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Especial: Restrições devem impactar ações de shoppings, que permanecem baratas

Postado por: TC Mover em 18/03/2021 às 14:42
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São Paulo, 18 de março – As novas restrições impostas até o final de março em algumas cidades brasileiras podem colocar por água abaixo a recuperação incipiente das administradoras de shoppings centers que era notada no final do ano passado, principalmente caso essas restrições sejam mantidas para abril. Mas, o setor, que ainda sente o peso do impacto da pandemia, pode se beneficiar da rotação dos investidores para ações de valor.

 

Administradoras voltadas para classes de média e baixa renda devem ser mais impactadas

Empresas como brMalls, Multiplan, JHSF, Iguatemi e Aliansce Sonae viram uma recuperação sequencial no quarto trimestre nas vendas no conceito mesmas-lojas, aluguéis e taxa de ocupação.

No entanto, com essas novas restrições, algumas administradoras de shoppings, especialmente aquelas voltadas para as classes de média e baixa renda, devem sentir um maior impacto com as restrições, já que seu público fica impedido de fazer aquisições, diz o analista da Mirae Asset, Fernando Bresciani.

Analista prevê recuperação em V com auxílio e flexibilização

Os shoppings foram abalados pela eclosão da pandemia da Covid-19, e cerca de 70,00% da área bruta comercial das empresas listadas no segmento estão agora fechadas devido a novas restrições. Entretanto, a vacância aumentou apenas dois pontos percentuais na base anual, em média, no quarto trimestre. Os aluguéis no conceito mesmas-lojas caíram entre 3,00% e 17,00%, de acordo com um estudo do BTG Pactual.

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Apesar de apresentarem, até o momento, alta acumulada no mês, as ações das cinco empresas do segmento mostram quedas entre 4,00% e 11,00% no ano.

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Arte: TC Mover

A situação mostra que a relação saudável com os lojistas e as administradoras de shoppings durante a pandemia pode ser colocada em teste mais uma vez. Já para Gustavo Cambauva, analista do BTG, mesmo com horários de funcionamento mais restritos e a capacidade reduzida, as vendas podem apresentar uma recuperação em forma de “V” em breve, se as restrições forem flexibilizadas e o auxílio emergencial voltar o mais rápido possível.

Ações de shoppings parecem estar atrás de outros setores, dizem analistas

De acordo com contribuidores do TC, como os analistas Felipe Souza e Hugo Queiroz, o investidor precisa ser cauteloso com setores cujo desempenho depende do fluxo de notícias relacionadas à Covid-19.

Mesmo assim, as ações dos shoppings parecem estar ainda atrás de outros setores em termos de recuperação. A média mostra que ainda estão entre 30,00% e 50,00% abaixo dos patamares pré-pandemia. O Ibovespa já zerou todas as suas perdas. O setor é negociado a uma margem de 300 pontos-base a 500 pontos-base sobre as taxas de juros reais de longo prazo, ante o histórico de 150 pontos a 250 pontos.

“O dono de shopping deve ter boa vontade com os lojistas assim como ocorreu no ano passado”, diz Bresciani. Uma questão importante levantada por ele são as negociações de aluguéis com os lojistas, que tendem a se tornar mais desafiadoras com alta na taxa básica de juros, a taxa Selic, agora fixada em 2,75%.

“Deve haver um reajuste, mas como fazê-lo com o shopping e o lojista não podendo vender”, apontou. Com isso, o repasse deve ficar represado pelo menos por ora, impactando na taxa de capitalização das administradoras de shoppings.

Descontos e isenções uniformes não devem ser empregados por administradoras

No entanto, descontos e isenções uniformes, como o que se viu em 2020, devem ficar de fora da estratégia das administradoras, de acordo com o presidente da brMalls, Ruy Kameyama, em recente teleconferência com investidores.

“No ano passado tivemos que ajudar mais os lojistas pela ausência de programas de fundos, pelo estágio inicial. Entendemos que, em 2021, a ajuda tem que ser pontual nas marcas mais impactadas, porque a pandemia não afeta todos os setores linearmente”, disse Kameyama.

Performance de vendas dos shoppings varia nas regiões do país

Para a brMalls, cujo portfólio é diversificado, Kameyama afirmou que existem diferenças na performance das vendas entre as regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul. Segundo ele, a melhor performance foi no Norte e no Nordeste. O presidente vê uma relação direta com o auxílio emergencial nessas regiões, que tiveram maior número de domicílios beneficiados.

A Aliansce Sonae é outra empresa que teve destaque de vendas nas regiões Norte e Nordeste, devido a um menor número de restrições nos horários de funcionamento dos shoppings em comparação com as demais regiões, segundo o presidente da companhia, Rafael Sales.

Desempenhos das ações das administradoras de shoppings

Perto das 14h40, o papel da brMalls (BRML3) caía 0,54%, cotado a R$9,18. As ações da Aliansce Sonae (ALSO3) e da JHSF (JHSF3) tinham quedas de 1,29%, a R$26,04, e 2,78%, a R$7,00, respectivamente.

No mesmo horário, a ação da Iguatemi (IGTA3) recuava 2,20%, a R$34,67. O papel da Multiplan (MULT3) caía 2,18%, a R$22,45. O Ibovespa registrava queda de 0,03%, aos 116,5 mil pontos.

Para acompanhar o desempenho das ações das administradoras de shoppings e de outras empresas, basta acessar o TC Matrix, ferramenta gratuita do TC.

Texto: Maria Luiza Dourado
Edição: Guillermo Parra-Bernal e João Pedro Malar
Arte: TC Mover


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