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Vieira: Centrão quer pragmatismo de Bolsonaro

Postado por: TC Mover em 18/03/2021 às 7:00
Bolsonaro

Brasília, 18 de março – Sem adotar um novo discurso sobre a pandemia e pragmatismo sobre a vacinação, o presidente Jair Bolsonaro pode perder apoio e inviabilizar a reeleição em 2022. Porém, isso não quer dizer que o mandato e a agenda econômica estejam sob ameaça. O que o bloco do Centrão quer, asseguram fontes que ouvimos, é que o presidente se engaje em resolver a vacinação para viabilizar uma aliança de centro-direita no próximo ano.

Nesta terça-feira, Bolsonaro anunciou o presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia, Marcelo Queiroga, no lugar de Eduardo Pazuello no Ministério da Saúde. A indicação, de acordo com a Folha de S. Paulo, teve a aprovação dos secretários estaduais de Saúde, em um momento em que vários estados endureceram medidas de restrições a contragosto do chefe do Poder Executivo. Em entrevista à CNN Brasil, o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros, apontou o trânsito no Congresso e o que chamou de boa articulação política de Queiroga como pontos positivos do novo gestor.

Os próximos dias mostrarão se Queiroga dará conta ou não de sanar as falhas e atrasos na imunização, mas o fato é que a troca indica vontade política de Bolsonaro de estar sintonizado com o clima dos congressistas em acelerar a vacinação. Agências, no entanto, dizem que o nome teria desagradado o Centrão, e que isso pode atrapalhar a relação com o Congresso.

Não é o que a pauta legislativa permite avaliar. Na última quarta-feira, os deputados aprovaram o Marco do Gás de maneira antecipada. A restituição do texto original apoiado pela equipe econômica não aponta para uma crise. O mesmo pode se dizer da iminente manutenção dos vetos do Marco do Saneamento pela Câmara, onde o presidente Arthur Lira tem comandado votações com mais de 300 votos favoráveis a matérias da agenda econômica.

Aos trancos e barrancos, Bolsonaro segue garantindo a agenda do ministro da Economia, Paulo Guedes, até nos momentos decisivos, como Guedes declarou após superada a ameaça de que a Proposta de Emenda à Constituição Emergencial, PEC Emergencial, fosse desfigurada. E nisso, Lira tem sido aliado estratégico, assim como, à moda conciliadora mineira, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco.

Pesquisa do Instituto Datafolha divulgada ontem aponta que 54,00% dos entrevistados avaliam como ruim ou péssimo o desempenho do presidente na gestão da crise do coronavírus. O presidente também é visto como o principal culpado pela situação da pandemia para 43,00%.

Para Barros, a visão liberal será um diferencial entre Bolsonaro e uma eventual candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2022. Só que esta polarização precisará ser feita sem que ele esteja gravemente vulnerável ao discurso de alto apelo sobre suas responsabilidades em relação à tragédia e aos efeitos da Covid-19. Time is politics.

Arte: Vinícius Martins / TC Mover

DISCLAIMER: As informações disponibilizadas na coluna são meramente opiniões do COLUNISTA na data em que foram expressas e não declarações de fatos ou recomendações para comprar, reter ou vender quaisquer títulos ou valores mobiliários, ou ainda, qualquer recomendação de investimento.


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