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Mansano: Banco Central e a utilização do forward guidance

Postado por: TC Mover em 14/01/2021 às 15:29
Forward Guidance

São Paulo, 14 de janeiro – Na atual conjuntura nacional, o período marca a retomada das atividades econômicas que combinam política fiscal contracionista e monetária com taxa de juros no menor patamar desde o início da série histórica. Neste contexto, desde a última ata da reunião do Comitê de Política Monetária, Copom, em dezembro do ano passado, a decisão da política monetária reconheceu e considerou adequado o atual nível extraordinariamente elevado de política monetária. Neste cenário, a utilização do forward guidance, FG, traduzido como Prescrição Futura, pelo Banco Central brasileiro chamou a atenção do mercado, assim como recentemente tem levantado questionamentos sobre a necessidade da autoridade em manter o instrumento.

 

Conquanto, no Relatório Trimestral de Inflação, RTI, alguns pontos foram frisados, como o câmbio e a utilização do forward guidance; dos quais, sem dúvida, estão relacionados às expectativas futuras de inflação. Neste contexto, o que chamou a atenção no comunicado foi que a utilização de uma ferramenta capaz de trazer mais previsibilidade e transparência da autoridade monetária, como o forward guidance, pode ter sido positiva para ajustar as expectativas na parte intermediária da curva de juros.

 

Em outras palavras, o FG é um instrumento utilizado pelos bancos centrais com o objetivo de alinhar o curso da política monetária; contudo, um instrumento tal qual utilizado e testado em economias desenvolvidas, ou seja, um desafio para Banco Central, em que, nas próprias palavras do Copom “países emergentes são mais suscetíveis a contágio de crises externas e possuem maiores vulnerabilidades nos fundamentos econômicos”.

 

 

Nesse contexto, o comitê estimou os impactos da adoção do FG na curva de juros considerando a reunião finalizada no dia 5 de agosto de 2020, quando houve uma redução da taxa Selic para 2,00%. Como resultado, o comitê considera que a utilização do FG na referida reunião foi eficaz na estrutura a termo da taxa de juros; neste cenário, a expectativa da taxa de dois anos caiu de 3,42% a.a. para 3,30% a.a.

 

Entretanto, apesar dos resultados sugerirem que houve eficácia na utilização do instrumento, alguns pontos devem ser levados em conta, como, por exemplo, os riscos relacionados à questão fiscal do país assim como à pequena quantidade de observações. Além disso, não obstante à situação econômica e estatística, a literatura sobre a eficácia da adoção do FG ainda é restrita para as comunicações do Federal Reserve, Fed, frente à resposta da economia, além de mostrarem certa efetividade maior para a expectativa de juros, ou seja, um poder menor no estímulo econômico e na inflação.

 

Para concluir, pode-se sugerir que o resultado, a princípio positivo, indica uma primeira análise da adoção do forward guidance em um cenário atípico da atividade econômica assim como de incertezas futuras, do qual pode ter sido efetivo na sinalização do comprometimento público das referidas ações de política monetária.

Arte: Vinícius Martins / TC

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