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Carrefour Brasil: contextos, realidades e problemas futuros

Postado por: TC Mover em 23/11/2020 às 14:37

São Paulo, 23 de novembro – No âmbito corporativo, o episódio da trágica morte, por asfixia, de João Alberto Freitas, de 40 anos, em uma filial da Carrefour Brasil em Porto Alegre e que completa cinco dias hoje, precisa ser colocado em diferentes contextos. Há tempos alertamos sobre a falta de atenção a assuntos delicados, como o racial ou o ambiental, por parte dos setores público e privado. Também achamos que há segmentos que querem espalhar o terror, usando esses assuntos para colocar o empresariado entre a cruz e a espada.

Segundo coluna do O Globo, a Carrefour Brasil passou o fim de semana falando com notáveis para formar um comitê para cuidar de diversidade e inclusão no Brasil. A ideia é anunciar os nomes ainda nesta semana, disse o colunista do jornal, Lauro Jardim. Após a morte de Freitas, o presidente global da rede, Alexandre Bompard, determinou a revisão de normas da empresa no Brasil. Ao programa Fantástico, da Rede Globo, o executivo João Senise disse que a empresa está envergonhada do que aconteceu.

Já Abílio Diniz, terceiro maior acionista global da rede francesa por ser dono de 10% das ações com direito a voto, e segundo maior acionista da empresa no Brasil, tuitou que estava “profundamente triste e indignado”. O que aconteceu em Porto Alegre foi “terrível, uma enorme brutalidade. O racismo é execrável e inaceitável e devemos combatê-lo sempre, com toda a força”, disse. Ele quer que a Carrefour se organize para ser um “agente transformador na luta contra o racismo estrutural no Brasil e no mundo”.

Mas o mea culpa não deve evitar a raiva dos reguladores, dos políticos e dos oportunistas de turno – independentemente das lamentações de Bompard, Diniz e outros. Os presidentes da Câmara e do Senado, Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre, respectivamente, chamaram a atenção para a necessidade de se combater o racismo no país. A manifestação do presidente Jair Bolsonaro foi, na nossa visão, difusa. O presidente da Comissão de Direitos Humanos do Senado, Paulo Paim, prometeu que não poupará esforços para que este crime seja punido. Parlamentares disseram que esses problemas são recorrentes na rede.

Nosso editor Gustavo Boldrini nos lembra disso. Um ano atrás, um cachorro foi morto a pauladas por um segurança da rede um uma loja de Osasco, na Grande São Paulo. Neste ano, um funcionário do hipermercado em Recife morreu após um mal súbito e teve o corpo escondido por guarda-sóis para impedir que a loja fosse fechada. Também houve o caso de uma funcionária da divisão Atacadão, subsidiária da companhia, demitida no Rio de Janeiro após denunciar ter sido vítima de racismo e intolerância religiosa.

A Iniciativa Empresarial pela Igualdade Racial, que reúne 73 organizações signatárias, desligou a Carrefour Brasil da lista de empresas parceiras. Entre as signatárias, estão Ambev, Coca-Cola, GPA e Petrobras. Em meses recentes, Carrefour Brasil e outras companhias têm lançado ações para alinhar suas práticas empresariais com os preceitos básicos de ambiente, sociedade e governança – código de conduta conhecido como ESG e que, em teoria, acrescenta o valor das empresas que o seguem. 

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