Mover

Corleta: As commodities ainda têm espaço para subir mais?

Postado por: TC Mover em 17/02/2021 às 9:54
Commodities

São Paulo, 17 de fevereiro – Os preços das commodities agrícolas, minerais e de energia têm aumentado de forma consistente desde o quarto trimestre. Há poucas dúvidas de que a classe de ativo deve continuar subindo por mais um tempo, mas o investidor precisa ficar mais atento ao que motiva essas altas – e entender como agir.


Investidores de commodities estão se beneficiando por ora

Quem apostou em grãos, proteínas, minerais e petróleo têm se dado bem, por ora. Quem conhece as commodities, olha para uma cesta delas, tenta inferir se seu comportamento mútuo é muito similar e olha para sua situação de oferta e demanda – e o que as determina. Além disso, eles as dividem entre commodities duras e commodities leves: no primeiro grupo incluímos os minerais de atividade e os metais preciosos, o petróleo e outras mercadorias de energia e, no segundo, os grãos e o gado – ou carga-viva.

Trata-se de um mercado complexo, cujos preços não impactam apenas as empresas inseridas no setor de commodities, mas a inflação e a estabilidade social de nações ou continentes inteiros. Uma alta desmensurada nos preços do combustível, da carne ou do café não somente pesa no bolso do consumidor, mas no equilíbrio político de uma nação. Para os investidores, além disso, existe a preocupação de como os bancos centrais, que ditam o nível do juro básico nas economias, reagiriam a um choque de oferta dessas mercadorias.

O investidor que deseja entender de forma mais profunda como economia e geopolítica interagem, geralmente presta mais atenção ao que está acontecendo nos mercados das commodities e, em maior escala, nos mercados de dívida. Enquanto as ações podem se tornar bolsões de insanidade em meio à dinâmica de fluxos provenientes de fundos passivos e a frenética atividade dos algoritmos, as commodities nos dizem muito sobre questões econômicas reais, como as expectativas inflacionárias.


Alta não tende a ser uniforme

Então, muitas commodities compartilham uma função comum, a de ser as matérias-primas que constroem os estágios iniciais do processo de produção. É por isso que a alta das commodities tende a não ser uniforme, pois ela não depende apenas do ciclo econômico ou do enfraquecimento do dólar, por exemplo. Citando diferentes motivos, analistas do BTG Pactual, JPMorgan e Barclays insistem em que um “super ciclo” de commodities está em curso em 2021: enquanto o primeiro cita condições de oferta, os outros apontam para a crescente exposição de fundos hedge à classe de ativo e ao desequilíbrio causado pelos planos de estímulo para combater a pandemia do coronavírus nas maiores economias do planeta.

Por exemplo, os metais preciosos tendem a se comportar com uma correlação negativa contra ativos de risco, como ações. Isso se justifica pois o ouro, por exemplo, tem uma oferta limitada no planeta e justamente é a sua escassez que leva os investidores às compras em períodos de maior aversão ao risco ou em épocas de crise. Já os metais de atividade, como o cobre e o minério de ferro, são itens muito associados aos programas de infraestrutura e à atividade industrial. E algo próximo a isto que se desenrola nos mercados. O cobre, por exemplo, opera atualmente perto das máximas em nove anos.

As commodities de energia, mais notadamente o petróleo, são impactadas por uma retomada dos movimentos de migração, pela abertura das fronteiras e sempre de olho na geopolítica da OPEC e outros países produtores, que controlam a produção e a oferta da commodity. O frio que vêm passando os países do Hemisfério Norte aumenta a demanda por aquecimento residencial à óleo e gás, e trava operações de refinarias e oleodutos, provocando um distúrbio de oferta no mercado. No médio e longo prazo a ameaça gira em torno de duas perguntas: O trabalho remoto e a consequente redução no tráfego urbano se eternizam após o impacto social da Covid-19, ou retorna ao normal? Quando que os carros elétricos vão substituir de forma relevante os à combustão, e erradicar parcialmente a demanda por gasolina e óleo diesel?

No caso dos preços dos grãos e das commodities agrícolas seguem uma lógica semelhante, respeitando a lei de oferta e demanda. No lado da disponibilidade dos itens, fatores climáticos estão sempre no radar de analistas, produtores e especuladores. Na parte da demanda, o crescimento da população global, a demanda por gado em confinamento são fatores importantes. Para o mercado de proteínas, ou da criação de animais, qualquer rumor de eventuais surtos de doenças animais também dispara o sinal de alerta, pois pode perturbar a oferta global e pressionar os preços. Ainda entram nos preços outros dados, como a quantidade de animais jovens, fêmeas e machos, preços de grãos, ciclos de produção e abate.

Dessa forma, o que estamos ouvindo por ora? Há quem aposte na queda dos metais de atividade e de grãos e na alta das proteínas. Há quem deseje se posicionar no que ainda não subiu tanto. No Brasil, as ações de CSN, Vale e SLC Agrícola renovam os topos históricos no ano, enquanto os papéis dos principais frigoríficos ainda estão distantes dos níveis pré-pandemia. Um membro da comunidade TC diz que o momentum das commodities coloca a bolsa brasileira, que depende muito das exportadoras de mercadorias, “em uma situação única no mundo”. Dado que o dólar se enfraquece ao redor do mundo, mas não no Brasil, as margens dessas companhias devem disparar – pois parte dos custos delas está em reais. “O exportador brasileiro ganha nas duas pontas, no preço e no câmbio”, completa.

A modo de resumo, fique atento à recuperação econômica, ao comportamento do dólar americano ante o real e as demais moedas de países emergentes. Preste atenção no fluxo de notícias relacionadas à planos de infraestrutura, ao clima e ao desempenho dos ativos de risco. Qualquer situação que altere o equilíbrio destes fatores abre oportunidades ou alerta para riscos atrelados às commodities.

Arte: Vinícius Martins / TC Mover

DISCLAIMER: As informações disponibilizadas na coluna são meramente opiniões do COLUNISTA na data em que foram expressas e não declarações de fatos ou recomendações para comprar, reter ou vender quaisquer títulos ou valores mobiliários, ou ainda, qualquer recomendação de investimento.


Leia também

Calendário Econômico: Vencimento de opções, varejo, ata do FOMC

Supermercadistas devem apontar para maiores margens, à espera do auxílio

As mais lidas da semana: Imobiliárias, dólar, Petrobras

Mover Pro

Informação, análises e ideias de investimentos 24/7

Saiba Mais