Como e por que investir em açoes da Raízen S.A. (RAIZ4) - TC

Raízen S.A. (RAIZ4)

A Raízen S.A. é uma das maiores empresas de produção de biocombustíveis e energias renováveis do mundo. Atualmente, a companhia se encontra em processo de análise de oferta pública, com seu prospecto protocolado na CVM.

Neste texto, buscaremos compreender melhor a Raízen S.A., elencando os seguintes pontos:

  1. História da Raízen S.A.;
  2. O que faz a Raízen S.A.;
  3. Segmentos Operacionais;
  4. Estratégia de crescimento;
  5. Governança Corporativa;
  6. Riscos;
  7. Como analisar a empresa.

História da Raízen S.A.

O início das atividades da companhia remonta ao ano de 1913, com a denominação social de Anglo Mexican Petroleum Products Company, a qual posteriormente se tornou Shell Brasil S.A. Foi apenas em 2010 que a Cosan S.A. firmou um acordo de controle conjunto (joint venture agreement), dando surgimento à Raízen Energia, voltada a negócios com açúcar, etanol e energia.

Em 2019, a Femsa celebra um acordo de joint venture com a Raízen Conveniências. No mesmo ano, a companhia e sua subsidiária, a Petróleo Sabbá, constituíram um acordo de construção de SPE’s (Sociedades de Propósito Específico), juntamente com a Petrobras e a Ipiranga, com fins de exploração portuária nas regiões de Belém, Vitória e Cabedelo.

Em 2021, a companhia adquiriu a Biosev S.A, até então listada na B3, tornando-se sua controladora. 

O que faz a Raízen S.A.

A companhia se caracteriza por uma joint venture com a Cosan (CSAN3) e a Shell, com foco no mercado de energias renováveis, como biomassa e solar, sendo a Cosan responsável, principalmente, pela produção de biocombustíveis e a Shell por sua distribuição.

Desta forma, a cadeia de produção da companhia é integrada verticalmente, a qual vai desde o plantio, colheita, processamento, armazenamento, logística, distribuição, e finalmente, comercialização do combustível. 

A companhia possui cerca de 26 parques de bioenergia, os quais produzem biomassa a partir de 860 mil hectares de cana-de-açúcar. Dentre os biocombustíveis, estão: etanol, biogás, energia renovável de cogeração do bagaço da cana, além de outros produtos como pellets.

No exercício social terminado em 31 de março de 2021, a companhia produziu cerca de 2,5 bilhões de litros de etanol e gerou cerca de 2 TWh de eletricidade a partir do processo de cogeração de biomassa. 

Nesse sentido, a companhia produziu cerca de 4,3 milhões de toneladas, se posicionando como a maior produtora de açúcar do mundo, e comercializou cerca de 11,7 bilhões de litros em todas suas operações. Além disso, a companhia também exporta parte de sua produção para toda Europa, Japão e Estados Unidos.

O foco de sua produção está localizado nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, onde o acesso a logística é maior. Assim, a companhia conta com terminais no Brasil e na Argentina, sendo 74 terrestres, 11 portuários e 71 em aeroportos. Além disso, sua capacidade de armazenamento é de 5 milhões de m³ de combustíveis e 2 milhões de toneladas de açúcar.

Fonte: Formulário de Referência

Segmentos Operacionais

A companhia é separada em três linhas de negócios:

(i) Renováveis: Referente às atividades de produção e comercialização de Etanol de 1ª e 2ª geração, Pellets de biomassa, energia elétrica e biogás;

(ii) Marketing e serviços: Atividades de produção, distribuição e comercialização de combustíveis, como: etanol, gasolina, diesel, gás natural e GNV. Além disso, a Raízen oferece produtos de varejo, como padaria, hortifruti, tabacaria, mercearia, higiene, etc. Em 2021, a companhia conta com 6.579 estações de serviço no Brasil e 786 na Argentina, além de 1.314 lojas de conveniência Oxxo e Shell Select; e

(iii) Açucar: atividades de produção e comercialização de açúcar bruto (VHP), açúcar refinado e líquido.

Estratégia de Crescimento

Expandir a produção e comercialização de produtos renováveis: Está relacionado, principalmente, ao potencial da tecnologia E2G (etanol de segunda geração), a qual é capaz de aumentar a produção de etanol em até 50%, utilizando a mesma forma de cultivo. Novos modelos de produção de biogás, permitindo uma eficiência maior na geração de energia, e aumentar sua capacidade de geração energética (solar e bioeletricidade);

Maximizar produtividade e eficiência: Principalmente relacionada a moagem efetiva versus sua capacidade, as quais incluem gestão de safra, expansão e monitoramento via satélite;

Expansão de lojas de conveniência: A companhia tem planos de expandir suas lojas Shell Select e OXXO. Esta, através da joint venture com a FEMSA. Segundo a companhia, a penetração do segmento no Brasil é de apenas 20%, enquanto países desenvolvidos giram em torno de 80%. Atualmente, a companhia possui cerca de 1.300 lojas Shell Select;

Engajamento digital: Envolve o investimento no aplicativo Shell Box e portais B2B, como CSOnline, Portal Agrícola, CS Fácil, LogCana e Shell Frota; e

Expansão da cadeia de valor: Incluem depender menos de intermediários e vender diretamente para seus clientes, assim, obtendo um maior poder de barganha. Além disso, expandir suas operações para outros países da América Latina.

Governança Corporativa

Atualmente, o controle da companhia é compartilhado entre a Cosan (CSAN3) e a Shell, ambas possuindo 50% de participação. A companhia possui a estimativa de um freefloat de ~10% após a oferta pública, assim, a companhia corre o risco de não ser listada, haja visto o percentual mínimo de 25% de freefloat no Nível 2 de governança corporativa da B3.

Da remuneração de 2021, o Conselho de Administração soma um montante de R$56,5 milhões e a Diretoria de R$37,8 milhões, totalizando R$94,4 milhões em remuneração, sendo fixa e variável. Vale ressaltar que em 2021, a companhia obteve um lucro líquido de R$1,5 bilhões.

Riscos

Dentre os maiores riscos da companhia, estão: ciclo de cultivo da cana-de-açúcar; possíveis interrupções dos serviços de transporte e logística (Ex: greve dos caminhoneiros); e o volume de instrumentos financeiros que a companhia tem de carregar no seu balanço para fins de hedge.

Como analisar a empresa

Receitas e Despesas 

No exercício encerrado em 31 de março de 2021, a companhia apresentou uma receita operacional líquida de R$114 bilhões, sendo representado pelos seguintes segmentos operacionais: Marketing e Serviços (R$94,9 bilhões); Renováveis (R$15,5 bilhões); e Açúcar (R$11,3 bilhões).

Dos R$114 bilhões de receita, 71,78% são derivados da comercialização no Brasil e 28,22% no mercado exterior. Esses R$114 bilhões são compostos por: Diesel (R$45 mi); Gasolina (R$32 mi); Etanol (R$18 mi); Açúcar (R$11 mi); Outros (R$6,7 mi). 

Além disso, dentre seus custos, cerca de 90% está relacionado ao custo de produção e distribuição de combustíveis – ou seja, custo variável.

Ativos e Passivos (a receber 6, estoques 7,trib a recup. 9 e diferido 19, imobilizado 14. )

Contas a receber: Cerca de ~11% se encontra vencido, de fato, o que não é nada alarmante.

Estoques: Seu estoque é composto de cerca de R$5,6 bilhões em biocombustíveis e gasolina, com uma parcela de ~1% provisionado.

Imobilizado: A companhia possui um elevado valor na conta de imobilizado, o qual corresponde principalmente por Máquinas, equipamentos e instalações. A companhia possui um saldo líquido de R$17,7 bilhões, com cerca de 43% já depreciado em relação ao saldo original.

Empréstimos: Apesar da grande parte da dívida (~90%) estar no longo prazo, ela é relevante. Cerca de R$24 bilhões, sendo a maior parte em moeda estrangeira. 

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