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Oposição pode ser fiel da balança na eleição e pauta da Câmara

Postado por: TC Mover em 10/12/2020 às 17:48

Brasília, 11 de dezembro – A oposição será decisiva para eleger o sucessor do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, mas o principal beneficiado com uma eventual decisão antecipada, sobretudo do PT, será o candidato do Centrão, deputado Arthur Lira, que chegará a 275 votos em potencial. E o apoio do partido é cada dia mais possível, segundo fontes do Congresso ouvidas pela Folha de S.Paulo.

Lira se lançou nesta quarta-feira ao cargo e parte com 178 votos, incluindo a maioria na bancada do PSB, que foi o primeiro partido de oposição a aderir. O próprio candidato assegura já ter consigo o PTB e, nos próximos dias, é esperado que o PR declare sua adesão, de acordo com a XP Política, levando o líder do Centrão a 221 deputados. Se tiver apoio dos 54 petistas, estaria tecnicamente eleito com significativa vantagem sobre o mínimo necessário de 257 votos. 

Já o bloco de aliados de Maia, lançado na mesma quarta, alcançará somente 248 votos se conseguir uma aliança com os petistas, nove a menos que o exigido para vencer. E apenas se entre a esquerda conseguir fazer também uma aliança com o PC do B, o que é possível pela estreita relação que a legenda possui com o deputado fluminense, e com o PDT, devido à aproximação entre o presidente da Câmara e o ex-governador do Ceará, Ciro Gomes, com vistas às eleições de 2022

Porém, o MDB, que compõe o bloco, rachou entre os que defendem um candidato independente do governo e quem prefere compor com Lira, pois há pressão interna para priorizar a sucessão no Senado.

A eleição não é simplesmente matemática e traições não surpreendem ninguém na capital federal. Contudo, o mapa de votos por bancadas, em tese definidas, ajuda a projetar os resultados. Aditivado com o afrodisíaco da máquina do governo, Lira começa a ser visto como uma possibilidade real de poder maior do que Maia, um fator importante para arrastar apoios e dissidências. Principalmente porque promete respeitar a proporcionalidade das bancadas, como em comissões, e a autonomia dos relatores de projetos.

Ao discursar no lançamento de sua candidatura, Lira, que passou a ser visto pela equipe econômica como o mais alinhado à agenda de reformas, prometeu manter o Teto de Gastos. No entanto, não se deve esquecer que reside na base aliada a maior pressão interna para contornar regras fiscais e prolongar estímulos.

Como o PT e parcela da oposição se somariam a estes ingredientes será a grande dúvida. Será que o centro conseguirá se reunificar após a disputa do Congresso para comandar uma pauta econômica liberal e, pior, talvez em um cenário de crescimento ou de segunda onda de contágio da Covid-19?

Agenda – O Senado fará esforço concentrado para votar autoridades de agências reguladoras e há possibilidade para a Proposta de Emenda à Constituição Emergencial. A Câmara pode começar a analisar a Reforma Tributária e votar projetos como o novo Plano Mansueto e o que desvincula recursos de fundos. Há chance para a proposta de autonomia do Banco Central. No Congresso, a Lei de Diretrizes Orçamentárias está prevista para quarta-feira, assim como os vetos ao Marco do Saneamento. No Supremo Tribunal Federal, atenção para julgamentos sobre a obrigatoriedade de vacinas e planos de imunização contra a Covid-19. Risco fiscal, retomada econômica são pontos em comum.

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