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Especial: GPA ‘barata’ atrai fluxos de compra, interesse da Leblon Equities após cisão da Assaí

Postado por: TC Mover em 13/04/2021 às 19:10

São Paulo, 13 de abril – Desde a cisão da atacadista Assaí, no início de março, a ação do Grupo Pão de Açúcar, GPA, desafiou os céticos e mais do que dobrou. Por trás desse desempenho está um forte fluxo de compra por parte de investidores institucionais como a Leblon Equities. A noção é de que a supermercadista está barata demais em um setor com margens em alta e pronto para maior consolidação.

 

Leblon Equities abriu posição no papel da supermercadista

A Leblon Equities, comandada pelo experiente gestor Marcelo Mesquita, abriu posição no papel da segunda maior supermercadista do Brasil em março, por ter visto uma distorção na avaliação da companhia após a cisão. “A empresa deve valer no mínimo 0,5 vezes a sua receita anual”, ante 0,13 na atualidade, disse ele em entrevista.

Como ele, gestores veem na GPA um papel que resguarda o investidor da inflação acelerante e da volta da Covid-19 e que não parece tão vulnerável ao movimento da maior rival Carrefour Brasil de adquirir Grupo Big, a terceira do setor.

 

Investidores locais impulsionaram ação do GPA

Apesar da correção de mais de 70% no GPA após a cisão da Assaí ser oficializada, em 1 de março, foram as compras por parte de investidores locais que puxaram o papel – notadamente, os R$306 milhões por parte da corretora do BTG Pactual.

Já na ponta vendedora se posicionaram corretoras representativas do fluxo do investidor estrangeiro, como Bank of America Merrill Lynch, Tullett Prebon, UBS, Citigroup e JPMorgan. Mesmo as vendas somando R$537 milhões, há um claro vencedor na disputa.

 

 

“O mercado rapidamente percebeu que havia dinheiro na mesa” disse André Almeida, investidor e contribuidor do TC. “Quem reparou que a GPA sem o Assaí tem faturamento anual de R$50 bilhões e geração operacional de caixa próxima de R$5 bilhões – o mesmo valor da varejista no dia da cisão, – entendeu. A soma das análises mostrou que a ação estava muito barata e o mercado reagiu”.

 

GPA está barato, apontam gestores

Se a ação do GPA está barata, como sustentam Mesquita e Almeida, pode ser não somente pelo caráter defensivo do papel, mas pelo processo de consolidação de um setor secularmente fragmentado. A compra do Grupo Big pela Carrefour Brasil se justifica pela pouca sobreposição geográfica e a capacidade de extrair sinergias de custos em uma eventual combinação. O que demostra que a GPA está “barata”, segundo Almeida, é que o múltiplo ao qual Carrefour Brasil comprou a Big é estimado em 11 vezes o lucro anual, ante 3,9 vezes o da GPA, segundo dados do TC Matrix.

Por exemplo, o múltiplo EV/EBITDA do GPA é estimado em 4,3 vezes, enquanto a média do setor está em 8,4 vezes. A rival Grupo Mateus projeta igual métrica em 13 vezes. O múltiplo EV/EBITDA é uma forma de avaliação de companhias que diz ao investidor o número de anos de geração de caixa operacional que seriam necessários para pagar pelo valor total de uma companhia.

 

Traders reportam “short squeeze”

Na segunda-feira, a ação do GPA disparou 9,79%. Além disso, liderou as altas no Ibovespa. Hoje o papel avançou mais 5,70%, cotado a R$39,11. O fluxo do BTG Pactual se mantém firme, com compra de 1,95 milhão de papéis desde ontem. Curiosamente, esse fluxo de compras veio das corretoras que mais tinham alienado o papel no último mês, mostraram dados da Nelogica.

Traders disseram à TC Mover, sob condição de anonimato, que clientes das corretoras do JPMorgan e do Bradesco optaram por reduzir a exposição vendida. Esta seria uma tentativa de aliviar prejuízos causados pela alta recente do papel, movimento conhecido como “short squeeze”. O fenômeno acontece quando investidores posicionados na venda de um ativo se veem obrigados a recomprar um papel para estancar prejuízos quando uma operação ultrapassa os limites de risco assumidos.

Se o múltiplo-alvo de Mesquita se concretizasse, levando em conta a receita bruta projetada pela BB Investimentos, o papel poderia alcançar os R$138,00. Isto corresponde a um potencial de alta de 275%. Georgia Jorge, da BB Investimentos, estima a receita projetada da GPA em R$70,4 bilhões e a do Grupo Mateus em R$14,2 bilhões. Mesmo assim, o valor de mercado da GPA estaria perto de R$10 bilhões, enquanto o da Mateus pouco acima de R$18 bilhões.

 

Movimento da Casino é esperada por alguns acionistas

A tese de investimentos do GPA se sustenta, disse Jorge, em um endividamento saudável, na expansão de lojas físicas e do ecossistema digital e na resiliência do setor em cenários de atividade fraca. Questionado sobre o principal risco da GPA, Mesquita cita possível problema de governança, caso a controladora Casino Guichard Perrachon & Cie, que está em processo de recuperação judicial nos Estados Unidos, utilize a GPA para resolver problemas de forma “não-ortodoxa”.

Outra possível forma do GPA destravar valor seria através de um movimento da Casino que é esperado por alguns acionistas. A Casino estuda realizar um aumento de capital ou uma oferta secundária em uma de suas subsidiárias, a Cnova, da qual a GPA detém 34% das ações. Este movimento poderia permitir que a GPA saia da sua posição na Cnova, destravando valor, de acordo com Gustavo Piras Oliveira, analista do UBS. A participação da GPA na Cnova é avaliada em quase R$6 bilhões.

 

Desempenho das ações do GPA (PCAR3)

 

GPA

 

A ação ordinária do GPA (PCAR3) subiu 5,70%, cotada a R$39,11. Na semana, o papel acumula ganho de 16,05%. O Ibovespa também encerrou o dia no azul, com valorização de 0,41%, aos 119,2 mil pontos. É a primeira vez que o índice brasileiro supero os 119 mil pontos desde fevereiro.

Para acompanhar o desempenho das ações da GPA e de outras empresas, basta acessar o TC Matrix, ferramenta gratuita do TC.

Texto: Felipe Corleta
Edição: Guillermo Parra-Bernal, Karine Sena e Letícia Matsuura
Arte: Vinícius Martins / TC Mover


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