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Localiza (RENT3) e Unidas (LCAM3) anunciam megafusão e ações do setor sobem

Postado por: TC Mover em 23/09/2020 às 9:31
Localiza e Unidas, as duas maiores locadoras de carros da América Latina, informaram, na madrugada desta quarta-feira, que assinaram acordo de incorporação de ações - o que tornaria a empresa resultante da fusão em um gigante de quase R$50 bilhões em valor de mercado, R$16 bilhões em receitas e dona de uma frota de quase meio milhão de veículos.

  • Empresas querem formar gigante de quase R$50 bilhões em valor de mercado
  • Excesso de concentração de mercado pode desafiar fusão, apontam analistas
  • Plano de combinação de negócios acontece em meio a pandemia da Covid-19
  • União Localiza-Unidas se torna primeira megafusão no Brasil após pandemia

São Paulo, 23 de setembro de 2020Localiza e Unidas, as duas maiores locadoras de carros da América Latina, informaram, na madrugada desta quarta-feira, que assinaram acordo de incorporação de ações – o que tornaria a empresa resultante da fusão em um gigante de quase R$50 bilhões em valor de mercado, R$16 bilhões em receitas e dona de uma frota de quase meio milhão de veículos.

 

A operação, se aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica, dará origem a uma empresa protagonista do desenvolvimento de soluções do segmento. “Com tecnologia de ponta, a soma dos melhores talentos, a forte reputação das marcas e a experiência de anos de mercado, esperamos nos tornar referência global em mobilidade e contribuir para a transformação desse mercado cada vez mais competitivo”, afirma Eugênio Mattar, diretor-presidente da Localiza.

 

O EBITDA combinado das duas empresas atingiria pouco mais de R$3,5 bilhões. Em fatos relevantes separados, as empresas disseram que a transação resultará em uma união que forneça soluções inovadoras em mobilidade, com escala global. “A integração deverá promover sinergias e aumentos de eficiência na companhia combinada resultante da incorporação de ações”, disse a Unidas em comunicado.

 

Pelos termos da transação, os acionistas da Unidas receberão 0,44682380 ação ordinária de emissão da Localiza em substituição a cada uma ação da Unidas por eles detidas na data de fechamento. A Unidas deve pagar R$425 milhões em dividendos aos seus acionistas, sujeito ao negócio e ao cumprimento de várias condições.

 

A ação ordinária da Unidas acumula queda de 4,87% no ano, enquanto a da Localiza registra alta de 9,71% no mesmo período. A ação da rival Movida, que tem mais do que dobrado em valor nos últimos seis meses, “pode sentir o impacto do anúncio”, disse o investidor e contribuidor do TC André Almeida.

 

O negócio “é positivo para ambas as companhias,” disse Regis Cardoso, analista do Credit Suisse, que destacou como desafio a aprovação regulatória da fusão por parte do Cade. Já Victor Misuzaki, do Bradesco BBI, destacou que a criação do criação deste “novo gigante verde”, em alusão à cor do logo da Localiza, “resultará em ganhos de sinergia na compra de carros novos e menores despesas gerais e administrativas, que em nossa opinião não se refletem no atual preço das ações”.

Arte: Nathália Reiter/TC Mover


Por volta do meio-dia, a ação ON da Localiza disparava quase 13%, maior alta desde começo de abril e atingia a máxima histórica de R$58,50. Unidas ON avançava 18%, maior ganho intra diário desde março, cotada a R$25,00 – melhor patamar desde fevereiro. Já a Movida subia pelo segundo dia e negociava perto do maior patamar em seis meses.

 

Ações Localiza (RENT3) e Unidas (LCAM3) hoje

 

Localiza (RENT3)




Unidas (LCAM3)




Primeira megafusão no Brasil desde o início da pandemia

A combinação entre a Localiza e a Unidas seria a primeira megafusão no Brasil desde a eclosão da Covid-19 e acontece em meio a uma crise no setor de locação – marcado por restrições de mobilidade, redução da demanda, a parada parcial dos aeroportos o custo de manutenção das frotas.

 

No mundo, uma das empresas pioneiras no segmento, a americana Hertz anunciou em maio o fechamento de quase 600 locais e pediu recuperação judicial nos Estados Unidos, enquanto a rival Avis reduziu sua força de trabalho e sua frota em 70% e 20%, respectivamente.

 

As empresas no setor também vêm se adaptando a uma dinâmica nova no mercado, imposta pelo compartilhamento de veículos e a demanda por serviços de mobilidade.

 

No Brasil, a receita por locação de veículos caiu aproximadamente pela metade em abril, se recuperando em meses posteriores. A decisão de combinar as duas companhias, que estão sediadas em Minas Gerais e são geridas por famílias com longa experiência no setor, deve ser testada pelo Cade, Conselho Administrativo de Defesa Econômica, por conta de uma potencial concentração de poder de mercado em algumas regiões do país, disseram gestores e analistas.

 

Dois anos atrás, Unidas foi criada após se juntar com a Locamérica. A família Mattar, que controla a Localiza com os Brandão, devem ficar com quase 17% da empresa nova, enquanto as famílias Porto e Resende – fundadoras da Locamérica e maiores acionistas da Unidas – devem deter pouco mais de 5%, disse uma fonte com conhecimento da transação à TC Mover. 

 

Localiza foi assessorada pelo Bank of America, enquanto a Unidas foi assessorada pelo Itaú BBA na transação. Três escritórios de advocacia foram contratados para tocar a fusão e o processo de avaliação antitruste ante o Cade, disse a fonte.

 

Falência da Hertz

O setor de locação foi um dos que mais sofreu com a pandemia de coronavírus no mundo todo, o que explica as movimentações de reestruturação de operações e fusões e aquisições das empresas para compensar em escala as perdas de mercado.

 

Um exemplo é a empresa de aluguel de carros Hertz, uma das pioneiras no segmento, que anunciou na última sexta-feira, 22, o seu pedido de falência nos Estados Unidos e Canadá. Segundo comunicado emitido pela empresa, “o impacto da Covid-19 na demanda de viagens foi repentino e dramático, levando a uma queda acentuada na receita da empresa e reservas futuras.”

 

A Hertz optou por concentrar seus negócios nos principais mercados, que incluem a Europa, Austrália e Nova Zelândia e não entraram no pedido de falência. Além disso, as franquias Hertz também não fazem parte do pedido, tendo em vista que elas não pertencem à empresa.

 

A Hertz alegou ter tomado medidas imediatas para priorizar a saúde e segurança de seus funcionários e clientes, além de eliminar “todas as despesas não essenciais”. No entanto, a incerteza sobre o retorno das receitas e a reabertura de vendas nos mercados de veículos seminovos permanece.

 

No final de abril, a Hertz já havia anunciado um corte de 10 mil empregos na América do Norte, número que representa 26,3% da sua força de trabalho global, a fim de economizar dinheiro por conta da paralisação de viagens e economia. No dia do anúncio do pedido de falência, a empresa explicou que demitiu metade da sua força de trabalho global, o que equivale a 20 mil pessoas.

Futuro do mercado de mobilidade

O isolamento causado pela pandemia do novo coronavírus teve impacto direto no mercado de mobilidade, principalmente para aqueles que oferecem locação de veículos. Normalmente ligado ao turismo e gestão de frotas para empresas, o setor vinha mudando seu perfil nos últimos anos com o crescimento da locação para aplicativos de transporte, como serviços de Uber, e que sofreram forte retração com as restrições causadas pela pandemia.

 

Com as pessoas retornando às ruas, mesmo que discretamente ainda em meio a pandemia, o setor vê um alívio de caixa na venda de parte de sua frota, pois houve um aumento no interesse na compra de veículos. Para quem tem condições de pagar, possuir um veículo próprio representa segurança contra o vírus neste momento.

 

Além da venda de veículos, o setor de rent a car deve ter um alívio também porque mais pessoas devem tentar evitar o transporte público e nem todos podem comprar um carro. Muitas pessoas optam pela locação também por aversão ao compromisso de manter um ativo caro por tanto tempo, sem uso contínuo.

 

Mas, embora a demanda pela compra e locação de veículos tenha aumentado, analistas acreditam que é possível que os números nunca voltem a ser como antes da pandemia.

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