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JPMorgan (JPMC34) afasta temor de inadimplências pós-Covid no trimestre; ação sobe

Postado por: TC Mover em 13/10/2020 às 11:32
JPMorgan afastou o temor de que as inadimplências disparariam no terceiro trimestre, refletindo a estratégia do presidente-executivo Jamie Dimon de se antecipar a potenciais problemas de crédito. (Arte: TC Mover)

JPMorgan afastou o temor de que as inadimplências disparariam no terceiro trimestre, refletindo a estratégia do presidente-executivo Jamie Dimon de se antecipar a potenciais problemas de crédito. (Arte: TC Mover)

São Paulo, 13 de outubro – O balanço do JPMorgan Chase demonstrou, por ora, que o temor com uma disparada nas inadimplências por conta da crise causada pela pandemia do coronavírus foi exagerado. E o investidor reagiu bem ao anúncio, puxando a ação do gigante presidido pelo banqueiro Jamie Dimon para cima e cada vez mais perto dos maiores patamares desde junho. 

O maior banco comercial dos Estados Unidos divulgou, na manhã desta terça-feira, lucro líquido de US$9,443 bilhões no terceiro trimestre, ou US$2,92 por ação, acima das expectativas, após a redução das provisões compensar pela queda na receita total na esteira de juros quase zero no país. O consenso aguardava lucro de US$2,23 por ação. 

A ação subiu 0,69% na abertura do pregão na Bolsa de Nova Iorque desta terça-feira, cotada a US$103,14. No Brasil, o recibo de ações do JPMorgan fechou na sexta passada cotado a R$279,83. Ontem a B3 esteve fechada por conta de feriado nacional no Brasil. 

Contudo, a receita total caiu para US$29,941 bilhões, ante US$30,014 bilhões no mesmo período do ano anterior. O consenso esperava receita de $28,22 bilhões. 

A margem financeira com juros, que não é mais do que o resultado das operações de crédito com indivíduos e empresas, caiu 9%, para US$13,1 bilhões, enquanto a receita não-juros, que envolve serviços como cartões, seguros e assessoria de investimentos para clientes, aumentou 7%, para US$16,8 bilhões. 

Confira o release dos resultados do balanço do terceiro trimestre da JPMorgan clicando aqui

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O banco reservou US$611 milhões em provisões para perdas com empréstimos, quase 60% a menos na base anual. As baixas líquidas caíram de US$1,2 bilhão para US$191 milhões. 

Os dados confirmam que a decisão de JPMorgan e outros bancos americanos de postergar vencimentos e alongar prazos está ajudando consumidores e empresas a continuarem adimplentes. Isso ajudou a reduzir o custo de crédito, que envolve gastos na originação de crédito e as perdas por empréstimos de liquidação duvidosa, no trimestre. 

“A receita veio acima da previsão e vimos que todos os segmentos de negócio mostraram desempenhos melhores do que esperado: as despesas foram menores mesmo com receita maiores, e a maior surpresa veio do custo de crédito materialmente inferior ao previsto”, de acordo com Susan Roth Katzke, analista do Credit Suisse. 

Em relação ao custo de crédito, ela destaca, houve menores taxas de perda de empréstimos, modesta liberação das reservas para perdas com empréstimos – o que, segundo ela, demonstrou “a adequada construção de provisões no semestre anterior”. JPMorgan provisionou quase US$10 bilhões para se proteger da inadimplência entre março e junho.

ETF de bancos, o SPDR XLF (XLF) sobe com os resultados

As ações do Citigroup (CGTP34), outro dos grandes bancos americanos que reportaram resultados hoje, chegaram a subir 2,4% no pré-mercado, mas caíam 1,2% na abertura desta terça-feira. O banco, que será comandado por Jane Fraser a partir de fevereiro, reportou lucro e receita no terceiro trimestre acima das expectativas, ajudado pela força nos negócios de clientes institucionais, assim como custos de crédito bem abaixo do consenso. 

O lucro líquido do banco nova-iorquino caiu de US$4,9 bilhões, ou US$2,07 por ação, um ano atrás, para US$3,2 bilhões, ou US$1,40 por ação, no terceiro trimestre. Apesar disso, os resultados vieram acima do consenso de US$0,91 para o lucro. 

O ETF XLF, que agrupa as ações dos bancos e empresas financeiras não-bancárias mais importantes dos EUA, avançava 0,43% em Nova Iorque.

Dimon se mostra otimista com JPMorgan (JPMC34)

“Mantivemos nossas reservas de crédito acumuladas em US$34 bilhões, dada a incerteza econômica significativa e uma ampla gama de cenários potenciais”, disse o presidente-executivo Jamie Dimon em comunicado, notando que o JPMorgan “fortaleceu ainda mais seu capital e posição e fontes de liquidez para US$1,3 trilhão”. 

A receita global do banco de investimentos aumentou 9%, para US$2,2 bilhões, em meio a volumes recordes de ofertas de capital ao longo da pandemia. A receita no segmento de mercados – que inclui renda fixa e renda variável – aumentou 30%, para US$6,6 bilhões. 

Para o contribuidor TC e analista Hugo Queiroz, os bons resultados do JPMorgan podem impactar de forma indireta e positiva as ações dos bancos brasileiros no pregão de hoje. 

Qual a história do JPMorgan (JPMC34)

Fundado em 1799 como o Manhattan Co, o JPMorgan Chase se ergueu como banco líder global em serviços financeiros mediante uma série de fusões. Um dos seus princpais líderes for John Pierpont Morgan, o principal financiador de estradas de ferro nos EUAS no século XIX. 

Hoje, o banco possui sede em Nova Iorque. A empresa opera em mais de 100 países e está no Brasil há mais de 50 anos. Entre seus serviços ele oferece: operações de Investment Banking, Global Corporate Banking, Gestão de Recursos, Tesouraria e Custodia e Gestão de Fortunas.

Texto: Ana Carolina Amaral

Edição: Guillermo Parra-Bernal

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