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IRB Brasil (IRBR3) anuncia emissão de R$900 milhões em debêntures

Postado por: TC Mover em 29/09/2020 às 16:53
IRB Brasil, a resseguradora cuja ação tem o pior desempenho no índice Bovespa neste ano, não pretende captar mais dinheiro novo na bolsa para cumprir os requerimentos legais de enquadramento técnico, disse o seu diretor-presidente, Antônio Cássio dos Santos, em entrevista ao programa “Café com Ferri”, do TradersClub.

O conselho de administração da IRB Brasil aprovou uma primeira emissão de debêntures simples, no valor de até R$900 milhões, com o objetivo de reenquadrar a maior resseguradora do país aos critérios de cobertura de provisões e margem de liquidez definidos pela Superintendência de Seguros Privados e pelo Conselho Monetário Nacional.

 

Segundo fato relevante divulgado pela companhia na noite de ontem, serão emitidas até 900 mil debêntures, em uma operação com esforços restritos, ou seja, voltada apenas para um grupo de investidores qualificados. A emissão está marcada para 15 de outubro próximo. Debêntures simples são instrumentos de dívida que não podem ser transformados em ações da empresa.

 

Vencimento das debêntures da IRB Brasil (IRBR3)

A IRB Brasil também informou que a emissão deve acontecer em duas séries, e acrescentou que parte dos recursos será usado para “fortalecer a estrutura de capital da companhia”. As debêntures da primeira série terão vencimento em outubro de 2023 e pagarão juros de 3,35 pontos percentuais acima da taxa CDI, como é conhecida o juro do depósito interbancário.

 

Enquanto isso, as debêntures emitidas na segunda série vencerão em outubro de 2026 e incidirão juros prefixados correspondentes ao que for maior entre um máximo de 6,15% ao ano e os rendimentos da NTN-B, títulos com rentabilidade vinculada à variação do IPCA, vincendos em 2026, “acrescida exponencialmente de spread ou sobretaxa de, no máximo, 3,85%”.

Enquadramento técnico

Em mensagem ao programa “Café com Ferri”, conduzido pelo trader e contribuidor do TC Rafael Ferri, Antônio Cássio dos Santos, diretor-presidente da IRB Brasil, afirmou que a resseguradora não precisaria de mais capital novo, ou seja, emitir mais ações, para o enquadramento técnico.

 

O desenquadramento nada mais é do que uma insuficiência na composição dos ativos garantidores de provisões técnicas, ou seja, uma falta de ativos líquidos mínimos exigidos pelos reguladores para cobrir sinistros. Embora a emissão de títulos de dívida não caracterize capital novo, a emissão implica um aumento no endividamento da empresa.

 

A ação da IRB Brasil, que acumula queda de 79% no ano e tem o pior desempenho entra as ações que compõem o índice Bovespa, avançava nesta terça-feira pelo sexto pregão seguido. É a maior sequência de altas do papel, que subia 1,52% a R$7,35 por volta das 16h45 de hoje, desde novembro de 2018.



IRB em crise

Maior resseguradora da América Latina e detentora de uma participação de mercado de 38% no Brasil, a IRB Brasil é considerada referência por sua solidez financeira e conhecimento técnico. A empresa, que manteve o monopólio no setor no país durante 69 anos, vem enfrentando uma crise desde fevereiro, após denúncias enviadas à Comissão de Valores Mobiliários pela gestora Squadra quanto a irregularidades contábeis nas suas demonstrações financeiras, que aumentavam artificialmente o lucro.

 

Texto: Ana Carolina Amaral
Edição: Guillermo Parra-Bernal
Imagem: Nathália Reiter/TC Mover

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