Mover

Guillermo Parra-Bernal: Os alertas de Stuhlberger

Postado por: TC Mover em 22/10/2020 às 16:14

Parra-Bernal é economista, sócio e diretor-geral da área de informação e inteligência de mercado do TC. O artigo reflete as opiniões dele e não as do TC ou da TC Mover.

São Paulo, 22 de outubro – O alerta de quem melhor conhece os mercados brasileiros veio ontem à noite: a queda da taxa básica de juros Selic para 2,00% em um momento de alta instabilidade financeira, crise fiscal, liderança ambígua na política e pandemia de coronavírus deixam o ano de 2021 muito desafiador.

Dono de uma cautela ímpar e ciente que, neste momento, divulgar previsões erradas podem fazer seus clientes perderem dinheiro, o legendário gestor Luis Stuhlberger, que toca o Fundo Verde, recomenda não fazer apostas arriscadas.

Admirador de Winston Churchill e do delicado senso de humor do admirado político britânico, Stuhlberger até brincou com a incerteza ao redor da taxa de juros no país: para ele, mesmo considerando a expectativa de alta dos juros para os próximos dois anos:

“se eu cometesse um pequeno delito e um juiz me desse duas penas para escolher, ficar 30 dias na cadeia ou ficar aplicado em títulos prefixados para janeiro de 2022 de hoje até o vencimento, e sem poder mexer, eu escolheria ficar 30 dias na cadeia”.

Nós mortais, que carecemos do fino humor e da leitura de Stuhlberger para navegar esse oceano de insegurança política e jurídica chamado Brasil, seguimos à espera das definições que, no próximo mês, podem marcar o desempenho do mercado local no ano que vem. 

Luis Stuhlberger, fundador e gestor do fundo Verde (Arte: TC Mover)

Em evento virtual com a analista Luciana Seabra, da casa de pesquisa Spiti, Stuhlberger além de alertar sobre os riscos fiscais do Brasil, repassou sua visão sobre os ativos de risco globais, a geopolítica e a necessidade de manter o psicológico forte neste mercado tão volátil. À Spiti, o bem-humorado gestor disse que as aplicações em juros são as que mais pesam no desempenho da estratégia Verde FIC FIM no ano – queda de 2,29% até setembro. De fato, são as ações que mitigam as perdas – e que, caso alguma coisa melhore aqui e mundo afora, podem salvar o ano.

Stuhlberger também disse que a estratégia Verde FIC Fim não tem nada em câmbio ou em juros, mas está com 25% do patrimônio comprado em ações brasileiras e mais 15% na bolsa americana. Ele não detalhou as posições, mas disse que não está muito posicionado em empresas de tecnologia, bancos ou exportadoras de commodities. Se a situação fiscal evoluir, teremos um rali curto na bolsa, apontou. O Verde, o fundo multimercado mais bem-sucedido da história do Brasil, rende 17.628% desde sua criação, em 1997, ante uma CDI de 2.200% no período. 

Mover Pro

Informação, análises e ideias de investimentos 24/7

Saiba Mais