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Câmbio e minério devem impulsionar balanço da Vale (VALE3) a dias de mudança histórica

Postado por: TC Mover em 27/10/2020 às 10:17
A dias de se transformar em uma empresa sem controle acionário definido, a Vale deve registrar alta de 28% no lucro líquido do terceiro trimestre, na esteira de elevada demanda por minério de ferro na China, câmbio desvalorizado no Brasil e retomada gradual da produção 20 meses após a tragédia de Brumadinho.

São Paulo, 27 de outubro A dias de se transformar em uma empresa sem controle acionário definido, a Vale (VALE3) deve registrar alta de 28% no lucro líquido do terceiro trimestre, na esteira de elevada demanda por minério de ferro na China, câmbio desvalorizado no Brasil e retomada gradual da produção 20 meses após a tragédia de Brumadinho. A segunda maior produtora de minério de ferro solta o balanço para o período julho-setembro amanhã, depois do fechamento do mercado.

De acordo com o consenso TC, a mineradora deve atingir lucro líquido de US$2,12 bilhões no trimestre passado, ante US$1,65 bilhão no mesmo período do ano anterior. A receita líquida deve totalizar US$8,12 bilhões, enquanto o EBITDA ajustado – uma medida de lucro operacional corrigida por alguns itens – deve alcançar US$4,48 bilhões, representando leve queda na base anual. 

Vale (VALE3) mostrou alta de mais de 30% em prévia operacional divulgada na semana passada

A realidade do terceiro trimestre da Vale deve refletir a elevada demanda por aço na China, que está ajudando a manter o preço do minério de ferro perto dos US$120 a tonelada e os estoques do mineral nos portos baixos. Na prévia operacional, divulgada na semana passada, a Vale mostrou alta de mais de 30% na produção na base sequencial. O câmbio mais fraco deve ajudar a empresa a diluir custos fixos, a maior parte dos quais são denominados em reais.

“A boa retomada servirá como base para um quarto trimestre forte, encerrando o ano com ótimo desempenho, em nossa visão”, disse Tasso Vasconcellos, analista da Eleven Financial. 

O investidor deve ficar de olho nos comentários da administração quanto à expiração do acordo de acionistas assinado em 2017 e que acaba em 9 de novembro. Esse evento deve levar à implementação de mudanças na governança corporativa e na organização necessárias para a Vale superar o impacto da tragédia de Brumadinho. 

Outros aspectos a serem auscultados na divulgação e na teleconferência, que acontecerá na quinta, incluem a evolução do custo C1, a curva de produção, a restruturação da área de metais básicos, as tendências de mercado na China, a geração de caixa e a potencial aceleração de pagamentos de dividendos. O papel avança 21,9% no ano. 

Texto: Ana Carolina Amaral

Edição: Guillermo Parra-Bernal e Kariny Leal

Arte: TC Mover

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