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Entrar em IPO de ações vale a pena? Ganhos de 240% e perdas de 55%

Postado por: TC Mover em 22/09/2020 às 14:14

As ofertas públicas iniciais, ou IPOs na sigla em inglês, voltaram com força este ano, impulsionadas pelo juro baixo que aumenta a procura por ações, e pela falta de opções para as empresas financiarem seu crescimento após o BNDES fechar suas torneiras.

 

Pelo menos 55 empresas pediram registro de ofertas de ações iniciais na Comissão de Valores Mobiliários em 2020. Desse total, 13 já estão sendo negociadas na bolsa B3 e 42 aguardam aprovação da CVM ou melhores condições de mercado. Confira abaixo a oscilação dos preços dessas ações desde sua estreia.



O desempenho dos papéis das estreantes varia bastante, indo de um ganho de 240% da empresa de hospedagem de sites Locaweb até queda de 55% da companhia imobiliária Moura Dubeaux, conforme levantamento feito pela Economatica para a Mover. O que mostra o risco desse tipo de aplicação para o investidor.

Entenda o desempenho das estreantes com ações na Bolsa

Das 13 ações acompanhadas, sete estão sendo negociadas abaixo do valor de lançamento, o que pode indicar um certo otimismo exagerado em torno das empresas iniciantes, explica Arlindo Souza, coordenador de conteúdo educacional do TC School. Assim, algumas podem disparar, caso de Locaweb e da Petz, que saiu valendo 50 vezes o lucro projetado e já subia mais de 10% até dia 18, ou ter fortes quedas, como Moura Dubeaux.

Há casos de investidores que compram os papéis para vender logo no lançamento, apostando na disparada das ações, apelidados de flippers. Pegos no contrapé com estreias negativas, esses investidores aumentam ainda mais a queda dos papéis. Por isso, muitas empresas acabaram criando exigências de prazo mínimo para quem compra as ações, os chamados lockups. Normalmente aplicados aos controladores, como fez a BR Partners, como demonstração de compromisso dos sócios com a empresa, esses lockups generalizados podem acelerar as quedas quando vencerem.

Em geral, os bancos organizadores das ofertas evitam vender suas ações pelo preço máximo no IPO, justamente para guardar alguma “gordura” para quando os papéis estrearem no mercado. Mas nem sempre essa estratégia é seguida. A avaliação do desempenho de algumas ações também abrange um período curto, alguns dias apenas, e é preciso dar um desconto para empresas que ainda vão usar os recursos captados e começar a colocar em prática suas estratégias para crescer.

Por enquanto, porém, é possível identificar alguns motivos para esses desempenhos tão diferentes. A Moura Dubeux, e a Mitre, por exemplo, estão em um setor que já conta com muitas empresas na bolsa, o imobiliário. “São cerca de 40 empresas no ramo, isso dá uma saturada no mercado”, afirma Souza. Ao mesmo tempo, Locaweb é praticamente a única empresa de hospedagem de sites e uma das poucas do cobiçado setor de tecnologia na bolsa brasileira. “Há uma expectativa de grande crescimento”, explica Souza. Outras que vierem podem não ter o mesmo desempenho.

Também de setores novos na bolsa, Quero-Quero, rede de materiais de construção, Petz, de produtos para animais de estimação, e Ambipar, de tratamento de resíduos, conseguiram bons retornos desde seu lançamento. Já a D1000 Farma está em um segmento em que a concorrência é forte, o que pode explicar a queda de 41%.

A procura antes do IPO também dá uma pista para o desempenho após a estreia. A PlanoePlano não conseguiu vender as ações no IPO pelo piso inicial e teve de reduzir o preço de R$13,00 para cerca de R$10,00 e caía 4% após a estreia. Já a Petz saiu acima do teto e continuou subindo.

O que analisar antes de entrar em um IPO de ações

Para os próximos IPOs, Souza sugere ao investidor olhar o setor da empresa, se está muito saturado na bolsa. Também é importante olhar o tipo de oferta, se é em sua maior parte de ações novas, destinadas a financiar o crescimento da empresa, ou se é secundária, de papéis de sócios que querem reduzir a participação ou sair do negócio. Mesmo no caso das emissões primárias, é preciso ver o que a empresa pretende fazer com o dinheiro. Ele cita o caso da Track&Field, que vai levantar recursos para pagar dívidas com os sócios.

É preciso também destinar um bom tempo para analisar o prospecto da oferta, especialmente os fatores de risco. A Oceana Offshore, por exemplo, tem uma operação interessante de embarcações petrolíferas na costa brasileira, mas mais de 90% dos contratos são com a Petrobras. “Se você se sente confortável com uma concentração dessas em um único cliente, tudo bem”, diz. Fatores relacionados a governança, sustentabilidade também são importantes.

Souza observa também que a imensa onda de IPOs acaba provocando uma saturação de informações no mercado, com uma lista imensa de empresas, cada uma com prospectos de até mil páginas, mais formulários de referência e balanços. “O investidor individual fica com uma capacidade limitada para analisar com calma todas essas informações e tomar uma decisão racional”, diz. Tudo isso sem contar ainda com aquilo que os prospectos não contam, como o fato de algumas empresas “embelezarem” seus balanços para conseguir atrair mais investidores.

Para quem quiser saber mais sobre as ofertas iniciais, o TC School preparou um e-book sobre os IPOs.

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