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Vieira: Bolsonaro não é pato manco e faz política de resultados

Postado por: TC Mover em 05/02/2021 às 7:00
Bolsonaro

Brasília, 5 de fevereiro – Um impeachment do presidente Jair Bolsonaro, assim como um rompimento dele com os compromissos que firmou em torno de uma agenda de austeridade e reformas, são cantados desde antes de sua posse. Porém nada disso aconteceu até aqui, apesar da pandemia e, entre 2019 e 2020, da recusa em montar uma base aliada.

Mesmo assim, o Planalto conseguiu aprovar a Reforma da Previdência, os novos marcos das Telecomunicações e do Saneamento Básico, deixando engatilhados os do Gás, Cabotagem, além do projeto de autonomia do Banco Central. Estes, à espera da palavra final de uma das Casas do Congresso. E o Executivo, no contexto hodierno, continua reiterando respeito ao Teto e a agenda fiscal e reformista.

Perto de sofrer um impeachment em meados do ano passado, por esticar demais a corda dos Freios e Contrapesos, Bolsonaro aceitou enfim estabelecer uma aliança com o Centrão. Teria sido sua rendição ao Jogo de Brasília. De um ponto de vista, o entendimento realmente salvou o mandato presidencial, mas este raciocínio tem outras miradas possíveis.

Uma delas é a de que Bolsonaro primeiro garantiu uma boa mobilização de seu eleitorado fiel para deixar claro que quem tentasse derrubá-lo não teria vida fácil, depois tratou de se preparar para chegar à antessala de 2022 em condições de entregar algum equilíbrio fiscal, apesar da crise do coronavírus, um benefício social moderado, mas acolhedor, e ter em torno de sua reeleição um bloco que agrega cerca de 2000 prefeitos e reaglutinou o centro político na Câmara, ao eleger Arthur Lira presidente com estonteantes 302 votos.

Entre o presidente e o Centrão existe uma cooperação, e não uma relação de refém. O primeiro é o veículo que pode levar o bloco a deixar de ser somente um fornecedor de estrutura para campanhas e votos para sustentar mandatários do Executivo, e se tornar a força hegemônica do centro, depois de anos nas sombras de legendas como MDB, PSDB e DEM. O segundo garante ao presidente o status de comandar uma coalizão de centro-direita conservadora.

Sim, porque se é verdade que o pragmatismo do Centrão não permitirá um desvio do governo ao extremismo, também o é que o bloco sabe que a retórica bolsonarista segue a render votos em largas parcelas da população, até aquela crítica pontualmente ao Planalto por casos como das “rachadinhas” ou declarações contra o isolamento social.

Como uma das maiores referências do centro nos dois anos passados, o deputado Rodrigo Maia movimentou sua influência para levar liberais ao colo da esquerda, com vistas a uma frente de oposição a Bolsonaro no ano que vem. Naufragou ao perder de muito para Arthur Lira por estonteantes 302 votos. Na verdade, o afilhado político de Maia, Baleia Rossi.

Em seu discurso de despedida do comando da Câmara, Maia reivindicou o legado de os deputados terem aumentado o valor do auxílio emergencial, também conhecido como coronavoucher, para R$600 e permitido gastos excepcionais em Saúde no Orçamento de Guerra. Ou seja, no frigir dos ovos, quem ainda se mantém na trincheira da austeridade também é Bolsonaro.

Como se vê, Bolsonaro está longe, neste momento, de ser um pato manco. Está fazendo política de resultados.

Arte: Vinícius Martins/TC Mover

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