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Mansano: Por que se preocupar com o Canal de Suez?

Postado por: TC Mover em 26/03/2021 às 17:56
Canal de Suez

São Paulo, 26 de março – Nada melhor do que fazermos escolhas no presente e sermos recompensados no futuro, embora isso envolva observar os impactos dos acontecimentos passados e a conjuntura atual, com o intuito de minimizar os riscos e potencializar os ganhos.

E, por que trago essa reflexão no primeiro parágrafo? Explico. Neste momento temos uma economia global em recuperação, que avança de acordo com o processo de vacinação. Neste contexto, espera-se um aumento do consumo por bens e serviços.

Assim, antes de entrar nas justificativas do título deste texto, preciso trazer um termo que para nós economistas é um princípio básico, a Lei da Oferta e da Demanda, a qual foi elaborada pelo pai da economia clássica, Adam Smith1, e que pelas suas forças determina o preço de um produto.

No ‘economês’ a curva de demanda é negativamente inclinada, pois um aumento do preço tem como efeito a diminuição da demanda pelos consumidores, enquanto a curva da oferta é positivamente inclinada, indicando que quanto maior o preço, maior a quantidade ofertada pelos vendedores. Assim, na lei econômica, o equilíbrio ocorre quando as duas curvas se cruzam, o que indica o preço do produto em que a oferta é igual à demanda.

Da teoria à prática, o que está acontecendo no momento é um bloqueio do Canal de Suez, uma das principais rotas de transporte de mercadorias, localizado no Egito, com 193 quilômetros, que conecta o Mar Mediterrâneo ao Mar Vermelho, onde passa cerca de US$10 bilhões em comércio todos os dias, sendo primordial para as cadeias de suprimentos em todo o mundo.

Frente ao fato, em um primeiro momento não acredito que uma interrupção de curto prazo tenha impacto significativo na conjuntura econômica global. Entretanto, o investidor precisa acompanhar essa questão, sobretudo porque relatórios na quinta-feira sugeriram que a resolução do bloqueio pode levar semanas.

Ou seja, no cenário atual levanto dois riscos: o primeiro é o canal como vital para as cadeias de abastecimento, como bens de consumo e seus componentes para fabricá-los, os quais estão ficando presos no canal. O efeito é que o bloqueio certamente vai influenciar a produção das empresas – com impacto potencial na lucratividade e, consequentemente, no preço das ações.

O segundo é a consequência do primeiro risco e reflete ao desequilíbrio entre oferta e demanda; em outras palavras, poderemos observar uma crise no lado da oferta, através da diminuição de commodities e de produtos frente a uma atividade econômica mundial aquecida, sendo refletida no aumento da demanda. Se essa confusão continuar, um resultado é quase garantido: inflação mais alta.

Por fim, acredito que o tema pode aumentar as preocupações futuras tanto para o mercado acionário como para o nosso bolso, com a inflação, as quais poderão ser refletidas no aumento da percepção de risco, encorajando investidores a vender seus ativos e impactando o preço das ações. Por isso, no decorrer dos dias, o investidor deverá acompanhar com atenção o desenrolar do canal de Suez.



[1] – Adam Smith é considerado o pai da economia moderna e sua principal obra é A riqueza das nações, publicada em 1776 em Londres.



Edição: Leandro Tavares e João Pedro Malar
Arte: Vinícius Martins

DISCLAIMER: As informações disponibilizadas na coluna são meramente opiniões da COLUNISTA na data em que foram expressas e não declarações de fatos ou recomendações para comprar, reter ou vender quaisquer títulos ou valores mobiliários, ou ainda, qualquer recomendação de investimento.


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