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Nogueira: Por que o Bitcoin só valoriza?

Postado por: TC Mover em 11/05/2021 às 18:34
Motivos para alta do Bitcoin

A valorização do Bitcoin causa espanto nas pessoas que não estão acostumadas à volatilidade do mercado das criptomoedas. Desde o início de 2020, o seu preço valorizou cerca de 678%, ao sair dos US$7,2 mil para os US$56 mil atuais.

Isso acontece porque a criptomoeda é dotada de algumas características específicas que a fazem se destacar cada vez mais no mercado global, em especial nos tempos de crises. Essa situação fica clara ao analisar o histórico de preços do Bitcoin.


Alta do Bitcoin

Cotação do histórica do Bitcoin (CoinMarketCap)


Por vários anos, o preço da criptomoeda ficou próximo a zero. Depois, houve um crescimento lento, até a explosão de preços em 2017, quando o ativo chegou próximo aos US$20 mil. Na sequência, o Bitcoin caiu novamente, para então disparar no final de 2020 e alcançar um recorde de US$64,8 mil em 2021.

Apesar disso tudo, é relativamente simples entender por que o preço da moeda não para de subir: aqui, são apresentados os cinco grandes motivos que levam o Bitcoin a continuar valorizando ao longo do tempo.


Alta do Bitcoin

Emissão de dólares pelo FED, o Banco Central dos EUA (Reddit)


Razão 1 – Emissão Limitada

As moedas fiduciárias como o Real, o Dólar e o Euro são emitidas por Bancos Centrais, cuja administração é sempre ligada ao governo de cada país.

Nesse sentido, a regra do jogo é a da impressão de dinheiro de forma relativamente contínua pelos governos no decorrer dos anos. Ainda há algumas situações nas quais esses governos decidem injetar mais dinheiro na economia, como é o caso da pandemia provocada pela Covid-19.

Contudo, independente das razões que levam os países a emitirem mais moeda, uma coisa é certa: imprimir dinheiro causa inflação. A inflação é o aumento contínuo e generalizado dos preços. Em outras palavras, isso significa que o dinheiro tende a perder valor ao longo do tempo.

Porém, o Bitcoin é programado para ter uma emissão limitada a 21 milhões de moedas. Desse montante, cerca de 18,7 milhões, ou 89% do total, já foram minerados desde a sua criação, em 2009. Além disso, a emissão do Bitcoin é reduzida pela metade a cada 4 anos, num fenômeno conhecido como halving. Assim, há cada vez menos Bitcoins sendo minerados, ao mesmo tempo que o interesse pela moeda só aumenta.

Por isso, o Bitcoin é um ativo deflacionário: ele ganha valor com o tempo, ao contrário do Real, que apenas perde valor com o passar dos anos.


Razão 2 – Descentralização

O Bitcoin é um ativo descentralizado, o que significa que a sua existência não depende de uma instituição como o Banco Central. Pelo contrário: a moeda existe numa rede cada vez maior de computadores ao redor do mundo e para a qual qualquer pessoa pode contribuir.

Com a descentralização, o Bitcoin fica imune aos desejos de qualquer entidade, incluindo os governos, as instituições financeiras e os bancos centrais. Logo, não é possível que um indivíduo ordene mais ou menos emissão da moeda, já que isso acontece de acordo com um código inalterável e escrito há mais de dez anos.

Como a criptomoeda não depende de vontades, favores ou segundas intenções, ela consegue superar as dificuldades enfrentadas pelas moedas tradicionais.

A descentralização gera confiança nas pessoas, principalmente quando a outra opção é depender de instituições centralizadas e possivelmente lideradas por interesses escusos. A confiança é fundamental para o valor de qualquer ativo, o que justifica a valorização crescente do Bitcoin.


Razão 3 – Desvalorização e Inflação

O real teve o pior desempenho entre as 30 principais moedas do globo quando comparado ao dólar, em 2020. Isso aconteceu por uma conjuntura de fatores político-econômicos, mas a realidade é inevitável: quando o real desvaloriza, o dinheiro dos brasileiros vale menos.

O Brasil participa de uma economia globalizada, sendo que muitos dos produtos e dos insumos usados aqui são produzidos em outros países. Como o dólar é a moeda-padrão do comércio internacional, diversos produtos ficam mais caros quando o real desvaloriza.

Esse fenômeno ficou evidente na pandemia, quando os preços de vários produtos nos mercados brasileiros dispararam.

A desvalorização da moeda também está intimamente associada à inflação, que, como foi visto, é o aumento contínuo e generalizado dos preços. Isso acontece em todos os países do mundo, mas é um problema que atinge os países em desenvolvimento com mais impacto, como é o caso do Brasil.

Aqui, a desvalorização e a inflação causam a perda do poder de compra dos brasileiros. Assim, na prática, as pessoas ficam mais pobres.

Essa situação ficou evidente em outubro de 2020, quando o Bitcoin atingiu o seu recorde nominal de preços em real, ao chegar nos R$70mil. Porém, em dólar, a criptomoeda estava cotada em US$12 mil, muito distante do recorde de US$20 mil estabelecido em 2017.

O que aconteceu? Simples: a inflação e a desvalorização do real fizeram com que o recorde do Bitcoin fosse batido de maneira artificial no Brasil. Na realidade, isso só comprovou que a nossa moeda estava bastante desvalorizada em relação ao dólar.

Porém é possível se proteger desse problema investindo em ativos internacionais, como é o caso do Bitcoin.

Essa verdade vale para qualquer ativo estrangeiro ou que seja cotado em dólar. Dessa maneira, quando o dólar sobe, quem possui investimentos dolarizados se beneficia do fenômeno e não vê o valor dos seus ativos se esvair.

Por isso, os turcos, os venezuelanos e os argentinos têm adotado o Bitcoin de forma crescente. Os três países são afligidos pela inflação elevada, o que torna a criptomoeda uma fuga ideal para os investidores preocupados em proteger o seu patrimônio.


Alta do Bitcoin

Matéria do Estadão sobre a compra de Bitcoin pela Tesla (O Estado de São Paulo)


Razão 4- Adoção crescente

O grupo dos entusiastas do Bitcoin começou pequeno, focado em alguns poucos nerds que discutiam sobre a criptomoeda no fórum BitcoinTalk. Aliás, esse site é recheado de histórias de pessoas que trocaram milhares de Bitcoins por pizzas e outros itens mundanos quando a moeda não valia quase nada.

Porém, tudo começou a mudar mais ou menos a partir de 2013, quando diversas exchanges de criptomoedas surgiram para facilitar o comércio desses ativos.

Com o aumento do número de corretoras, o Bitcoin começou a se disseminar entre entusiastas do mercado financeiro que viram valor no ativo. A moeda foi quebrando barreiras: a dos US$10, a dos US$100, a dos US$1 mil… Até se tornar o que é hoje.

Esse fenômeno começou entre os investidores de varejo, ou seja, nas pessoas comuns que negociam o Bitcoin. Porém, com o crescimento dos preços, o criptoativo começou a chamar a atenção dos investidores institucionais e das baleias do mercado financeiro.

Atualmente, o Bitcoin está se espalhando entre os investidores de todo o mundo. Recentemente, uma pesquisa realizada pela corretora Gemini mostrou que 14% dos americanos investem ou já investiram em criptomoedas. Esse é um número elevado e, provavelmente, é muito superior à maioria do que acontece nos outros países.

Mesmo assim, estendendo a projeção para o globo, é possível estimar que, no máximo, 1,09 bilhão das 7,79 bilhões de pessoas existentes no planeta investem em criptomoedas. Esse é um chute extremamente otimista. Desse modo, 86% da população do planeta, no mínimo, ainda não comprou Bitcoin.

Nessa linha, quando uma parcela maior da população mundial se der conta dos benefícios de utilizar o Bitcoin, é muito provável que o seu valor aumente, tendo em vista que a demanda aumentará e a oferta de BTCs continuará fixa.

Além disso, há várias empresas de grande porte que estão alocando recursos nas criptomoedas, como a Tesla, a Microstrategy, a Square, entre outras. A diferença, aqui, reside no fato de que essas empresas costumam comprar grandes somas de Bitcoin, o que retira as moedas de circulação e faz o seu preço aumentar ainda mais, tendo em vista o excesso de demanda e a pouca oferta.


Razão 5 – Especulação Financeira

Não há como negar: boa parte da valorização alcançada pelo Bitcoin provém de mera especulação financeira. Isso significa que uma grande parte das pessoas que colocam dinheiro na criptomoedas são especuladores e estão preocupadas apenas em fazer dinheiro.

Essa é uma situação comum no mercado de ações, no qual o preço das ações também é movimentado, em boa parte, por especuladores. Apesar disso, a especulação não é um problema em si. Mesmo que o preço aumente por conta dela, aqueles que acreditam no potencial da moeda também são beneficiados por isso.

No final das contas, a especulação mostra que há várias pessoas que acreditam na valorização futura do Bitcoin, seja por qual motivo for.


Conclusões

O Bitcoin veio para ficar, ao contrário do que indicam os seus críticos. Isso não vale para todas as moedas, já que boa parte delas não apresenta os mesmo fundamentos sólidos do Bitcoin.

De toda forma, investir nessa criptomoeda é uma das melhores maneiras de proteger o próprio patrimônio contra a desvalorização das moedas fiduciárias. Essa é uma realidade especial no Brasil, cujo real tem apresentado um desempenho excepcionalmente ruim frente ao dólar, quando comparado a outras moedas.

Com a chegada de novos investidores institucionais e de varejo, o preço do Bitcoin tende apenas a subir. Além disso, os halvings, que são os cortes na emissão de novas moedas, bem como a limitação de 21 milhões de unidades, trabalham em favor da valorização futura dos preços.

Arte: Vinícius Martins / TC Mover

DISCLAIMER: As informações disponibilizadas na coluna são meramente opiniões do COLUNISTA na data em que foram expressas e não declarações de fatos ou recomendações para comprar, reter ou vender quaisquer títulos ou valores mobiliários, ou ainda, qualquer recomendação de investimento.


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