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Raízen busca R$7 bilhões em um dos maiores IPOs da história

Postado por: TC Mover em 14/07/2021 às 16:32

São Paulo, 14 de junho – Em um mundo cada vez mais focado na busca de fontes de energia alternativas ao carbono, a Raízen pode chegar à B3 levantando cerca de R$7 bilhões, entrando na lista das cinco maiores ofertas públicas iniciais de ações, IPOs na sigla em inglês, da história da bolsa brasileira.

A companhia, associação entre a Cosan e a Royal-Dutch Shell focada na produção de açúcar e etanol e distribuição de combustíveis, informou ao mercado que fará uma oferta primária de 810,8 milhões de ações preferenciais, com uma faixa indicativa de preço variando entre R$7,40 e R$9,60.

IPO da Raízen segue estratégia da Cosan de listar subsidiárias após reorganização societária

Levando em conta o centro da faixa, em R$8,50, a Raízen pode levantar quase R$7 bilhões. O valor seria semelhante ao movimentado pela petroleira OGX em 2008, quando abriu seu capital.

A chegada da empresa à B3 faz parte da estratégia da Cosan de listar suas subsidiárias após a reorganização societária da companhia, com o objetivo de gerar mais liquidez em meio ao momento global amplamente favorável às commodities. A Compass, subsidiária de gás natural, também se prepara para abrir capital. A Raízen deve precificar sua oferta em 3 de agosto e estrear na B3 em 5 de agosto, com o código RAIZ4.

Um longo caminho para o IPO

O IPO representa um processo para que uma companhia se torne uma empresa de capital aberto. Assim, marca o momento em que ela passa a vender ações pela primeira vez, ou seja, a entrada na Bolsa de Valores.

Antes de concluir o IPO e ter ações listadas na B3, uma empresa que deseja abrir seu capital, como a Raízen, precisa passar por diversos processos e atender às exigências da Comissão de Valores Mobiliários, CVM.

Após a venda em oferta pública, os papéis da empresa passam a ser negociados no pregão da bolsa pelos acionistas compradores. O IPO pode ser primário, quando a venda é de novas ações e capitalização da empresa, ou secundário, quando os sócios da companhia vendem ações já existentes.

Legislação exige auditoria externa, reuniões e registro para realização de IPO

Quando a empresa abre o capital na bolsa, caso da Raízen, os donos precisam dividir as decisões e prestar contas aos demais acionistas, que passam a ter representantes no Conselho e participam das assembleias. É necessário também fornecer informações periódicas para o mercado. Entre elas estão o desempenho e como será usado o dinheiro captado. Ela se compromete a divulgar todos os fatos relevantes que envolvem o negócio ou a gestão da empresa e que interessem aos acionistas e ao mercado em geral.

A legislação exige alguns passos antes da empresa realizar o IPO. Primeiro, devem se submeter a uma auditoria externa financeira. Depois, preparar os roadshows, reuniões com o objetivo de apresentar os negócios aos potenciais investidores. Então, o registro de companhia aberta classe A, que permite ações em bolsa, deve ser feito na CVM. É preciso providenciar também a listagem na B3.

Depois, a empresa faz um documento chamado de prospecto, que contém todas as informações sobre o negócio e a oferta. O texto inclui os objetivos dos recursos, perspectivas de mercado e os riscos do negócio. Com isso, chega o período de reserva, prazo de alguns dias para os investidores pedirem as ações junto aos bancos e corretoras que participam da oferta, processo pelo qual a Raízen também passará.

Entrega de ações a investidores e estreia na B3 concluirá IPO da Raízen

Em muitos casos, as empresas que realizam os IPOs definem prazos para os investidores venderem as ações após a oferta, para evitar os chamados flippers, investidores que compram as ações para vendê-las no primeiro dia de negociação apostando na alta dos papéis.

O processo de venda da oferta inicial é chamado de bookbuilding, que indica o volume de interesse pelos papéis e o preço que os investidores estão dispostos a pagar. Depois de todo esse processo, as ações são entregues aos investidores e chega o dia da estreia da empresa na B3, que no caso da Raízen está previsto para 5 de agosto. O desempenho dos papéis neste dia indica como o mercado recebeu a nova companhia. Saiba mais sobre o processo os IPOs baixando o e-book que o TC School preparou.

Desempenho das ações da Cosan (CSAN3)

Perto das 16h30, o papel ordinário da Cosan (CSAN3) subia 1,29%, cotado a R$26,73. Impulsionada pelo ciclo das commodities e pelo bom momento operacional, a ação valorização de 45,39% nos últimos 12 meses. No mesmo horário, o Ibovespa operava em alta de 0,13%, aos 128,3 mil pontos.Desempenho das ações da Cosan

Para acompanhar o desempenho das ações da controladora da Raízen e de outras empresas, basta acessar o TC Matrix, ferramenta gratuita do TC.

Texto: Gustavo Boldrini
Edição: Guilherme Dogo e João Pedro Malar
Arte: Vinícius Martins / TC Mover


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