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Siderúrgicas devem ter melhor trimestre, refletindo reajustes e estoques

Postado por: TC Mover em 22/04/2021 às 23:34
imposto - siderúrgicas

São Paulo, 22 de abril – As siderúrgicas brasileiras listadas em bolsa devem ter seu melhor trimestre em mais de 13 anos, na esteira da demanda aquecida, espaços para mais reajustes de preços e estoques de aços planos e longos em queda, de acordo com analistas e contribuidores do TC.


Siderúrgicas devem superar balanço do trimestre anterior, estima Eleven Financial

Assim como o esperado para o setor da mineração, as companhias siderúrgicas devem reportar um primeiro trimestre forte, inclusive mais positivo que o quarto trimestre do ano passado, disse Lucas Chaves, analista da Eleven Financial. Para ele, o impulso na incorporação e a retomada de projetos de infraestrutura no país devem favorecer sobretudo os resultados de Gerdau, maior produtora de aços longos das Américas.

Essa visão positiva do setor não vista quiçá desde os meses prévios à Crise Financeira de 2008 tem ajudado os preços das ações de Gerdau, Usiminas e CSN a renderem quase cinco vezes mais nos últimos doze meses. As usinas continuaram direcionando suas vendas para o mercado interno, na busca por maiores margens e espaço para reajustes de preços.

A escassez de laminados e vergalhões deve permitir que as siderúrgicas “implementem facilmente os aumentos de preços anunciados anteriormente e anunciem novas rodadas nos próximos meses”, disse Leonardo Correa, analista do BTG Pactual.


Receita da Usiminas deve disparar e da CSN dobrar

No caso da Usiminas, que divulga resultados amanhã de manhã, a receita líquida deve disparar no trimestre, para R$6,81 bilhões, na esteira de uma produção de laminados 20% acima do observado um ano atrás, reajustes a montadores e distribuidoras de aços e controles de despesas. O lucro operacional medido pelo EBITDA deve atingir R$1,90 bilhão e o lucro líquido algo perto dos R$970,5 milhões – revertendo prejuízo um ano antes do esperado.

Já a CSN deve dobrar a receita líquida na base anual, para R$12,1 bilhões por conta do maior preço do minério e vendas sólidas no segmento de siderurgia. O EBITDA deve mais do que triplicar na base anual, a R$6,68 bilhões, refletindo os reajustes de preços e a alta do minério na China, apesar do custo mais alto de matérias-primas como o coque. O lucro líquido pode chegar a R$3,91 bilhões, influenciado pelos ganhos aferidos com a oferta inicial da CSN Mineração, lançada em janeiro. CSN publica seu balanço trimestral em 28 de abril.


Gerdau deve registrar alta de 700% no Ebitda

A Gerdau deve refletir embarques de aços longos registrando forte expansão anual e antever demanda resiliente no segundo trimestre. Segundo contribuidores do TC como Israel Massa, o fechamento de negócios ao longo do país deve ter ajudado a Gerdau a agilizar a recomposição de estoques. A prévia colhida pela TC Mover projeta receita líquida de R$15,2 bilhões, EBITDA de R$3,81 bilhões e lucro líquido de R$1,77 bilhão, representando altas acima de 65%, 230% e 700% ante os patamares vistos um ano atrás. A empresa divulga resultados em 6 de maio.

A perspectiva é de que no segundo trimestre as siderúrgicas mantenham um nível parecido de resultados “tanto por recomposição de estoque nacional e internacional, quanto pela perspectiva de recuperação doméstica nos setores de construção civil, infraestrutura e indústria”, disse Lucas Uhlig, investidor e contribuidor do TC.


Desempenho das ações das siderúrgicas

O papel preferencial classe A da Usiminas (USIM5) subiu 5,36%, a R$22,21, enquanto a ação ordinária da CSN (CSNA3) avançou 4,41%, a R$48,72. Já a Gerdau (GGBR4) encerrou o dia em alta de 3,19%, a R$33,30. Apesar dos ganhos do setor, o Ibovespa fechou em queda de 0,58%, voltando aos 119 mil pontos, puxado pelo varejo.


Ação da Usiminas -USIM5


Para acompanhar o desempenho das ações das empresas siderúrgicas e de outros setores, basta acessar o TC Matrix, ferramenta gratuita do TC.

Texto: Guillermo Parra-Bernal
Edição: Karine Sena e Letícia Matsuura
Arte: TC Mover


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