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Especial: Criptomoedas disparam com apoio de Elon Musk

Postado por: TC Mover em 08/02/2021 às 19:24
criptomoedas

São Paulo, 8 de fevereiro – O Bitcoin disparou hoje no exterior e superou a marca de US$44 mil após a Tesla, fabricante americana de carros elétricos do controverso empresário Elon Musk, anunciar hoje que comprou US$1,5 bilhões em Bitcoin e que vai passar a aceitar a moeda digital. No Brasil, a pioneira das criptomoedas chegou a ser negociada a R$238 mil.

Musk já havia puxado a alta de cerca de 30% do Dogecoin, criptomoeda nascida de brincadeira da internet, na semana passada, após uma série de postagens em rede social defendendo a moeda digital, movimento que continua neste começo de semana. Hoje, o Doge tocou US$0,08, subindo 33% no exterior. Já aqui, a criptomoeda foi cotada a R$$0,44.



Dogecoin é moeda de protesto contra o sistema financeiro tradicional, diz especialista

A alta das criptomoedas acompanha o processo de desvalorização do dólar e de outras moedas tradicionais diante da explosão dos déficits fiscais e das dívidas dos países para combater o coronavírus. Para o especialista em criptomoedas Paulo Boghosian, celebridades e influenciadores digitais, como Musk, Chamath Palihapitiya e Dave Portnoy, conduzem esse processo de apoio “como se fosse um protesto contra o sistema financeiro tradicional”. A desconfiança com o sistema atual é apontada como motivo para investir em criptomoedas por 38% dos investidores que participaram da pesquisa da Binance Research.

A Dogecoin, por sinal, também pode ser considerada uma moeda de protesto pela liberdade financeira das pessoas físicas, segundo Boghosian, mas o ativo está em ascensão. “É possível que especuladores façam com que a Dogecoin se aprecie muito, dobre de valor, mas não dá para levar à sério uma moeda que é um meme, que não tem valor”, explica.

As políticas monetárias e as crises sanitárias, como do coronavírus, impactam nas criptomoedas, afirma Boghosian. “A impressão desenfreada de moeda que gera uma perda de poder de compra das moedas fiduciárias e faz com que o Bitcoin seja uma boa reserva de valor”. Ele “é descentralizado, dá maior soberania aos indivíduos, preserva valor a longo prazo e é a classe de ativos mais descorrelacionada do sistema financeiro tradicional”.

Sardinhas podem valorizar criptomoedas no curto prazo, aponta Boghosian

A chamada Revolta dos Sardinhas, na qual pequenos investidores pessoas físicas tentam puxar preços de ativos pouco apreciados por grandes fundos, pressiona os órgãos regulatórios para novas regras de alavancagem. Quando os pequenos investidores olharem para as criptomoedas, haverá uma nova explosão, disse Boghosian.

“Eu acho que tem potencial no curto prazo de valorizar, e muito, as criptomoedas. (…) Mas, no médio-longo prazo, isso vai atrair mais o olhar do regulador também para os mercados de criptomoedas”, avalia.

Riscos de investir em criptomoedas

Apesar da atratividade e da crescente demanda, as criptomoedas possuem muita volatilidade, ou seja, as cotações têm grandes flutuações em curtos períodos de tempo, parte do motivo de o Bitcoin ainda não ter decolado como meio de pagamento global.

Além disso, os movimentos erráticos de mercado, a possibilidade de roubo de registros de criptomoedas por hackers e a suspeita de manipulação de mercado também fazem parte do risco do investimento.

Muitas operações envolvendo criptomoedas são realizadas de forma não regulamentada, com riscos operacionais e regulatórios. É possível encontrar casos em que o dinheiro simplesmente some, é roubado por um hacker ou o investidor sofre um golpe financeiro, embora o risco de o Bitcoin ser atacado seja baixo.

Por outro lado, o risco de controle da moeda por meio do governo com medidas regulatórias ao passo que as criptomoedas ganham notoriedade pode afastar investidores.

Depreciação do dólar ajuda o Bitcoin a decolar

A depreciação do dólar no exterior, inclusive diante de outras moedas como o euro, por conta do forte aumento do déficit público americano com os gastos para conter o coronavírus, favorecem as criptomoedas. Elas são vistas como uma alternativa para proteção do valor real do dinheiro. Assim, em caso de uma forte alta da inflação nos países desenvolvidos, que desvalorizaria as moedas, as criptomoedas se valorizariam.

A alta do dólar em relação ao real, por sua vez, amplia essa alta global do Bitcoin no Brasil. A principal razão para a alta expressiva do Bitcoin é o aumento dos investimentos em criptomoedas por parte de empresas, afirma Beibei Liu, presidente da NovaDAX, bolsa das moedas digitais.

Fabrício Tota, diretor da Mercado Bitcoin, considera que, mesmo com o crescimento dos investimentos, o Bitcoin continuará com alta volatilidade. Mas a tendência, segundo ele, é que a alta na adesão transforme a criptomoeda em um ativo convencional no futuro. Confira a entrevista exclusiva de Tota à TC Mover.

Texto: Letícia Matsuura
Edição: Angelo Pavini
Arte: Vinícius Martins/TC Mover


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