Por que este é um ótimo momento para investir em ações

Por que este é um ótimo momento para investir em ações

arlindo

19 JAN

8 MIN

Por que este é um ótimo momento para investir em ações

Neste texto, vamos discutir os motivos que levaram a derrocada na cotação das ações na bolsa brasileira, e porque acredito que temos excelentes oportunidades no mercado acionário brasileiro. Será que este é um ótimo momento para investir em ações?

Para um melhor entendimento, vamos por partes:

  • Como os ativos de risco são precificados no mercado financeiro
  • Estresse na curva de juros
  • Brasília à Faria Lima
  • Na contramão do mercado
  • Por que acredito que é um bom momento para investir em ações
  • Reflexões para investidores

Boa leitura!

Em 07/06/2021, o principal índice do mercado acionário brasileiro, o IBOV, atingia o seu ponto mais alto ou “all time high” ao tocar os 130.776 pontos no fechamento desta data. Todavia, no dia 30/12/2021, o índice fechou o ano em 104.822, com queda de 19,85% neste período. 

Fonte: Economática

Em relação ao índice de Small Caps, temos um comportamento ainda mais agressivo. Do ponto mais alto 3.225, ao fechamento em 30/12/2021 em 2.365, temos uma queda de -26,67%.

Mas o que gerou quedas tão expressivas no mercado de ações brasileiro? Para responder a esta pergunta, precisamos entender como os ativos de risco são precificados no mercado.

Como os ativos de risco são precificados

O valor de uma ação deve ser entendido como o valor presente de sua capacidade de geração de caixa no futuro. 

Para se chegar neste valor, usamos a equação abaixo de valor na perpetuidade:

Valor = Fluxo de caixa para o acionista / Ke – g

A parte de cima da equação refere-se ao resultado gerado pela operação da companhia, líquido dos novos investimentos necessários e das mudanças na estrutura de capital da empresa.

Na parte de baixo da fórmula é onde está o “x” da questão, que explica a derrocada no mercado de ações brasileiro. 

A variável “Ke” mede o custo de oportunidade do acionista, comumente mensurado pelo modelo de precificação de ativos capital asset pricing model, ou simplesmente CAPM, sendo calculado assim:

Ke = Rf + β (Rm – Rf)

Em que:

Rf: Taxa de juros livre de risco, a qual é utilizada taxas dos títulos públicos;

β: Coeficiente que mede o risco do ativo em relação ao risco de mercado

Rm: Retorno médio de mercado

Rm – Rf: Prêmio de risco de mercado

Por sua vez, a variável “g” é a taxa de crescimento dos fluxos de caixa na perpetuidade, comumente utilizada a expectativa de crescimento da economia no longo prazo mais a inflação. Uma redução na expectativa de crescimento da economia para o longo prazo afetaria de forma negativa o valor intrínseco das ações.

Note que, utilizando o racional acima, na medida em que o juro livre de risco aumenta, aumenta também o custo de oportunidade de se investir em ativos livres de risco, ou mais simples “porque eu vou arriscar meu capital para investir em ações se o governo me paga juros de 2 dígitos ao ano?

Estresse na curva de juros

Usando a curva de juros para medir as expectativas do mercado quanto aos juros futuros, fica mais fácil entender que o custo de oportunidade aumentou:

Fonte: Economatica

Perceba que na ponta mais longa da curva, saímos de uma taxa de 7,81% para 10,73%, um aumento de 2,92 p.p., elevando assim o custo de capital dos acionistas. Vejamos o efeito disso na avaliação de ações:

De Brasília à Faria Lima

Agora que você sabe como os ativos de risco são precificados, fica mais fácil entender o motivo pelo qual as ações desabam quando vem ruídos políticos do Planalto. E se tratando de Brasil, assistimos isso diariamente. 

O mercado passa, então, a cobrar um prêmio maior pelo risco de se emprestar dinheiro para o governo, o que aumenta o custo de oportunidade de se investir em ações, reduzindo assim o preço em tela das ações.

Então, este maior custo de oportunidade gera uma série de efeitos em cascata (não necessariamente nesta ordem):

  1. Devido a maior atratividade da renda fixa, o “dinheiro novo” que entraria na bolsa passa a irrigar os ativos de renda fixa;
  2. Com as ações “valendo menos”, ocorre um processo de migração das ações para a renda fixa. Com a venda das ações, o preço começa a se desvalorizar;
  3. Em razão da desvalorização dia após dia, ocorre então o efeito manada: os investidores se assustam e começam a vender com medo de uma maior queda. Este movimento também é refletido no aumento dos pedidos de resgate dos fundos de ações e multimercados, fazendo com que o volume de vendas aumente na medida em que aumenta o pedido de resgate, desvalorizando ainda mais os preços
  4. Ações com menor liquidez, small saps sofrem muito mais devido ao menor volume de negociação
  5. A menos que os preços cheguem a um equilíbrio, os movimentos acima se retroalimentam um ao outro, criando um efeito cascata nos preços.
  6. E como precisamos lembrar que estamos no Brasil, temos uma série de outros fatores que contribuem para que os itens acima continuem num círculo vicioso: ruídos entre os três poderes e crise institucional, maiores expectativas de inflação, novas variantes do coronavírus, eleições presidenciais em 2022 etc.

Na contramão do mercado

De forma oposta ao caos que está implícito nos preços das ações atualmente, acredito que temos excelentes oportunidades na mesa hoje, especialmente em duas classes de ações: Small Caps e valor.

Quanto às Small Caps, o movimento de depreciação dos preços foi tão destrutivo que o mercado deixa implícito que as empresas de alto crescimento não conseguirão entregar mais crescimento no futuro, com expectativas inclusive de queda no faturamento.

Vejamos o exemplo da PETZ3.

A companhia realizou um aumento de capital ao final de 2021, a um preço aproximado de R$ 19,00 por ação, levantando uma faixa de R$ 800 milhões de reais, que serão utilizados na expansão de suas operações. A empresa deve abrir este ano aproximadamente 50 novas lojas, diferentemente das 30 que a empresa estava abrindo nos anos anteriores.

Enquanto escrevo este texto, o preço em tela da PETZ3 é de R$ 14,56, uma depreciação de aproximadamente 23%.

Ora, o senhor mercado comprou PETZ3 por R$ 19,00 e este mesmo mercado está vendendo as mesmas ações, poucas semanas depois 23% mais baratas!

Neste sentido, na média, o que eu vi na temporada de resultados do 2T21 e do 3T21 foram resultados acima dos consensos de mercado, indicando melhora nos fundamentos das empresas e consequentemente, múltiplos descontados.

Ações x Renda fixa

A lei número 1 das finanças é que risco e retorno são indissociáveis. Ou seja, para que um maior retorno seja gerado, deve-se assumir mais risco (o debate sobre risco e retorno é muito mais abrangente que isso, mas foge ao escopo deste texto).

Em detrimento dos ativos de renda fixa pré-fixados, que estão com Yield de aproximadamente 11,67% a.a., temos empresas com Dividend Yield bem acima disso, como no caso de Petrobras e Vale com Dividend Yield para quem adquiriu as ações no início de 2021 de 19,94% e 16,74% em 2021, respectivamente. 

Já no caso das Small Caps, empresas que estão entregando sólidos crescimentos e que estão em mercados com futuros promissores, temos taxas internas de retorno nestes níveis de preço acima de 20%, superando em muito os títulos de renda fixa convencionais.

Isto porque, ao contrário dos fluxos de caixa pré-fixados dos títulos de renda fixa, as empresas possuem projetos com n opcionalidades, os quais conferem a elas oportunidades de crescimento.

Por que acredito que é um bom momento para investir em ações

E estes são os motivos pelos quais acredito que temos boas oportunidades na bolsa brasileira hoje para investir em ações: 

  1. Temos empresas com boas avenidas de crescimento, com baixa alavancagem financeira e que já estão entregando crescimento nos resultados; 
  2. O fluxo de mercado vem migrando para a renda fixa de forma um tanto abrupta, dado o ritmo de elevação nos juros. Isto deprecia os preços das ações em virtude do custo de oportunidade. Além disso, toda a onda de resgates nos fundos gera um efeito em cadeia que expliquei anteriormente, gerando uma crise de liquidez no mercado de ações;
  3. Cenário favorável para investir em ações value, especialmente commodities, as quais estão em processo de desalavancagem financeira, com baixo CAPEX de expansão, resultado em alta geração de fluxo de caixa livre e consequentemente em elevado Dividend Yield;
  4. Um carrego de longo prazo nos preços de hoje deve proporcionar aos acionistas taxas internas de retorno e Yield on Cost atrativos quando as Small Caps estiverem em seu ciclo de maturidade e assim aptas a distribuir parcelas maiores de seus lucros;
  5. Fluxo de compra dos investidores estrangeiros bateu recorde, com volume acima de R$ 100 bi em 2021, seguindo o mesmo ritmo em janeiro de 2022.

Reflexões para investidores

Por fim, mesmo com boas empresas disponíveis para os investidores neste momento, a alocação entre as diferentes classes de ativos deve ser feita de forma parcimoniosa por cada investidor. Uma alta exposição a ativos mais arriscados irá elevar a volatilidade de sua carteira.

Quando existir necessidades de realocações entre classes de ativos em seu portfólio, também é importante que isso seja feito da maneira adequada.

Por exemplo, se você deseja uma posição menor em Small Caps, invés de vender todas as posições nas mínimas históricas, você pode utilizar os novos aportes mensais para investir em outras classes de ativos, ou mesmo utilizar os rendimentos de dividendos para aportar nas demais classes.

Se ao deitar-se para dormir, você está preocupado com seu portfólio, então sua alocação deve ser revista. É possível surfar as diferentes oportunidades tanto na renda variável como na renda fixa, com a alocação adequada ao seu perfil de risco.

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