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Família controladora analisa venda da C&A (CEAB3) no Brasil, diz jornal

Postado por: TC Mover em 19/10/2020 às 15:55

São Paulo, 19 de outubro – Detentores de 65% da C&A, código CEAB3, no Brasil, a família holandesa Brenninkmeijer, fundadora da rede, estuda vender a operação brasileira, concentrando-se na Europa, segundo o jornal Valor Econômico. 

Os Brenninkmeijer teriam declarado aos fundos estrangeiros de private equity a intenção de analisar proposta de venda do ativo no Brasil. Neste ano, a família já vendeu as operações chinesa para o fundo Beijing Zhongke Tongrong e mexicana para a rede de moda local Axo.

Setor atingido pelo coronavírus

O setor de vestiário é um dos que mais sofreram com a crise causada pelo Covid-19. A C&A foi listada na bolsa em outubro de 2019 e o papel passou de R$16,50 para R$5,30 em meados de março, quando começou a política de isolamento social no Brasil. 

Em junho, as ações da C&A recuperaram parte do fôlego e passaram a ser negociadas na faixa dos R$13,00. O papel da empresa de moda opera em alta hoje, com aumento de 6,17% e cotada a R$13,60, por volta das 15h.

Brasil é o único mercado emergente da C&A

A C&A se faz presente em 18 países, majoritariamente na Europa. No México e na China, os Brenninkmeijer não abriram o capital, controlando 100% da varejista. Com a saída nos dois países, sobrou apenas o Brasil no mercado emergente.

A entrada da C&A na B3 diminuiu a participação das empresas Cofra Investments e Incas S.A. da família Brenninkmeijer de 100% para 65%. O direcionamento de 90% das ofertas primárias para pagamento de empréstimos e apenas 10% para expansão da varejista levou acionistas a questionar o interesse das empresas controladoras no mercado brasileiro. As vendas de ações secundárias, ou seja, venda de ativos já existentes e sem emissão de novas ações, renderam cerca de R$814 milhões.

Receita de R$1,2 bilhão em meio ano

A C&A é a quarta empresa do segmento em número de lojas, totalizando 288 no Brasil, e a terceira em receita, conforme relatório da Nord Research. A receita líquida da C&A no primeiro semestre deste ano foi de R$1,2 bilhão. Já a líder varejista de moda, Renner, arrecadou R$1,9 bilhão, sem contar com as outras marcas do grupo, nas 387 lojas espalhadas pelo país.

Impacto pode ser benéfico

Em algum grau, a notícia não chega a ser novidade devido aos recentes movimentos realizados na China e no México e está em linha com a estratégia global da C&A, diz a consultoria Levante. Além disso, o impacto na composição acionária da CEAB3 poderia ser categoricamente benéfico, com aumento da parcela das ações em livre negociação, o chamado free float.

A consultoria diz ainda que um possível novo controlador mais comprometido com a operação da C&A no Brasil poderia acelerar o processo de virada operacional necessário no momento, aumentando a área de vendas com abertura de novas lojas e crescimento das vendas nas lojas maduras, com investimentos no varejo eletrônico da marca.

Uso da marca

Mas o futuro comprador provavelmente terá que pagar royalties pelo uso da marca C&A no Brasil, o que reduzirá a competitividade.” Ou seja, a companhia terá uma despesa que as concorrentes não possuem, fator relevante em especial em um setor como o de varejo de moda, extremamente concorrido e com margens apertadas”, diz a Levante.

A consultoria acredita que, no curto prazo, o tom positivo da possível venda deva prevalecer e, por conta disso, espera impacto positivo no preço da CEAB3. A Levante observa também que o quadro societário da C&A conta com alguns acionistas minoritários de peso como a XP Asset, a Verde Asset e o Banco Itaú.

Texto: Letícia Matsuura
Edição: Angelo Pavini
Imagem: Divulgação

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