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Especial: Raízen (RAIZ4) estreia na bolsa com queda e múltiplos aquém de rivais

Postado por: TC Mover em 05/08/2021 às 18:05
Raízen estreia com queda

São Paulo, 5 de agosto  – A Raízen estreou na bolsa brasileira nesta quinta-feira, 5, com queda e precificada a múltiplos abaixo das pares globais em biocombustíveis. Isto sinaliza que as vantagens de ser a única companhia no mundo com produção em escala comercial de etanol de segunda geração e atuação totalmente integrada ainda não estão bem percebidas pelo investidor local ou estrangeiro.

O papel preferencial da empresa, que tem como seus acionistas controladores a Cosan (CSAN3) e a anglo-holandesa Royal Dutch Shell, abriu em alta após leilão que durou cerca de 20 minutos. Por volta do meio-dia, o papel virou e fechou em queda de 2,70%, cotado a R$7,20. Negociada com o código “RAIZ4” na B3, a ação foi precificada no piso da faixa indicativa, a R$7,40. O intervalo sugerido para o IPO ia até R$9,60 por ação.

Raízen foi avaliada como a quarta maior companhia brasileira

A empresa levantou R$6,9 bilhões em oferta pública inicial finalizada na terça-feira, 3. A transação, conhecida como IPO na sigla em inglês, avaliou a Raízen como a quarta maior companhia brasileira, com valor de mercado de R$76 bilhões, na esteira de uma estratégia que a posicionou como líder no mundo em biocombustíveis, referência global em sustentabilidade e pioneira em energia renovável.

No preço do IPO, o papel ficou avaliado em quase 9 vezes o lucro esperado para esse ano, mais perto de produtoras de açúcar e etanol como a São Martinho, que negocia a 9,38 vezes, do que de gigantes globais de energia renovável, como a finlandesa Neste, a portuguesa Galp ou a austríaca OMV, cujos múltiplos preço/lucro atingem 29,6 vezes, 11,3 vezes e 9,9 vezes, respectivamente.

Eleven sugeriu entrar em IPO da Raízen por ESG e oportunidades de aquisição

Analistas de casas como a Eleven Financial tinham sugerido ao investidor entrar no IPO, citando o aumento de foco em renováveis, as oportunidades de aquisição e a vice-liderança no setor de distribuição de combustíveis no país.

O apelo aos temas de meio ambiente, sociedade e governança, conhecidos pela sigla em inglês ESG, pesaram na recomendação. O IPO contou com a participação de investidores internacionais que não entravam em uma oferta inicial no Brasil há uma década, disse uma fonte próxima.

Pacífico não investiu por não ver prêmios sustentáveis no médio-longo prazo

Gestoras como a Pacífico, no entanto, não investiram. “O discurso que ouvimos está muito ancorado no valor das novas iniciativas em renováveis, notadamente o etanol de segunda geração. O etanol 2G é negociado hoje a prêmios muito elevados. Ainda não conseguimos ganhar confiança de que esses prêmios são sustentáveis no médio e longo prazo”, disse Pedro Acioli, sócio da gestora, nesta semana.

De qualquer forma, o IPO teve participação de mais de 100 investidores institucionais e a demanda superou em mais de 3 vezes o montante ofertado, excluindo as ordens firmes feitas pelos chamados âncoras, ou participantes principais, disse uma fonte ao Scoop by Mover dois dias atrás. Sessenta por cento dessas ordens vieram de investidores internacionais e de fundos categorizados como long-only. A alocação foi concentrada nos 20 maiores participantes, que receberam 80% das ações ofertadas, disse a mesma fonte.

Raízen quer ampliar presença em energia renovável e mais aportes em etanol e biogás

A Raízen encerrou o último ano-safra com lucro de R$1,5 bilhão e geração de lucro operacional medida pelo EBITDA de R$6,6 bilhões. Os investimentos somaram R$2,8 bilhões. Nos documentos do IPO, a empresa prevê ampliar presença em energia renovável, com mais geração a biomassa e expandindo os negócios em solar. A companhia também projeta mais aportes em etanol de primeira e segunda geração, biogás, cogeração e pellets.

A companhia espera ter até 20 plantas de etanol 2G operacionais até a safra 2030/31, além de até 39 unidades de biogás, segundo o prospecto da oferta. Em meio à preparação para o IPO, a Raízen inscreveu diversos projetos de geração de energia com biomassa, biogás e biometano em leilão do governo para novos empreendimentos agendado para setembro, conforme antecipado pelo Scoop by Mover.

O IPO da Raízen foi o maior do Brasil e da América Latina no ano, o quinto maior da B3 na história e o maior de uma empresa de energia na região. A Raízen contratou o BTG Pactual como coordenador líder do IPO. Além dele, também foram contratados Citigroup, Bank of America, Credit Suisse, Bradesco BBI, Santander, JPMorgan, XP, Safra, Scotiabank e HSBC.

Texto: Guillermo Parra-Bernal e Karine Sena
Edição:  Gustavo Boldrini e Letícia Matsuura
Arte: Vinícius Martins / Mover


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