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Bitcoin despenca com temor de proibição de criptomoedas na Índia

Postado por: TC Mover em 15/03/2021 às 10:32
Bitcoin

São Paulo, 15 de março – O Bitcoin registra sua pior queda em três semanas, refletindo temores de que a Índia, o segundo país mais populosos do mundo, proponha nos próximos dias uma lei que proíba as criptomoedas.


Governo indiano quer multar quem detenha ou negocie criptoativos, segundo Reuters

De acordo com a Reuters, que falou com uma alta fonte do governo indiano em condição de anonimato, o governo quer apresentar uma lei que multe qualquer pessoa que negocie no país ou mesmo detenha Bitcoin e outros ativos digitais.

O plano assesta um golpe potencial para milhões de investidores que já têm investimentos em Bitcoin e as outras criptomoedas ou que planejam entrar na classe de ativo. O projeto de lei criminalizaria a posse, emissão, mineração, comércio e transferência de criptoativos, disse o funcionário à Reuters.


Plano divulgado em janeiro bania Bitcoin durante estruturação de moeda digital oficial da Índia

A medida é congruente com um plano divulgado inicialmente em janeiro, que exigia o banimento de moedas virtuais privadas, como o Bitcoin, durante a construção de uma estrutura para uma moeda digital oficial no país.

O Bitcoin despencava 7,10% a US$56.110 por volta das 07h30. A moeda chegou a tocar quase US$61.800 no sábado, quando atingiu recorde histórico na esteira de maior fluxo de entrada no ativo por investidores institucionais. As autoridades estão confiantes na aprovação do projeto de lei, já que o governo do primeiro-ministro indiano Narendra Modi detém uma maioria confortável no Parlamento.


Parcerias e apoio de Elon Musk impulsionaram criptomoedas

As moedas virtuais haviam ganhado força com parcerias importantes, como o BNY Mellon e a Apple. Além disso, alguns influenciadores digitais ajudaram as criptomoedas. O homem mais rico do mundo e emblemático empresário Elon Musk declarou diversas vezes em postagens em rede social apoio à Dogecoin, criptomoeda nascida de meme e brincadeiras. A Tesla, fabricante de carros elétricos de Musk, comprou US$1,5 bilhões de Bitcoin.

Em entrevista exclusiva para a TC Mover, o especialista em criptomoedas Paulo Boghosian disse que influenciadores, como Musk, Chamath Palihapitiya e Dave Portnoy, conduzem esse processo de apoio ao Bitcoin e outras moedas digitais “como se fosse um protesto contra o sistema financeiro tradicional”.


Riscos de investir em criptomoedas

Apesar da atratividade e de sua crescente demanda, o Bitcoin possui muita volatilidade, ou seja, sua cotação tem grandes flutuações em curtos períodos de tempo, parte do motivo de não ter decolado como meio de pagamento global. Além disso, os movimentos erráticos de mercado, a possibilidade de roubo de registros de criptomoedas por hackers e a suspeita de manipulação de mercado também fazem parte do risco do investimento.

Muitas operações envolvendo Bitcoin, entre outras criptomoedas, são realizadas de forma não regulamentada, com riscos operacionais e regulatórios. É possível encontrar diversos casos em que o dinheiro simplesmente some, é roubado por um hacker ou o investidor sofre um golpe financeiro.

Por outro lado, o risco de controle do Bitcoin por meio do governo com medidas regulatórias ao passo que as criptomoedas ganham notoriedade pode afastar investidores.


Depreciação do dólar ajuda o Bitcoin a decolar

A depreciação do dólar no exterior diante de outras moedas favorece o Bitcoin, visto como uma alternativa para proteção do valor real do dinheiro. Assim, em caso de uma forte alta da inflação nos países desenvolvidos, que desvalorizaria as moedas, as criptomoedas se valorizariam.

A alta do dólar em relação ao real, por sua vez, amplia essa alta global do Bitcoin no Brasil. A principal razão para a alta expressiva do Bitcoin é o aumento dos investimentos em criptomoedas por parte de empresas, afirma Beibei Liu, presidente da NovaDAX, bolsa das moedas digitais.

Fabrício Tota, diretor da Mercado Bitcoin, considera que, mesmo com o crescimento dos investimentos, o Bitcoin continuará com alta volatilidade. Mas a tendência, segundo ele, é que a alta na adesão transforme a criptomoeda em um ativo convencional no futuro. Confira a entrevista exclusiva de Tota à TC Mover.


O que é Bitcoin?

O Bitcoin foi criado em 2009, sendo a primeira criptomoeda. A moeda virtual foi criada para o envio e recebimento de valores online sem limitações de território ou quantia. Ela pode ser usada também como reserva de valor e é independente do atual mercado financeiro. Para entender mais, leia o artigo sobre Bitcoin da TC School.

Texto: Guillermo Parra-Bernal
Edição: Gustavo Boldrini e Letícia Matsuura
Arte: TC Mover


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