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Vieira: Haverá ‘dia seguinte’ a 7 de setembro, com foco na economia

Postado por: TC Mover em 06/09/2021 às 15:54
7 de setembro e a pauta econômica

Haverá um dia seguinte às manifestações pró-governo marcadas para o 7 de setembro, Dia da Independência. O presidente Jair Bolsonaro deve saber que ele será tomado por negociações em torno dos precatórios, do destravamento de um novo programa social no orçamento, do controle do câmbio e da inflação. Além da redução de danos da crise hídrica, que já antecipa riscos de desabastecimento e apagão.

Todos esses motivos pesam sobre a popularidade do presidente, influenciam os rumos de sua competitividade para 2022 e ameaçam o apoio da elite econômica do país ao governo. É justamente por isso que a iniciativa do chefe do Executivo no Dia da Independência embute muito mais a busca de uma posição melhor na negociação política do que uma real intenção golpista.

Expectativa é de que presidente faça discurso mais brando no 7 de setembro

A expectativa no sistema político é de que Bolsonaro faça um discurso sem ataques diretos neste 7 de setembro, defendendo a Constituição – mesmo que à sua maneira. Além disso, espera-se que os protestos ocorram sem tumultos ou violência, com perfil semelhante a um ato pré-eleitoral. Os demais jogadores também precisam que o presidente recue para mostrar que também conquistaram algo.

Com predomínio do centro, seja governista ou da chamada terceira via, o Parlamento já dá sinais de que não vai se empenhar no progresso da pauta econômica enquanto o presidente, em paralelo e para proteger sua competitividade eleitoral, fustiga as instituições.

O principal efeito dos momentos que Bolsonaro alterna de maior e de menor tensão institucional não se dá sobre a diminuição do espaço democrático. Mas sim sobre a menor confiança no crescimento do país, causada pela impressão de que o Brasil está à beira de uma ruptura entre os Poderes. Essa visão impacta, por exemplo, no câmbio, nas taxas de juros e, portanto, na inflação para o consumidor.

A luta de Bolsonaro para manter seu piso eleitoral

O presidente da República peleja para manter um piso eleitoral capaz de mantê-lo no segundo turno das eleições do próximo ano. Ele também se empenha em estabelecer os limites para uma ofensiva do Judiciário contra seus filhos, sobretudo o vereador Carlos Bolsonaro, que está envolvido em apurações sobre supostas redes de notícias falsas. Bolsonaro ainda luta para afastar consequências de um relatório contundente contra si pela CPI da Covid. Contudo seu padrão aponta que, antes de um recuo, tentará demonstrar força.

Ainda que eventual e pontualmente as manifestações saiam do controle, o mercado deve cobrar a responsabilidade também dos demais atores institucionais. Parlamento e Supremo Tribunal Federal devem ser cobrados pelo controle fiscal e pelo avanço das reformas e privatizações, que extrapolam o interesse palaciano.

No plano político, como alertou o presidente da Câmara, Arthur Lira, apenas Bolsonaro perderá com tumultos, possivelmente vendo desidratar sua aliança para 2022 e uma provável reação mais dura do Judiciário, quando se encontra isolado nas pesquisas e com indicadores econômicos preocupantes.

Texto: Leopoldo Vieira
Arte: Vinícius Martins / Mover


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