relato sobre o que acontecia internamente nas instituições financeiras na época da crise econômica norte-americana de 2008. O Best Seller foi adaptado para as telinhas e está disponível na plataforma HBO.

Sendo assim, no texto de hoje iremos falar sobre os principais aspectos do filme. Elencamos o texto a seguir nos seguintes tópicos:

  • O papel do Estado diante da crise
  • De quem é a culpa?
  • Tentativas de salvar o Lehman Brothers
  • A quebra do Sistema Financeiro Americano

Boa leitura!

O papel do Estado diante da crise

A crise financeira no sistema americano data seu início em 2008. Nesse período, quem estava à frente do Tesouro Norte-Americano era o secretário Henry Paulson, protagonista do filme Too Big To Fail. 

O filme inicia trazendo uma série de recortes de noticiários da época, demonstrando a forte preocupação que a população, os bancos e todo o sistema financeiro estavam enfrentando.

Diversas instituições começaram a demonstrar resultados negativos em seus demonstrativos, dado a insolvência de muitos títulos de crédito que anteriormente foram concedidos de forma desenfreada à população.

Esse cenário começou a refletir pânico nos mercados. As ações dos bancos, e principalmente do Lehman Brothers, começaram a despencar de forma abrupta, iniciando os períodos de alertas de que algo não estava em conformidade. 

Nesse prelúdio caótico, a figura de Paulson se torna essencial, pois as expectativas eram de que o Governo interviesse de alguma maneira na situação, com afinco de ajudar os bancos e evitar suas falências. 

No entanto, o governo também se encontrava de mãos atadas e não poderia auxiliar todas as instituições  de forma discriminada. A partir daí, surge uma série de problemas e tentativas de impedir o caos no sistema financeiro americano

O que o Governo poderia fazer?

O preâmbulo de “Too Big To Fail” é dado pela preocupação de falência do Lehman Brothers. Essa instituição era um banco de investimentos com atuação global gigantesca. Diversas outras instituições financeiras norte-americanas e do mundo detinham participações nas ações do Lehman.

Sendo assim, a falência do Lehman Brothers seria desastroso dada sua magnitude no sistema financeiro. Posto isso, grande parte do filme gira em torno das tentativas de salvamento desse banco, pois o que sucede após sua quebra é uma espécie de efeito dominó catastrófico. 

Pressionado por toda a situação, o então secretário do Tesouro da época, Henry Paulson, busca diversas alternativas para essa tentativa de salvamento. Entretanto, o fato é que o governo não poderia fornecer subsídios de forma discriminada às instituições. 

Para ilustrarmos a situação, podemos mencionar uma cena do filme em que o Henry Paulson dialoga com Ben Bernanke (presidente do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos na época).

O diálogo retrata Paulson relatando aos Bernanke que entrou em contato com o antigo presidente da Reserva (Alan Greenspan) em busca de alternativas e a resposta foi: “o governo deve comprar as casas vazias e queimá-las”.

Certamente, essa seria uma atitude extremista, mas nas entrelinhas relata os problemas daquele período: ofertas imobiliárias em alta, entretanto, sem valorização. Isso ocorreu porque diversas pessoas utilizaram seus créditos concedidos na compra da casa própria.

Assim, quando os juros aumentaram, as dívidas ficaram insustentáveis, resultando na bolha hipotecária

Em consequência desse ocorrido, o crédito imobiliário ficou congelado, estagnando a economia do período.

Sendo assim, o governo não poderia tomar medidas simples como a injeção de capital ou compra das instituições que estavam à beira da falência, pois a situação estava insustentável também para o Governo.

De quem é a culpa?

Quando ficamos ciente do problema e o que causou essa bolha, podemos nos perguntar “como isso foi acontecer?”, afinal de contas, estamos falando da economia norte-americana, considerada o epicentro econômico mundial.

Essa dúvida é incorporada no longa, quando uma funcionária questiona o Paulson e sua equipe.

Sob o ponto vista apresentado em “Too Big To Fail”, não há apenas um culpado em específico pela crise. O fato geral foi um grande descuido por parte dos bancos concessionários e o entusiasmo equivocado por parte da população. 

Na época, a economia estava aquecida e o sonho da casa própria estava no topo de realizações da população norte-americana, devido às baixas taxas de juros. Os bancos começaram a conceder créditos imobiliários sem obedecer a tantos critérios, facilitando o acesso à sociedade.

Numa espécie de efeito manada, as pessoas passaram a aderir ao crédito e eventualmente comprar suas residências. Quando os juros começaram a subir, a dívida ficou insustentável para a maioria dos indivíduos, gerando inadimplência aos bancos. 

Nessa perspectiva, podemos inferir que o erro geral partiu da conjuntura de empolgação de todas as partes envolvidas nesse período de concessão de crédito.

Isso serve de alerta para que sempre estejamos atentos se um acontecimento em específico na economia é justificável e sustentável ou se não passa de empolgações momentâneas, levando a complicações posteriores.

Tentativas de salvar o Lehman Brothers

Como falamos anteriormente, “Too Big To Fail” passa grande parte de seu enredo demonstrando as tentativas de salvar o Lehman Brothers. 

A primeira tentativa surge a pedido do CEO do Lehman, Dick Fuld. Indignado com as constantes quedas no valor da ação da empresa, Fuld pede para que o secretário do Tesouro norte-americano contate o ilustre Warren Buffett, com propósito de intercede-lo a comprar ações do banco.

De acordo com o CEO, se Warren comprasse, seria um ótimo sinal para o mercado e faria a ação subir. Sobretudo, com toda sua renomada experiência no mercado, Buffett faz uma oferta em acordo com o mercado, levando em conta a desvalorização da empresa.

Desacreditado pelo baixo preço oferecido, o CEO do Lehman Brother recusa a oferta de Buffett, com a prerrogativa de que o mercado está apenas passando por uma fase turbulenta e que logo mais irá passar.

As perspectivas de Dick Fuld eram embasadas puramente num comportamento irracional. Caso a compra do Buffett tivesse sido efetivada, muito provavelmente aconteceria um alívio momentâneo na queda do preço da ação. Todavia, a problemática não poderia ser resolvida a partir da perspectiva comportamental de como os investidores iriam reagir naquele momento.

Em um segundo momento, apesar de preocupado com a situação do Lehman Brothers, Henry Paulson tinha consciência de que não poderia fornecer subsídios à empresa, pois não se tratava de uma situação isolada e o Governo não teria condições de arcar com os outros bancos que viessem a precisar também.

Dessa forma, a solução foi recorrer a autoridades de outras instituições norte-americanas.

Então, Paulson decidiu convocar os CEO’s dos maiores bancos do país para que se unissem e ajudassem a arcar com as dívidas que o Lehman Brothers possuía. Em caso disso ocorrer, o banco Barclays iria adquirir o Lehman, evitando sua falência. 

O que o Paulson não premeditou foi que o Barclays não faria o processo de compra sem antes fazer uma análise mais profunda. Sendo assim, a aquisição do Lehman Brother não foi feita pelo Barclays, pois o correspondente britânico não faria a aprovação sem uma análise.

Esse contexto remonta em mais uma tentativa falha de salvar uma das mais tradicionais instituições de investimento da época, obrigando, por fim, sua declaração à falência.

A quebra do Sistema Financeiro Americano

Após a falência do Lehman Brothers, houve uma cascata de problemas. O acontecimento trouxe pânico aos mercados e o nível de inadimplência dos imóveis foi aumentando, resultando em mais instituições à beira da falência.

Mesmo não podendo mais salvar o Lehman, Paulson precisava agir em prol do sistema financeiro norte-americano que estava à beira do colapso. Nesse período, a concessão de créditos já estava congelada e a economia estagnada. 

A partir da sugestão de um membro de sua equipe, Paulson considera viável solicitar que alguns bancos de investimentos façam fusão com bancos comerciais tradicionais. Dessa forma, as instituições se tornaram comerciais e os créditos poderiam ser concedidos a população, graças as permissões particulares desse tipo de constituição de banco. 

Entretanto, grande parte dos CEO’s não aprovaram muito a ideia e se recusaram a fazer as fusões. 

Com mais uma tentativa falha, o governo precisava tomar medidas urgentes para descongelar os créditos, resultando na última medida antes do colapso geral: plano de resgate econômico de 2008.

Plano de resgate econômico de 2008

Paulson e sua equipe estimaram que seria necessário recorrer ao congresso solicitando recursos financeiros para injetar nos bancos. Apenas assim, os bancos teriam dinheiro para emprestar às pessoas, retornando a economia e descongelando o crédito.

Sendo assim, instituíram o plano de resgate econômico que solicitava US$ 700 bilhões ao Congresso, com o propósito de conceder aos bancos.

Nessa etapa do longa, há um dilema muito grande de como isso seria feito, pois para que essa concessão fosse feita, seria necessário aquisição de ações por parte do governo. 

A vista disso, com propósito de não figurar uma estatização desses bancos, o contador da equipe sugere a compra de ações preferenciais com data definida para liquidação dos títulos. Dessa forma, forneceria capital às empresas sem que o governo possuísse posição ordinária de voto dentro da empresa. 

O propósito de fornecimento de capital a essas instituições era de que esse dinheiro fosse circulado e concedido em créditos, descongelando a economia no momento e restaurando a confiança do mercado. Sobretudo, isso não era uma cláusula explícita do contrato, dando liberdade às empresas para gastarem o novo recurso de forma indiscriminada. 

Desfecho catastrófico 

A última tentativa de salvar o sistema financeiro norte-americano não foi bem sucedida. Apesar da concessão de capital aos bancos, os recursos não foram utilizados de forma esperada pelo secretário Paulson.

Os bancos fizeram menos empréstimos que os esperados e o mercado começou a declinar. O desemprego aumentou com o passar dos dias e milhões de famílias perderam as casas que haviam financiado anteriormente. 

Esse desfecho marcou uma das maiores crises já vivenciadas pela economia global.

No Brasil, a balança comercial ficou fortemente afetada em decorrência das exportações em déficit e por consequência, recaíram na queda do PIB Brasileiro no período. Os mercados também reagiram de forma negativa, fazendo os principais índices do mundo terem quedas gigantescas.

O filme narra os bastidores de todo esse processo de crise, trazendo à tona os problemas interpessoais e profissionais sofridos por todos envolvidos no processo.

O longa ainda recebeu indicação ao Emmy na categoria Melhor minissérie ou filme feito para TV em 2011.

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Estagiária do TC School | Graduanda em Ciências Contábeis (UFPB)

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