Mover

Mansano: Resultado do PIB indica recuperação do segundo semestre

Postado por: TC Mover em 04/03/2021 às 12:39

São Paulo, 4 de março – Temos um cenário para a economia brasileira de recuperação, observado especialmente no último trimestre do ano, com recuperação da atividade, do emprego formal, do crédito, assim como do investimento. Entretanto, os desafios para este ano concentram-se na sustentabilidade do crescimento econômico, em especial do primeiro trimestre, o qual dependerá especialmente do avanço da vacinação conjuntamente à manutenção da política monetária acomodatícia, o controle das contas públicas e a continuidade da agenda de reformas.


Serviços têm queda de 4,5% e puxam resultado negativo da economia em 2020

Neste contexto, a pandemia que atingiu o mundo em 2020 influenciou negativamente no desempenho das atividades econômicas, em especial do setor de serviços, com queda no ano de 4,5% no ano, com a maior influência negativa para as atividades do grupo “outros serviços”, que incluem os serviços prestados às famílias, como restaurantes, hotéis dentre outros. A queda desse subsetor foi de 12,1% no ano.

No agregado, a atividade econômica brasileira recuou 4,1% no ano . Neste contexto, o resultado foi influenciado pelo forte recuo da economia no primeiro semestre, porém, a retomada observada entre o terceiro e o quarto trimestre, representa que a recuperação foi consistente.


pib

Arte: Vinícius Martins / TC Mover



PIB cresce 3,2% no quarto trimestre com demanda forte por investimento privado

Dessa forma, o PIB do quarto trimestre na comparação interanual cresceu 3,2% e pelo lado da demanda, o destaque foi o investimento privado, com crescimento de 20%, representando uma taxa de investimento em relação ao PIB de 16,4%. Já pelo lado da oferta, o setor de serviços apresentou crescimento na margem de 2,7%, influenciado pela retomada dos serviços mais impactados e já citados, os que são prestados às famílias – o crescimento no último trimestre do ano foi de 6,8%. Por fim, a indústria avançou 1,9% em termos dessazonalizados, com avanço da indústria extrativa, alta de 1,3%.


Inflação volta aos holofotes, mas deve desacelerar em relação a 2020

Neste cenário, as preocupações com a inflação voltam aos holofotes e preocupam os investidores. Entretanto, minha expectativa para a inflação é que haja uma desaceleração na taxa em comparação a 2020, explicada pela menor pressão de preços administrados, como energia elétrica , além de um primeiro trimestre com atividade aquém do esperado, o qual deverá se traduzir em desaquecimento do consumo.

Por outro lado, os riscos estão no recente cenário de alta do preço das commodities somada à desvalorização cambial, assim como nos estímulos monetários que deverão continuar no primeiro semestre. Acredito que poderá ser observado um cenário inflacionário de curto prazo, que tende a normalizar no segundo semestre.

Por fim, o PIB apresentou melhora, mas é importante reconhecer que as incertezas econômicas continuam elevadas. Portanto, o avanço da imunização da população, assim como a sinalização com a responsabilidade fiscal serão fundamentais para a elevação da confiança, a retomada das atividades e o crescimento econômico.

Arte: Vinícius Martins / TC Mover

DISCLAIMER: As informações disponibilizadas na coluna são meramente opiniões da COLUNISTA na data em que foram expressas e não declarações de fatos ou recomendações para comprar, reter ou vender quaisquer títulos ou valores mobiliários, ou ainda, qualquer recomendação de investimento.


Leia também

Senado aprova texto principal da PEC Emergencial com gatilhos de Guedes

Yields dão trégua; Powell, Opep+ e Guedes são destaques: Espresso

Calendário Econômico: Opep, balanço, seguro-desemprego

Mover Pro

Informação, análises e ideias de investimentos 24/7

Saiba Mais