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Corleta: Fluxo do dólar sinaliza desconfiança com ajuste fiscal e BC, dizem traders

Postado por: TC Mover em 10/02/2021 às 15:08
Corleta - Dólar

São Paulo, 10 de fevereiro – Quem opera câmbio por meio de corretora estrangeira sempre sabe alguma coisa antes do mercado, diz o velho adágio. No caso atual, quem sabia da pressão do Congresso por mais gastos e acreditava em uma demora para elevar a taxa básica de juros, a taxa Selic, apostou na alta do dólar, e se deu bem.

Clientes das corretoras Goldman Sachs e Morgan Stanley têm se posicionado na ponta compradora do câmbio na última semana, puxando a exposição cambial do investidor não-residente para o maior nível desde outubro, mostram dados da B3. A posição comprada dos estrangeiros, que ontem subiu para US$30,5 bilhões, acende o alerta dos traders, especialmente porque, entre segunda e terça, houve fluxo de compra de US$2,37 bilhões. Ontem, somente Morgan Stanley comprou em torno de US$1 bilhão entre o contrato futuro cheio e o mini.

A situação corrobora o comportamento errático dos mercados locais, como era de se esperar, após o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, impor sua vontade e enfiar goela abaixo dos mercados a decisão de criar um auxílio emergencial sem impor contrapartidas de menor gasto. A ascensão do centro político ao comando do Congresso, tão celebrada pelos investidores locais no final do mês passado, tem catalisado a desvalorização do câmbio e a abertura da curva de juros.

As esperanças do investidor de que Pacheco e Arthur Lira, o presidente da Câmara, tramitem de forma rápida as medidas de ajuste fiscal estão desvanecendo, para sorte dos estrangeiros, disseram traders. Além disso, impulsiona o dólar a percepção de que a fraqueza da economia deve adiar a esperada alta da Selic até maio ou mais tarde, disseram contribuidores do TC. Um juro baixo fomenta a saída de capitais do país.

“O gringo ou não está acreditando em reformas no Brasil no curto prazo, ou está achando que o Banco Central deve tardar mais do que o ideal a subir a taxa de juros”, disse Moises Beida, trader e contribuidor do TC. Ele aponta que o estrangeiro nem ligou para a decisão da Câmara de ontem de acelerar a votação da autonomia do BC, o que, em teoria, devia ajudar a baixar o dólar.

Na véspera, por momentos o real não somente foi a única moeda emergente, mas também a única entre as mais líquidas do mundo, a cair ante o dólar americano. O Banco Central reagiu à inusitada pressão de compra de dólares no mercado local oferecendo cerca de US$1 bilhão em contratos de swap. Nem o esforço do BC para fornecer mais liquidez em moeda estrangeira, nem o temor de mais intervenções inesperadas impedem que o real perca 0,10% ante o dólar e 0,65% ante uma cesta de moedas emergentes observadas pela TC Mover. Hoje, por volta das 13h00, o desempenho do real continuava o segundo pior contra o dólar entre 21 moedas.

Há quem permaneça cético, no entanto. Pedro Albuquerque, contribuidor do TC, pondera que o placar na votação pela urgência na pauta de autonomia do Banco Central, pode indicar uma maior união no Congresso e dar esperança ao investidor de uma agenda mais reformista. Para ele e outros contribuidores do TC, em momentos de alta tensão política, o investidor posicionado em contratos futuros de dólar ou em recibos de ações estrangeiras negociadas na B3, conhecidas como BDRs, precisa manter o olho aberto nos fluxos compradores de corretoras estrangeiras.

Quem está posicionado em ações brasileiras tampouco está safo: a alta do dólar pode beneficiar exportadoras de commodities, cuja receita é majoritariamente em moeda estrangeira, e pesar em outros setores, como nas empresas aéreas, frigoríficos varejistas de produtos importados e produtoras de bens intermediários e de capital.

Arte: Vinícius Martins / TC Mover

DISCLAIMER: As informações disponibilizadas na coluna são meramente opiniões do COLUNISTA na data em que foram expressas e não declarações de fatos ou recomendações para comprar, reter ou vender quaisquer títulos ou valores mobiliários, ou ainda, qualquer recomendação de investimento.


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