Mover

Mansano: Taxa neutra de juros e a relação com a atual política monetária do BC brasileiro

Postado por: TC Mover em 04/04/2021 às 14:59

São Paulo, 4 de abril – Após receber uma notificação no celular de manchete da TC Mover com a seguinte frase “BC não precisa chegar na taxa neutra nesse ciclo, diz Campos”, imediatamente pensei na necessidade de traduzir o que o presidente do Banco Central do Brasil quis dizer com isso. Daí a decisão de primeiro explicar o conceito de taxa de juros neutra, para depois entrar com as justificativas para a condução da política monetária.

Na literatura econômica, a taxa neutra de juros também conhecida como taxa de equilíbrio, foi mencionada pela primeira vez pelo economista sueco Knut Wicksell, que fundamentou que a política monetária é expansionista quando a taxa de juros real, ou seja, descontada pela inflação, está abaixo da taxa neutra e contracionista quando a taxa de juros real está acima.

E no mérito conceitual da taxa neutra, trago a definição do próprio BC em seu texto “Taxa de Juros de Equilíbrio1” na qual define a taxa neutra como “a taxa de juros consistente com o produto no seu nível potencial e taxa de inflação estável”. Em outras palavras, é a taxa de juros que permite o crescimento da economia e controla a inflação. Em seu último RTI – Relatório Trimestral de Inflação2, a autarquia estima que a taxa de juros real neutra é de 3,00% ao ano

Diante do conceito, temos um cenário econômico doméstico que de um lado apresenta uma taxa de desemprego de 14,2% e o setor produtivo, em especial o de serviços, o qual reflete de maneira negativa as medidas de isolamento social. De forma geral, os dados econômicos do primeiro trimestre do ano indicam que a economia brasileira requer estímulos3.

Neste ínterim, a frase do presidente do BC, Roberto Campos Neto, remete que poderemos observar a alta da taxa básica de juros Selic neste ano e no próximo, mas que ainda estará abaixo da taxa neutra. Não necessariamente a alta de juros significa uma política monetária contracionista, mas um ajuste de grau de estímulo extraordinário para a aproximação da taxa de equilíbrio, o que determina que o Banco Central siga com uma política expansionista.

Por fim, o balanço de riscos para o cenário indica uma economia que por ora requer estímulos econômicos, seja através dos instrumentos monetários assim como fiscais somados ao avanço da vacinação da população, para que, no futuro próximo, esteja preparada para uma retomada.



[1] – Texto publicado no Relatório de Inflação de setembro de 2010.
[2] – RTI, Relatório Trimestral de Inflação, Item 2, página 54.
[3] – Veja meu texto publicado no portal do TC sobre os desafios para a atividade econômica brasileira frente a pandemia do Covid-19.



Edição: Guillermo Parra-Bernal e Letícia Matsuura
Arte: Vinícius Martins / TC Mover


Leia também

As mais lidas da semana: IRB Brasil, Mills, IPO do cheque em branco

As mais lidas da semana: Cogna, entrevista com ministro Freitas, sustentabilidade

Sanita: Será que é a hora da reação de Valid (VLID3)?

Mover Pro

Informação, análises e ideias de investimentos 24/7

Saiba Mais