Rio Branco Alimentos

A Rio Branco Alimentos, que atua sobre o nome fantasia Pif Paf, se declara como uma das maiores companhias brasileiras em vendas líquidas do segmento alimentício de frango e suínos, de acordo com o ranking elaborado pela Exame relacionado ao Agronegócio. Sua atuação é voltada para a comercialização de alimentos processados, com foco em proteína animal.

Neste texto, buscaremos compreender melhor o Rio Branco Alimentos, elencando os seguintes pontos:

  1. História da Rio Branco Alimentos;
  2. O que faz a Rio Branco e seu Modelo de Negócios;
  3. Governança Corporativa;
  4. Gráfico das Ações na Bolsa de Valores; e
  5. Como analisar a empresa.

História da Rio Branco Alimentos

A Rio Branco surgiu em 1968 no Rio de Janeiro ainda como Pif Paf, a partir do Sr. Avelino Costa, que buscava possuir um abatedouro de aves na cidade. O negócio que havia iniciado exclusivamente como um abatedouro fornecedor de produtos in natura com baixo valor agregado, de pouca diversidade e voltado ao mercado local, foi realizando uma série de reformas ao longo das décadas para se firmar no patamar de mercado atual.

A primeira dessas “reformas” teve início na década de 1970, quando a companhia abriu uma unidade fabril localizada na cidade de Visconde do Rio Branco, Minas Gerais. Com a consolidação dessa operação em pouco tempo, já em na década de 80 a Pif Paf deu início às exportações de carne congelada para o Oriente Médio. O que, demandou uma nova unidade fabril no estado de Minas, agora localizada na cidade de Viçosa.

Com a virada do milênio nos anos 2000, a modernização dos parques industriais localizados em Minas já não eram mais suficientes para o patamar operacional que a companhia se projetava, isso porque, a Pif Paf passou a ser um grande player do mercado de comidas prontas no país a partir da incorporação em seu portfólio de massas congeladas como lasanha, pratos congelados, pizzas e afins. Tudo isso demandou uma nova unidade fabril em Minas, agora em Leopoldina, com dedicação exclusiva às massas.

Essa entrada no segmento de massas congeladas pode ser considerada a chave para a transformação do modelo de negócios da companhia, pois, daí em diante a Pif Paf se transforma na Rio Branco Alimentos, saindo de um abatedouro de aves para uma empresa com um portfólio de produtos alimentícios bastante diversificado e com produtos de alto valor agregado.

A última movimentação marcante da companhia foi o lançamento da marca Pescanobre, uma rede de vendas de pescados, evidenciando a estratégia de diversificação da Rio Branco. Até os dias atuais a companhia continua em busca do portfólio mais diversificado, tanto que, no ano de 2020 adquiriu uma empresa processadora de suínos, a Fricasa, que vem para somar operacionalmente aos negócios da Pif Paf.

O que faz a Rio Branco Alimentos

A Rio Branco Alimentos tua na produção e comercialização de alimentos in natura e industrializados, a partir de unidades fabris, matrizeiros, incubadoras e centros de distribuição (CD) sediados na região Sudeste, Sul e Centro Oeste do país, além de um CD localizado na Bahia. 

Modelo de negócios

Além desses pontos, um outro fator que evidencia um modelo de negócios verticalizado da Rio Branco Alimentos, é sua frota própria superior aos 600 mil veículos (dados de 2020) que dão respaldo a todo processo logístico entre as fábricas e centros de distribuição da companhia, além da entrega aos clientes finais.

Segundo a Rio Branco, essa frota é responsável por mais de 170 mil entregas por mês, com um índice de perda das mercadorias transacionadas inferior aos 0,01%, e, com uma taxa de entrega dentro do prazo de 98,8% na média. A companhia ainda divulga que 67% das entregas são feitas em menos de 24 horas.

Uma outra característica do negócio da companhia é a busca pela composição de um portfólio que agregue produtos de alto valor agregado, tanto que, ao fim do exercício social de 2020, os mesmos representavam 86% do portfólio total da Rio Branco.

Para ter um portfólio diversificado ao ponto de possuir mais de 900 produtos em oferta, a companhia opera a partir de várias marcas, sendo as principais delas: Pif Paf, Fricasa, Ladelli, Flip e Pescanobre. E, estas e as outras marcas da companhia se posicionam em 4 principais segmentos alimentícios: aves, suínos, embutidos e industrializados.

Em se tratando do exercício social findo em 2020, aproximadamente 36% da receita bruta auferida pela companhia advinda do segmento de aves, com uma contribuição para o resultado da Rio Branco pouco superior aos R$ 1 bilhão. Em seguida, temos os segmentos de embutidos e suínos com aproximadamente respectivos 27% e 18% da receita bruta, os quais juntos, proporcionaram um volume de receita superior aos R$ 1,3 bilhão.

Para diluir seu extenso portfólio, a Rio Branco possui uma rede de aproximadamente 123 mil lojas espalhadas por todo território nacional. Apesar disso, o posicionamento geográfico da companhia pesa muito na presença dos seus produtos, sendo mais concentrados na região sudeste do país. Tanto que, de acordo com os dados da Nielsen, a Rio Branco Alimentos é líder de mercado nos estados do Espírito Santo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Porém, o que aparentemente não se mostra facilmente diluível pelo extenso território nacional, a Rio Branco vem diluindo-o no mercado internacional com participação já em 24 países, dentre eles, Japão, Rússia, Canadá e Argentina. Somente em 2020 suas exportações contribuíram para 12% da receita bruta da companhia, um crescimento de quase 80% frente a 2019. 

E esta é uma das vias que a companhia enxerga como relevante para seu modelo de negócios, pois, vem buscando habilitar suas unidades fabris à exportação para os principais mercados. O destaque entre elas fica para a planta de Rio Branco, que está hábil a exportar para todos, e, a planta de Goiás que, para possuir o mesmo título, só aguarda a habilitação da China.

Governança Corporativa

No quesito governança a companhia demonstra ser bem estruturada, pois possui 4 comitês bem definidos, sendo eles: Auditoria, Estratégia e Finanças, Inovação e Pessoas. Em termos de administração, a Rio Branco faz questão de elencar que já cumpre o critério do Novo Mercado (segmento o qual vai listar suas ações) de possuir a maioria dos membros independentes, incluindo o presidente do Conselho de Administração.

Na Assembléia Geral Ordinária e Extraordinária realizada em fevereiro de 2021, a companhia definiu pela reeleição dos 7 membros do Conselho de Administração, sendo o Sr. José Mário Caprioli dos Santos o membro independente e presidente do Conselho, e, a Sra. Cristiane Emília Costa e Silva o membro independente e vice-presidente do Conselho. 

Assim como, foi definido como remuneração máxima para os administradores no exercício de 2021 a quantia de aproximadamente R$ 22,8 milhões. Para efeito de comparação, o lucro auferido pela Rio Branco em 2020 foi de aproximadamente R$ 148 milhões, e desses, R$ 31,6 milhões foram distribuídos a título de dividendos, apenas R$ 9 milhões a mais do que foi definido como teto de remuneração dos administradores em 2021.

Do ponto de vista acionário, a Rio Branco Alimentos S.A. é detida 99,86% pela A. Costa Emp. e Part. S/A, empresa esta detida pelos familiares do Sr. Avelino Costa, fundador da Rio Branco. A oferta será composta exclusivamente por via primária, ou seja, a família não venderá sua participação e aceitará ter sua posição diluída a partir da emissão de novas ações.

Riscos (nota explicativa de partes relacionadas DFP, processos sigilosos FR item 4,  transações FR item 16, item 8 e 9 FR, e aspectos macroeconômicos FR item 7)

Um dos riscos básicos da operação da companhia é a contaminação ou o perecimento dos alimentos que comercializa ao longo de seus traslados entre centros de distribuição e clientes. No entanto, como forma de minimizar esse risco, citamos ao início do texto que a Rio Branco possui sua própria frota de veículos de transporte das mercadorias. 

Além disso, um outro risco pouco diversificável é a exposição dos animais do abatedouro da companhia a doenças altamente contamináveis e climas adversos que tornam esses animais fornecedores de insumos aos produtos da companhia, de certa forma, sazonais em alguma medida.

Outro fator são as cotações das commodities, como milho, soja e ração, os quais respondem a parte considerável da estrutura de custos da companhia. Isso porque, essas commodities citadas são recorrentemente utilizadas no preparo das carnes que compõem o portfólio da Rio Branco. Assim, apesar de ofertar produtos com alto valor agregado, uma forte alta nessas commodities ou escassez das mesmas, pode fazer com que a companhia não consiga repassar esses custos ao mercado e acabe por contraí-los, reduzindo suas margens.

Vale lembrar que citamos no início do texto que a Rio Branco Alimentos vem se movimentando para aumentar sua exposição ao mercado exterior via habilitação das suas unidades fabris para exportação aos principais mercados que atende. Assim, a partir dessa movimentação, a empresa incorre nos riscos cambiais e das políticas internacionais de comercialização dos países ao qual atende.

Como analisar a empresa

Receitas e Despesas (nota explicativa de receitas/despesas operacionais DFP)

As receitas da Rio Branco Alimentos são geradas a partir da vendas diretas ou a partir da formação de contratos de venda de grandes volumes de seus produtos para varejistas e varejo-atacadistas. Isso já é um dos fatores que pode representar uma certa consistência das receitas da companhia, pois ela lida diretamente com varejistas que encomendam grandes volumes de seus produtos.

Seguindo essa linha de raciocínio, temos o fato da companhia lidar com a comercialização de vários produtos em seu portfólio, assim como, alega possuir uma boa diversidade de clientes, que dada as suas demandas, lhe fornecem uma boa linearização de sua receita e consequente redução de sazonalidade da receita. De acordo com os dados de 2020, a receita ao longo do ano apresentou variações de apenas 7 a 10%.

Do ponto de vista de despesas, a Rio Branco está exposta a variações dos preços de mercado das commodities, o que pressiona os custos de produção das carnes de seu portfólio. Por outro lado, temos o fato dos produtos da Rio Branco possuírem alto valor agregado, o que pode facilitar o repasse desses custos para os seus clientes. 

Ativos e Passivos (FR item 8 e 9, notas explicativas de Investimento/imobilizado/etc na DFP)

Dentre os principais ativos da companhia, temos os ativos biológicos, que se dividem tanto em ativos circulantes como não circulantes. Dentre os não circulantes temos os animais para produção, aqueles utilizados para a reprodução animal para recomposição de suas matrizes ao invés da compra de animais no mercado livre, e, até mesmo, para a manutenção da linhagem daquele animal que fornece a carne.

Dentre os ativos circulantes biológicos, temos aqueles animais consumíveis, os quais são utilizados para o abate e produção das carnes do portfólio da companhia. Ao longo de 2020 e 2019, foi utilizada uma amortização de 3 anos para os animais suínos e uma de 11 meses para as aves. 

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