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Leite: Guedes, o ministro “nem-nem”

Postado por: TC Mover em 22/02/2021 às 14:53
Guedes

São Paulo, 22 de fevereiro – Será que o “Posto Ipiranga” ficou sem combustível? Para alguns investidores que consultamos ao longo do final de semana, o ministro da Economia, Paulo Guedes, parece que não está conseguindo segurar o ímpeto intervencionista do presidente Jair Bolsonaro.

A ironia é que o mais recente sapo que Guedes teve de engolir, a troca intempestiva de Roberto Castello Branco, seu amigo pessoal, no comando da Petrobras, foi justamente pelos preços altos na bomba. A maioria dos investidores já intuíam que Bolsonaro não é liberal. Pela sua formação militar, ele está mais para desenvolvimentista, e defender o fortalecimento de estatais do que apoiar desestatizações. Com Bolsonaro se preparando para a eleição presidencial de 2022, as críticas à atuação do ministro começam a aumentar.

Para muitos analistas, Guedes está em dívida com o eleitorado e a pauta liberal: por um lado, nem conseguiu arrecadar o R$1 trilhão prometido com privatizações, nem fazer nenhuma venda relevante de estatais, nem aprovar mais reformas estruturantes além da Reforma da Previdência, nem aprovar a proposta de reforma do Pacto Federativo. A independência do Banco Central e o Novo Marco Cambial foram as únicas acertadas na era Guedes. Os críticos de Guedes acham que a Nova Previdência foi mais uma vitória do Congresso do que mérito do governo.

Para os que acham Guedes um herói, poucos falam da Lei de Liberdade Econômica, dos esforços dele para reduzir a burocracia e das vendas bem sucedidas de participações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, BNDES, que devem ir para a redução da dívida federal. Mas, todos sabem que Bolsonaro tem dado fraco apoio às desestatizações: lembremos o que ele falou a respeito na reunião ministerial de 22 de abril do ano passado, aquela que teve o áudio vazado a pedido do ex-ministro, Sergio Moro. Na ocasião, o então presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, quis falar sobre a privatização da instituição. “Só em 23, tá?”, disse Bolsonaro.

Novaes saiu, frustrado com a falta de avanço da privatização do banco. Foi substituído por André Brandão, que hoje balança na função por administrar de olho no lucro para o acionista: Bolsonaro já ameaçou demiti-lo por defender cortes de custos e planos de demissão voluntária. Essa pauta é impopular para quem mira a reeleição. Os avisos de mais mudanças e as ameaças de que vai “meter o dedo na energia elétrica” acirram os receios de volta de intervencionista ao estilo da ex-presidente Dilma Rousseff na tarifa da luz e mexidas em outras estatais. Resta a Guedes conseguir que se cumpra o Teto de Gastos, que limita o aumento de despesas públicas à inflação do ano anterior, última âncora da confiança do mercado no governo. Guedes não vai sair do cargo, disseram fontes à TC Mover. Porém, essas fontes falam em uníssono que sua permanência estará atrelada à aprovação no Congresso de medidas de ajuste fiscal. E isso, sabemos, não depende unicamente dele.

Arte: Vinícius Martins / TC Mover

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