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Após trimestre sólido, empresas brasileiras enfrentam fim de ano volátil

Postado por: TC Mover em 23/11/2020 às 20:40

São Paulo, 23 de novembro – A retomada econômica truncada e desigual, com incertezas rondando as áreas política e fiscal do governo e o alastramento veloz da segunda onda de infecções por coronavírus devem frear a recuperação dos lucros e da receita das principais empresas brasileiras no período outubro-dezembro, após um terceiro trimestre bem acima das previsões.

Para gestores e contribuidores do TC, o desempenho das ações até final do ano deve obedecer mais ao movimento de rotação de carteiras, pelo qual o investidor sai de alguns papéis para se posicionar em outros com melhores perspectivas, e não tanto ao desempenho operacional ou financeiro dos negócios. 

“Em geral, os setores que tiveram as maiores quedas no ano devido à crise atual foram os mais beneficiados com a expectativa de chegada de uma vacina” contra o coronavírus, disse Rafaela Vitória, economista-chefe do Banco Inter. 

Estrategistas como Carlos Sequeira, do BTG Pactual, esperam que as companhias listadas continuem a cruzada por custos e despesas menores, o que pode ajudar a mitigar surpresas negativas derivadas da desaceleração esperada na atividade ou da redução no auxílio emergencial desde outubro.

Exportadoras e varejistas puxaram resultados

No trimestre passado, o dólar valorizado e a alta no preço das commodities puxaram para cima a receita e lucros dos setores de commodities e alimentos, aliviando, na média, a queda nas métricas das companhias dependentes da economia doméstica. Em alguns casos, empresas como Vale, código VALE3, Petrobras, código PETR4, JBS, código JBSS3, e Marfrig, código MRFG3, tiveram até desempenho melhor na base anual. 

Um levantamento feito pelo TC Mover em um universo de 65 companhias financeiras e não-financeiras mostrou que uma em cada três das empresas bateu as projeções, enquanto o lucro líquido teve alta de 17% na base anual. O avanço foi impulsionado pela receita entre as exportadoras e varejistas, menores despesas por provisão entre os bancos e controle de custos nas industriais e de serviços.

Boas expectativas para setores de óleo, gás e imóveis

Para o analista do TC, Hugo Queiroz, os setores de óleo e gás podem se beneficiar no quarto trimestre com a maior demanda por petróleo, mas há o risco de que cortes globais de produção não sejam estendidos, deprimindo os preços da commodity. 

O setor imobiliário, que tem mostrado resiliência na parte da incorporação, pode ver os shopping centers favorecidos pelas compras de Natal, mas sob o risco de fechamento caso as infecções disparem.

Por outro lado, as ações dos setores com desempenho acima da média desde a crise podem sofrer com a rotação de setores. O Ibovespa acumula sua maior alta mensal desde março de 2016. 

Bancos, construtoras, small caps e empresas de consumo e varejo registram as maiores altas no mês, também repercutindo o forte fluxo estrangeiro na bolsa neste mês e a expectativa de melhores resultados, maiores dividendos e crescimento de receita.

Desempenho das ações 

Para acompanhar o desempenho das ações da Vale, Petrobras, JBS, Marfrig e outras empresas, basta acessar o TC Matrix, ferramenta gratuita do TC.

Texto: Guillermo Parra-Bernal e Leandro Tavares
Edição: Bárbara Leite e Letícia Matsuura
Imagem: Vinícius Martins/TC

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