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Corleta: Short squeeze da prata não deve ser igual ao da GameStop

Postado por: TC Mover em 01/02/2021 às 13:38
Corleta - Prata

São Paulo, 1 de fevereiro – A luta entre investidores institucionais e pessoas físicas nos mercados financeiros se traslada para um novo cenário: o mercado da prata. Hoje a prata à vista disparava 7,75% por volta das 13h30, de acordo com preços do mercado Comex. Já o contrato futuro da commodity sobe cerca de 7,60%.

Para os investidores pessoa-física, a oferta de prata física é muito mais frágil do que os mercados acham, o que desencadearia mais uma semana de volatilidade, e de perdas, nas bolsas. Mas há muitas mais coisas por trás disso.

 

Pode ser que você, investidor, não se lembre do célebre “Silver Thursday”, uma data que lembra uma das bolhas mais marcantes das últimas décadas. Em plena fase de alta de juros nos Estados Unidos e o Reino Unido, com inflação galopante e crise de dívida nos países emergentes, três irmãos, Nelson Hunt, William Hunt e Lamar Hunt, decidiram colocar o mercado da prata entre as cordas.

Após concentrar as compras da commodity alavancados, os Hunts viram o preço do metal despencar, em um episódio no qual a alavancagem e o contragolpe do investidor institucional quebraram a família. Hoje, um grupo de traders nos Estados Unidos pode reivindicar vingança em nome dos Hunts.

Quando a demanda sofre um estímulo completamente novo em um mercado que há décadas funcionou em um estado quase inercial, a oferta é testada de forma inusitada. Exceto no caso da Silver Thursday, o mercado de prata não costuma apresentar muitos colapsos. A hashtag #silversqueeze é um dos tópicos quentes na rede social Twitter, com mais de 30 mil tweets.

Sem recomendação de compra, a prata pode disparar bastante até que os reguladores ou os investidores institucionais encontrem uma solução. Destacamos aqui o paradoxo: caso essa situação como um todo fuja completamente do controle e cause uma crise de liquidez, ou de aversão a risco entre bancos e fundos, o mercado tipicamente fugiria para onde? Na minha avaliação, para ativos com correlação negativa com o desempenho dos mercados acionários, como os contratos futuros de metais preciosos.

 

Venda travada com hedge em contratos futuros diferencia prata e GameStop

 

Quais as semelhanças e diferenças que um ataque organizado à commodity pode ter com as ações mais alugadas em Nova Iorque, como a da GameStop? Vamos lá: nas casas de compra e venda de metais, quase 100% dos negócios realizados são imediatamente travados com hedge em contratos futuros.

Se os futuros continuarem pressionados e as pessoas físicas forem às lojas comprarem prata, será a hora de as grandes instituições provarem ao mercado que todo o lastro que têm é verídico.

 

 

Mas, o que aconteceria com os preços? Eles disparariam. Os investidores pessoa-física não querem vender seus contratos, pois desejam exigir a entrega física da commodity na data do vencimento, ao invés de simplesmente estender o vencimento, como tradicionalmente fariam para permanecer com exposição ao ativo.

Como o volume de negociação da chamada “paper silver”, ou dos contratos futuros, é muito maior do que a disponibilidade de prata física, isso assestaria um forte golpe nas instituições financeiras e nos brokers de metais.

Esses atores entrariam em situação de colapso, pois precisariam comprar a prata física à vista para entregar, já que parece que não há disponibilidade do metal nos cofres para cumprir a liquidação de todos estes contratos.

Arte: Vinícius Martins/TC

DISCLAIMER: As informações disponibilizadas na coluna são meramente opiniões do COLUNISTA na data em que foram expressas e não declarações de fatos ou recomendações para comprar, reter ou vender quaisquer títulos ou valores mobiliários, ou ainda, qualquer recomendação de investimento.

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