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Correios devem encerrar greve após decisão da Justiça

Postado por: TC Mover em 22/09/2020 às 16:36
Após decisão do Tribunal Superior do Trabalho, TST, determinando a volta ao trabalho, os funcionários dos Correios devem retomar as atividades, depois de pararem por mais de um mês.

Após decisão do Tribunal Superior do Trabalho, TST, determinando a volta ao trabalho, os funcionários dos Correios devem retomar as atividades, depois de pararem por mais de um mês.

O Tribunal julgou o dissídio de greve dos trabalhadores dos Correios na tarde de ontem e, por maioria dos votos, considerou que a greve não foi abusiva. O reajuste de 2,6% foi mantido, embora somente 20 das cláusulas que faziam parte do acordo anterior devam prevalecer. Quanto aos dias parados, o TST decidiu pelo desconto de metade dos dias e compensação do restante.

Durante a audiência, os advogados que representam os sindicatos afirmaram que os Correios não estão passando por dificuldades financeiras e que a estatal atua para retirar direitos conquistados pela categoria, inclusive os sociais, que não têm impacto financeiro, segundo a Agência Brasil.

Os representantes dos Correios, por sua vez, afirmaram que a manutenção das cláusulas do antigo acordo teria um impacto negativo de R$294 milhões nas contas da estatal. Sendo assim, a empresa não suportaria essas despesas, tendo em vista que seu caixa foi afetado pelos impactos da pandemia.

Funcionários dos Correios devem retomar os trabalhos

Apesar da decisão do Tribunal Superior do Trabalho, os sindicatos dos funcionários dos Correios receberam um informe emitido pela Federação Nacional dos Trabalhadores de Empresas e Correios e Telégrafos e Similares, Fentetc, reclamando da decisão do TST e o acusando de decisão política.

Segundo o documento, divulgado pela UOL, a Fentect alega que o julgamento do TST retirou da categoria conquistas realizadas ao longo de 35 anos.

“Não podemos permitir esse ataque, que representa a retirada de até 40% da remuneração dos trabalhadores em meio à pandemia que assola todo o mundo. Uma atitude covarde que os trabalhadores e trabalhadoras não vão aceitar pois a luta é pelo sustento das milhares de famílias que dependem dessa remuneração”, diz o informe.

O discurso inicial era de que os sindicatos devem sugerir que os colaboradores mantivessem a greve, entretanto, hoje, em entrevista ao UOL, o secretário da Fentect disse que a avaliação mudou e a orientação agora é pelo fim da greve. “Nós fizemos um balanço e ainda temos a luta contra a privatização. Decidimos que é melhor reglutinar forças para essa nova luta”, disse Marinho.

No fim, a decisão entre manter ou não a paralisação fica por conta dos colaboradores, que seguem participando de assembleias por todo o país ao longo do dia. O Tribunal Superior do Trabalho firmou uma multa no valor de R$100 mil por dia, caso os funcionários dos Correios queiram continuar em greve.

Posição dos Correios

Embora os sindicatos ainda estejam se reunindo para decidir sobre manter ou não a paralisação, os Correios afirmam que o sistema de monitoramento da empresa aponta que 92,7% dos funcionários estão trabalhando normalmente, segundo o UOL.

Em entrevista concedida ao portal, Emerson Marinho, secretário da Fentect, rebateu a informação divulgada pelos Correios, dizendo que ainda não houve o retorno divulgado, tendo em vista que, segundo ele, nem todos os sindicatos se reuniram para assembleia.

O que está acontecendo nos Correios

De acordo com a Fentect, a paralisação dos funcionários dos Correios se deu em protesto contra a proposta de privatização da estatal, além da manutenção dos benefícios trabalhistas. A entidade alega que foram retiradas 70 cláusulas de direitos em relação ao acordo coletivo anterior. Questões como licença-maternidade, auxílio-creche, adicional de risco, indenização por morte, além de outros benefícios sofreram alterações. Além disso, os funcionários também pedem por reajuste salarial.

Privatização

A privatização dos Correios ganhou força na semana passada, após Fábio Faria, ministro das Comunicações, afirmar que já havia inclusive empresas de varejo interessadas na compra da estatal na última quarta-feira, 16, em entrevista realizada por Rafael Ferri, do canal Café com Ferri, no Youtube.

Segundo o ministro, o processo de privatização dos Correios deve ocorrer ainda durante o mandato do presidente Jair Bolsonaro e grandes empresas estão interessadas em assumir a estatal. “Já tem cinco players interessados. A Magalu é um deles. O Amazon, a DHL, Fedex… já tem pessoas, grupos interessados na aquisição dos Correios. E isso aí é importante. Nós não teremos um processo de privatização vazio”, afirmou Faria.

A greve dos Correios também foi pauta na conversa entre Ferri e Faria, na qual o ministro fez duras críticas à paralisação, alegando que um serviço “universal e essencial” como esse não deveria parar, além de dizer que “não é com greve que você consegue aumento”.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil.

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