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Ação, bonds da Braskem despencam após venda para Lyondell colapsar

Postado por: TC Mover em 04/06/2019 às 13:07

As ações PNA da Braskem registravam sua pior queda em mais de quatro anos, enquanto os títulos de dívida em dólar derretiam nesta terça-feira, após a operação de venda da maior petroquímica da América Latina para a holandesa LyondellBasell colapsar em meio a problemas societários, operacionais e legais que devem demorar anos em serem resolvidos.

 

A ação PNA, o papel mais negociado da companhia baiana, chegou a cair até 20% na abertura – a pior queda na história – após a LyondellBasell encerrar conversas com a Odebrecht, controladora da Braskem, sobre a compra do controle da petroquímica. O desfecho, mesmo esperado pelo investidor, fazia derreter a ação 16,4% a R$34,43, menor cotação desde março de 2017, por volta das 12h55. O papel acumula perdas de 28% no ano.

 

O juro no título de dívida em dólares da Braskem com vencimento em 2024 disparou de 4,40% ontem para 4,64% hoje – sinalizando maiores riscos entre os investidores. Em fato relevante, a petroquímica disse que continuará na procura de oportunidades que “tenham o potencial de agregar valor à Braskem e, consequentemente, a todos os seus acionistas”. Já a a LyondellBasell afirmou, por meio de comunicado, que após análise cuidadosa, a decisão tanto da companhia quanto da Odebrecht foi a de “não prosseguir com a transação”.

 

As conversas para vender o controle da Braskem duraram mais de um ano e meio e aconteceram, surpreendentemente, em meio a problemas legais e financeiros sérios da Odebrecht, que também envolveram a petroquímica, que teve de assinar acordos com as Justiças brasileira e americana. Duas complicações recentes, como a impossibilidade de a companhia apresentar um formulário regulatório nos Estados Unidos, onde tem recibos de ações listados, assim como as incertezas quanto aos custos legais pelo afundamento de alguns bairros de Maceió, onde tem uma operação de sal gema, pioraram o panorama para uma eventual transação.

 

Segundo o site Brazil Journal, que veiculou a notícia do colapso das conversas LyondellBasell-Odebrecht ontem, a dívida de R$12 bilhões da Atvos, subsidiária de etanol da Odebrecht, tem como garantia ações da Braskem, e existe a chance iminente de que um dos credores invoque uma cláusula que acelera as dívidas dos outras empresas da Odebrecht. Segundo o site, a desistência da Lyondell reduz a margem de manobra da Odebrecht e deixa o conglomerado ainda mais próximo de uma recuperação judicial.

 

A Braskem estava à venda desde 2017, em parte porque a Petrobras, sócia da Odebrecht na petroquímica, com pouco mais de 37% do capital, deseja sair do segmento para focar em exploração e produção de petróleo. A Odebrecht controla a Braskem, com quase 38% do capital.

 

(Foto: Braskem/Divulgação)

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