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Uma vitória de Biden deve impactar fusões e os fundos de private equity nos EUA

Postado por: TC Mover em 01/11/2020 às 11:06

Será que Joe Biden é mesmo tão ruim quanto dizem por aí? Entre banqueiros e gestores de fundos de participação em empresas privadas, assim como entre advogados que trabalham em transações no mercado de capitais, a resposta é sim. 

 

O motivo principal é que Biden promete escrutinizar fusões e aquisições que agreguem mais poder de mercado a conglomerados poderosos, aumentar a alíquota de impostos corporativos, fomentar novas regulamentações em setores estratégicos e inserir os Estados Unidos na onda verde. 

 

Mas, será que Biden consegue fazer tudo isso sem maior resistência? Minha opinião é que não. Contudo, ele pode gerar bastante ruído – especialmente depois de um ano conturbadíssimo em que as atividades de fusões nos EUA tiveram seu pior desempenho desde a Crise Financeira de 2008. 

 

Há a percepção, entre banqueiros de investimento que consultei dias antes da eleição americana de 3 de novembro, de que Biden vai ganhar e que, assim que for confirmada essa vitória, seu maior objetivo será irritar os ricaços de Wall Street. As pesquisas mostram que Biden tem vantagem, mas não se descarta a possibilidade de uma eleição contestada. 

 

Há chance altíssima de que um Senado liderado pelo Partido Democrata, de Biden, aumente a taxa de imposto de renda para empresas de 21% para 28% nos próximos dois anos. Se o Partido Republicano, do atual presidente Donald Trump, mantiver o controle do Senado, a chance de maiores impostos cai dramaticamente. 

 

A mudança prejudicaria principalmente os retornos dos fundos de participação, como são conhecidos no Brasil as empresas de private equity, cujos lucros são tributados como ganhos de capital. A luta entre os democratas e o setor, que inclui gigantes como Blackstone, Carlyle e KKR, se estende por mais de uma década. 

 

Ao não conseguir se desfazer de ativos prontos para a venda antes do final do ano, os fundos se veriam obrigados a pagar quase o dobro de imposto sobre os ganhos de capital. 

 

Biden quer aumentar as alíquotas sobre ganhos de capital de longo prazo e impostos sobre dividendos para quase 40%, usando como base a receita anual acima de US$ 1 milhão. Atualmente está em 20%. Trump, pelo contrário, quer cortar ainda mais essas alíquotas. 

 

Há implicações mais profundas de uma vitória de Biden para quem fica de olho nas fusões para operar ativos nos EUA, disseram esses banqueiros. 

 

Por exemplo, a corrida para vender alguns tipos de ativos antes do final do ano para evitar o aumento de impostos vai acelerar. Como Biden se apresenta como um candidato que deve proteger o meio ambiente, melhorar as relações comerciais e diplomáticas americanas e subsidiar o setor real, muitos empresários e fundos de investimento preferem sair de setores alvo de novas regulações com um deságio – porque isso também resulta em uma menor base impositiva.

 

As empresas de tecnologia de grande porte, cujas ações estão sofrendo com quedas atualmente, assim como de assistência médica podem ser alvo de mais escrutínio antitruste. 

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