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Especial: Carrefour Brasil descarta cindir atacarejo, vê melhora de preços com Grupo Big

Postado por: TC Mover em 24/03/2021 às 15:56

São Paulo, 24 de março – A aquisição da rede de supermercados Big elevará o alcance do Grupo Carrefour Brasil para todas as classes sociais e regiões do país, avaliam executivos da companhia. Além disso, acreditam que a compra pode trazer um alto potencial sinérgico e descartam a cisão entre redes de atacarejo e varejo da companhia. A ação ordinária da varejista dispara mais de 13% na tarde desta quarta-feira.


Gestores não esperavam aquisição do Grupo Big

O Carrefour Brasil anunciou na madrugada de hoje a compra, em dinheiro e ações, do Grupo Big por R$7,5 bilhões, criando um novo grupo, que faturaria cerca de R$100 bilhões e empregaria mais de 137 mil funcionários. O movimento foi considerado inesperado para gestores e contribuidores do TC. O Big pertence a uma sociedade entre a firma de private equity Advent International e a gigante varejista americana Walmart. O negócio está sujeito à avaliação do Conselho Administrativo de Defesa, e deve ser concluído até 2022.

Em teleconferência a respeito da transação realizada mais cedo, o diretor-presidente da Carrefour Brasil, Noël Prioux, afirmou que trata-se de um “marco histórico e uma oportunidade única” para a varejista, que pretende se expandir geograficamente para as regiões Nordeste e Sul e alcançar as classes A e B por meio do Sam’s Club, rede de clube de compras do Grupo Big. Segundo ele, a transação melhorará as condições de preços repassados ao consumidor, em meio ao contexto de desemprego e inflação em alta.

O diretor financeiro, Sébastien Durchon, espera que as sinergias do Carrefour Brasil com o Grupo Big devem atingir R$1,7 bilhão em três anos. Os executivos também negaram a cisão das redes de atacarejo e varejo, como o rival Grupo Pão de Açúcar, GPA, fez recentemente com a Assaí. “Ter um ecossistema global é melhor que ter um ecossistema separado”, afirmou Prioux.


O negócio pode facilitar IPO do Banco Carrefour, diz Daltozo

Em entrevista à TC Rádio, o analista Carlos Daltozo, da Eleven Financial, avalia a transação como vantajosa do ponto de vista financeiro, em especial no múltiplo que avalia o valor empresarial como proporção das vendas brutas anuais. Segundo Daltozo, o negócio também facilita um eventual IPO do Banco Carrefour, braço de serviços financeiros do grupo varejista.

Para o Carrefour Brasil, a aquisição da Big acelera a expansão em regiões onde tem penetração limitada, como o Nordeste e o Sul do país, e que oferecem forte potencial de crescimento. O Grupo Big é a terceira maior varejista de alimentos do Brasil. A companhia possui 387 lojas no país, reunindo as bandeiras Big, Big Bompreço, Super Bompreço, Nacional, Todo Dia e Maxxi Atacado. Com a aquisição, o Carrefour Brasil também passa a administrar a bandeira Sam’s Club, através de um contrato de licenciamento com o Walmart.


Aquisição do Sam’s Club reforça foco em segmento B2C

Em relação ao Sam’s Club, que o Carrefour Brasil chamou de “modelo de negócios único, premium e altamente rentável”, a aquisição reforça foco da varejista para crescer no segmento B2C. O Sam’s Club “é baseado em um sistema de associados, com mais de 2 milhões de membros, e tem um forte foco em produtos de marca própria”, destaca o fato relevante. A Big possui 387 lojas, 41 mil funcionários, presença em 19 estados brasileiros e registrou R$24,9 bilhões em vendas brutas no ano passado.


Compra do Grupo Big pode melhorar desempenho do papel do Carrefour

Além de incrementar a escala e a capilaridade da rede a nível nacional, a aquisição deve dar um gás adicional ao Carrefour Brasil, que por meses tem visto suas ações mostrar desempenho levemente pior que as pares do setor. Os problemas reputacionais e de governança ganharam holofote após um homem negro ser morto por dois seguranças brancos em um estacionamento de uma filial na capital gaúcha. O crime aconteceu na véspera do Dia da Consciência Negra do ano passado, acarretando em protestos contra a varejista, que implementou vários programas sociais e contra o racismo.

Para analistas do Credit Suisse, o papel ordinário da Carrefour Brasil atualmente incorpora as expectativas de mercado mais baixas entre pares, quando medido o retorno sobre o caixa líquido investido no longo prazo. Contudo, com o bom desempenho desta tarde, a varejista está revertendo as perdas do final do ano passado e acumula ganho de 13,15% nos últimos seis meses.

Assim que concluída a operação, a francesa Carrefour irá deter 67,7% de participação da Carrefour Brasil, diluição de quase 4 pontos percentuais ante hoje. Já a Península Participações, fundo de investimentos pertencente à família do bilionário Abílio Diniz, deterá 7,2% da varejista resultando da fusão. Os donos da Big ficarão com fatia de 5,6% da varejista compradora uma vez concluído o negócio.


Desempenho das ações do Carrefour Brasil (CRFB3)


Ação do Carrefour Brasil - CRFB3


Perto das 15h40, o papel ordinário do Carrefour Brasil (CRFB3) disparava 13,86%, cotado a R$21,94. No mesmo horário, o Ibovespa operava em alta de 0,56%, aos 113,9 mil pontos.

Para acompanhar o desempenho das ações do Carrefour Brasil e de outras empresas, basta acessar o TC Matrix, ferramenta gratuita do TC.

Texto: Gustavo Boldrini e Machado da Costa
Edição: Guillermo Parra-Bernal e Letícia Matsuura
Arte: Vinícius Martins / TC


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