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Especial: Quem vai ganhar na arena das corretoras?

Postado por: TC Mover em 11/06/2021 às 14:51
Arena das corretoras tem briga entre BTG e XP

São Paulo, 11 de junho – A XP e o BTG Pactual protagonizam uma guerra pelo domínio do mercado de investimentos. Nessa arena cabem também os ascendentes Modalmais, Nubank e Inter, além das novas corretoras. Mas quem deve sair na frente?


Mistura entre corretoras e bancos completa portfolio das instituições

Antes dessa indagação, é necessário entender a diferença entre bancos e corretoras e o cenário atual. Os bancos são instituições financeiras que podem oferecer contas, cartões, formas de pagamento, crédito, seguros, investimentos e emitir títulos. As corretoras, por sua vez, são um meio para investimento, sem emissão de títulos. Contudo, possibilitam a diversificação de investimentos, seja em relação à renda fixa ou variável.

As corretoras podem se tornar bancos que, por sua vez, também podem investir no mercado de corretagem, dependendo da estratégia da instituição. De acordo com o sócio e analista da Brasil Capital, Fernando Sampaio, isto acontece para aumentar o leque de produtos e serviços prestados. Assim, os olhares estão voltados a “ter maior retenção, ter um share of wallet, conseguir monetizar cada vez mais esse cliente, ter essa oferta completa de produtos e trazer o cliente mais para dentro da empresa”, explicou.

A Modalmais, que era corretora e tornou-se banco, é um candidato a se tornar grande, estima Fernando Sampaio. No caminho contrário, Nubank e Inter iniciaram como banco de transacionalidade e conta, mas estão em direção do investimento.


Arena das corretoras aberta: XP x BTG Pactual

Ainda dominando o mercado de investimentos, a XP perdeu para o BTG Pactual no ano passado seu maior escritório de agentes autônomos, o catarinense EQI, com R$9 bilhões na carteira. A partir de então, outros escritórios trocaram de casa, entre eles a Lifetimes Investimentos e a Acqua-Vero.

Ampliando o arsenal, o BTG Pactual comprou a plataforma Empiricus e a corretora Vitreo. Em maio, o banco controlado por André Esteves superou a XP em valor de mercado, ajudado pelo dólar e pelas aquisições de agentes autônomos.

Com isso, a corretora precisou rever sua estratégia com os agentes autônomos: apoiar o plano de se tornarem novas corretoras. Foi o caso da Monte Bravo, que estava no radar do banco, e da Faro Investimentos. Outro contra-ataque da XP foi a aquisição de uma fatia da Giant Steps.


Corretoras, bancos, agentes autônomos e investidores podem ganhar com disputa

Fernando Sampaio defende que a disputa pode beneficiar não apenas as duas gigantes, mas as novas corretoras, os agentes autônomos e, principalmente, os clientes e investidores das empresas.

Segundo ele, a busca por novos assessores de investimento resulta em crescimento da base de distribuição do BTG Pactual, com projeção forte para os próximos anos. Ao mesmo tempo, a hegemonia da XP ainda não está balançada, ainda tem “uma plataforma infinitamente maior” que a do banco e continua sendo o principal canal dos agentes autônomos, afirmou.

Os agentes autônomos ganham mais apoio para se tornarem novas corretoras, que ganham um espaço na arena da concorrência. Com essa competição, diz o sócio da Brasil Capital, os clientes e investidores das empresas ganham com maior oferta de produtos, melhor experiência do cliente, preços mais baixos e facilidade de mudar de corretora quando convir.


Juros baixos favorecem aumento de investidores em renda variável

Com a taxa básica de juros, conhecida como taxa Selic, em baixo patamar, a renda fixa torna-se menos rentável e, naturalmente, menos atrativa. Assim, desde o ano passado, investidores estão migrando para a bolsa de valores. Segundo a B3, há mais de 2,5 milhões de investidores ativos e o volume financeiro médio diário no mercado de ações aumentou 73,6% em maio deste ano.

Atualmente, a taxa Selic está em 3,50% ao ano. Porém, o Comitê de Política Monetária, Copom, deve aumentar a taxa em 0,75 ponto percentual na próxima quarta-feira, 16, conforme sinalizado na última reunião. “Os juros entre 5,00% e 7,00% ainda são muito favoráveis a esse desenvolvimento do mercado de capitais no Brasil”, apontou Fernando Sampaio.


Bancos incumbentes mudam estratégia para competir

“Na prática, quem está perdendo o mercado são os bancos incumbentes, que acabam sofrendo mais”, segundo Fernando Sampaio. Contudo, ele afirma que essas instituições estão abrindo as plataformas para competir com os novos competidores e, assim, reter clientes.

As fintechs Nubank e Inter entraram na arena de corretoras. A primeira comprou a Easynvest e a outra tem sua própria plataforma de investimentos. Os bancos digitais pressionam, portanto, os bancos tradicionais. Para o sócio fundador da Saroh Consciência Financeira, professor da Fundação Getúlio Vargas e planejador financeiro, Flavio Humberto Pretti, os custos altos para crédito e transações e os produtos oferecidos com viés para o resultado bancário pesaram.

“As corretoras vieram com discurso que em teoria chocam com isso. Porém, ele alerta que, na verdade, essa competição ocorre em um dos segmentos do mercado bancário e que ainda há concentração nos grandes bancos. Além disso, eles têm tecnologia, imagem de segurança e dinheiro para investir em mudanças, ressalta.


Níveis de múltiplos da XP e do BTG são mais normalizados, aponta Fernando Sampaio

Fernando Sampaio destacou a diferença de valutation entre as corretoras e os bancos que estão em crescimento. Como o Inter ainda não comprovou a rentabilidade por questão de tempo, ele explica que é difícil ter um valuation tangível, avaliando o preço-lucro acima de 100 vezes.

Por outro lado, a XP e o BTG “têm um nível de múltiplos bem mais aceitável, porque ambos têm lucro efetivamente nas operações, apesar de ele ter um crescimento muito acelerado”, disse. Fernando Sampaio vê o preço-lucro do BTG em 20 vezes e da XP em 30 vezes.

Os bancos incumbentes, com os desafios de transformação digital, contam com outra pedra no sapato: a dificuldade em cortar custos. Embora o preço-lucro dos grandes bancos seja menor que as corretoras e os bancos digitais, o pagamento de dividendos ainda é atrativo, conforme Fernando Sampaio.


Haverá bolha no mercado de corretoras?

A disparada das corretoras, somada aos bancos incumbentes se adequando às novas regras do mercado, pode criar uma bolha, disse o sócio da Brasil Capital, mas apenas pela quantidade, não de valuation.

Fernando Sampaio não vê as novas corretoras, vindas dos agentes autônomos, ganhando o tamanho das atuais ou das plataformas dos bancos incumbentes, mas com uma boa rentabilidade e bom atendimento. “A gente pode até ter um momento de consolidação” em que essas novas corretoras comprando outras ou agentes autônomos.


Fernando Sampaio aponta possíveis vencedoras

Embora a disputa possa ser positiva, nem todos vão brilhar. Além dos grandes bancos, que não perderão relevância no mercado, quatro ou cinco plataforma dominarão o mercado, estimou Fernando Sampaio.

Ele mostrou expectativa para os maiores competidores atuais: XP, BTG Pactual, Nubank e Inter. “A XP é um claro vencedor nesse mercado, BTG Pactual fez um trabalho muito bom e continua fazendo, o Inter, que querendo ou não tinha uma plataforma de investimentos que era relativamente pequena, já dobrou de um ano para cá, o Nubank com a Easynvest e com 40 milhões de clientes”.

Texto: Letícia Matsuura
Edição: Melina Flynn
Arte: Vinícius Martins / TC Mover


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