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Sardinhas em fúria com leilões de IRB Brasil (IRBR3) ameaçam ações contra a bolsa

Postado por: TC Mover em 29/01/2021 às 17:51
IRB

São Paulo, 29 de janeiro – A estratégia da B3 de realizar leilões praticamente consecutivos das ações da IRB Brasil, código IRBR3, durante todo o pregão de hoje complicou a tentativa de grupos de pequenos investidores de tentar puxar os preços dos papéis e forçar fundos a cobrirem suas posições vendidas a qualquer preço, provocando o chamado “short squeeze”.

Os papéis, que subiram 17% ontem, estavam agora à tarde em queda de quase 6%. Revoltados, os “sardinhas” ameaçam nas redes sociais entrar com ações contra a bolsa na Comissão de Valores Mobiliários, a CVM, e contra o próprio órgão regulador, que hoje divulgou comunicado informando que a combinação para forçar um “short squeeze” caracterizaria manipulação de preços.

Um dos textos sugeridos para as reclamações diz que “A CVM junto com a B3, com o falso pretexto da proteção dos pequenos investidores, está, na presente data, impedindo a Livre negociação das ações IRBR3. A ação entra em leilão, fica por 1 hora, saí do Leilão e entra novamente, repetidas vezes.”

Segundo o texto, “não se combate uma possível ilegalidade e manipulação, com outra, como está fazendo Bovespa e CVM. Não se impede, praticamente, durante todo o dia, que acionistas possam vender e comprar livremente suas ações. É imoral, sobretudo. E não me engano, a CVM só faz esses movimentos quando isso é de interesse de grandes grupos econômicos.”

Há vários grupos sendo organizados no Brasil para promover a compra das ações do IRB, o maior deles com quase 40 mil inscritos. Mas há também grupos de “short squeeze” para as ações da Cogna, código COGN3, Oi, código OIBR3 e Cielo, código CIEL3, com número bem menor de participantes,

Órgão regulatório americano vai investigar possíveis manipulações

A articulação dos investidores de varejo para puxar os preços de determinados papéis segue a onda iniciada nos Estados Unidos com empresas de baixa liquidez e perspectivas sofríveis, como a rede de lojas de videogames GameStop, a rede de cinemas AMC Entertainment e a fabricante de fones de ouvido Koss. Com ações coordenadas em grupos nas redes sociais, os investidores forçaram grandes fundos hedge a zerar posições vendidas, o que fez os preços dos papéis dispararem.

GameStop sobe 1.462% no mês, AMC 497% e Koss 2.080%. A alta levou corretoras como a Robinhood a limitar as operações com esses papéis na quinta-feira, afrouxadas hoje, provocando também ações de investidores. Hoje, a Securities and Exchange Commission, órgão regulador do mercado americano, afirmou que vai investigar possíveis manipulações, mas também o comportamento das corretoras.

 

No Brasil, a possibilidade de controle sobre as operações é maior pois há apenas uma plataforma de negociação, a B3. Nos Estados Unidos, há várias plataformas de negociação e uma restrição levaria a uma migração dos investidores a outro prestador de serviços. A legislação brasileira também é mais detalhista sobre a manipulação de mercado e permite maiores controles da bolsa, tanto nas regras de negociação e de garantias quanto na fiscalização das operações.

Desempenho das ações da IRB Brasil (IRBR3)

IRB

Por volta das 17h20, a ação ordinária da IRB Brasil, código IRBR3, derretia 5,22%, a R$7,27. Já outro papel da Oi, que também está na mira dos “sardinhas”, código OIBR3, caía 0,95%, a R$2,08, e a Cielo, código CIEL3, subia 1,21% a R$4,18. O Ibovespa cedia 2,17%, voltando aos 116 mil pontos. Para acompanhar o desempenho destas e de outras empresas, basta acessar o TC Matrix, ferramenta gratuita do TC.

Texto: Angelo Pavini
Edição: Letícia Matsuura
Arte: TC Mover

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