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Vieira: Lira pode vencer no primeiro turno e reaproximar o centro

Postado por: TC Mover em 28/01/2021 às 7:00
Lira

Brasília, 28 de janeiro – A possível vitória do deputado Arthur Lira para o comando da Câmara ainda no primeiro turno, no próximo dia 1 de fevereiro, a partir de um racha na bancada do DEM e arrastando votos de legendas aliadas de Baleia Rossi desde as bancadas estaduais, antecipará uma reaproximação do centro em torno do governismo, tornando menos desfavorável o ambiente para a pauta econômica.

É o sonho de consumo do ministro da Economia, Paulo Guedes, cuja equipe, embora resista, tem pronto um plano de redução de beneficiários e valor pago por mais três meses no coronavoucher se não for possível segurar a pressão pela continuidade do auxílio emergencial.

Lira defende a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição Emergencial, conhecida como PEC Emergencial, e do Orçamento para 2021 antes de votar a criação de um novo benefício social. Recentemente, o parlamentar disse que o país não aguenta passar mais um ano sem o Teto de Gastos, que vai priorizar a Reforma Administrativa e espera votar o Orçamento já em fevereiro.

Lira também promete pautar a privatização da Eletrobras, o que, diante do quadro geral, com o favorito ao Senado, Rodrigo Pacheco, descartando a venda da companhia, é positivo, mesmo que dependa do acordo entre a maioria dos líderes partidários.

Com racha no DEM, Lira leva grande vantagem na eleição

Para o senador Ciro Nogueira, presidente do PP, e considerado um novo guru político em Brasília, pela proximidade com o presidente Jair Bolsonaro e pela costura da aliança com do Palácio do Planalto com o Centrão, “a eleição está resolvida” e Lira deve vencê-la com mais de 300 votos, enquanto Rossi, na avaliação de Nogueira, não passará de 150. A Eurasia Group também projeta que o homem-forte do Centrão será o sucessor de Rodrigo Maia.

Segundo cálculos que circulam na capital federal, entre 11 e 18 deputados do DEM já afirmam que votarão em Lira, o que abriu uma crise entre o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e o presidente da legenda, ACM Neto. De acordo com um empresário preocupado com a divisão, Maia alertou ACM Neto que a sigla pode acabar conhecida como “partido da boquinha” e tem cobrado punição a eventuais dissidentes, do que o ex-prefeito de Salvador discorda.

A crise é tão grande que deputados do PSL têm dito que aguardam uma filiação de Maia ao partido, o que o parlamentar negou à imprensa. O problema é que o PSL havia sido anunciado adesão à candidatura de Rossi, mas acabou mudando a casaca para o nome governista.

A ligação de Maia ao ministro da Secretaria de Governo, Luiz Ramos, exigindo que não haja interferência da articulação política do governo no DEM soou como demonstração de fraqueza, conforme uma fonte da TC Mover.

Por ora, a bolsa de apostas na capital federal aponta Lira cerca de 230 a 259 apoios, quando são necessários 257 votos para vencer, e Rossi com entre 220 a 230. No Senado, Pacheco, para quem o Teto de Gastos não é intocável, continua marcando 41 votos, o suficiente para levar o comando da Casa. Mas Simone Tebet reage, avançando para entre 28 a 37 apoios.

Em relação à pauta econômica, ela promete discutir a reintrodução do auxílio emergencial com respeito ao Teto de Gastos, entretanto propondo mudanças na metodologia da regra fiscal. Tebet, que propõe prioridade à PEC Emergencial, destacou ao Estado de S. Paulo que o país não possui um cronograma claro de vacinação que possa apontar quando a atividade econômica será retomada sem ser ameaçada por novos fechamentos (lockdown).

Na terça-feira, Guedes voltou a defender a inclusão de um dispositivo para situações de calamidade nas PECs de ajuste fiscal, em uma iniciativa considerada por outra fonte como tentativa de não perder o controle da situação. Na quarta, o vice-presidente Hamilton Mourão disse defender a prorrogação do auxílio se houver corte de despesas e antecipou que o governo poderá ser reorganizado para acomodar o novo tabuleiro político que emergirá da disputa pelo comando do Congresso.

Se Lira vencer reunificando em torno de si alas de partidos centristas, do campo liberal, como DEM, MDB, PSDB et alii, é maior a chance de um ajuste fiscal diluído, que absorva um novo benefício social de impacto fiscal moderado e, por enquanto, garanta o cumprimento, ainda que precário, do Teto e Gastos.

Arte: Vinícius Martins/TC

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