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IGP-M desacelera para 3,23% em outubro, mas sobe 20,93% em 12 meses e puxa aluguel

Postado por: TC Mover em 29/10/2020 às 10:29
O Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M), calculado pela Fundação Getúlio Vargas, subiu 3,23% em outubro, menos que em setembro, quando havia apresentado alta de 4,34%.

São Paulo, 29 de outubro – O Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M), calculado pela Fundação Getúlio Vargas, subiu 3,23% em outubro, menos que em setembro, quando havia apresentado alta de 4,34%. 

A desaceleração veio principalmente dos preços no atacado, que têm peso de 60% no índice e haviam disparado nos meses anteriores. Mas os preços ao consumidor, com peso de 30%, e da construção, com 10%, aceleraram. 

Com este resultado, o índice acumula alta de 18,10% no ano e de 20,93% em 12 meses. O IGP-M é usado na correção de contratos, como aluguéis e de prestação de serviços, que sentirão o impacto da aceleração anual de mais de 20%. Em outubro de 2019, o índice havia subido 0,68% e acumulava alta de 3,15% em 12 meses.

IGP-M e IPCA: quais as diferenças?

A grande diferença entre o IGP-M e o IPCA, que sobe cerca de 3% em 12 meses, está nos preços no atacado, que são mais influenciados pela alta do dólar e pelo preço das matérias-primas, incluindo grãos, que dispararam nos últimos dois meses. 

Com a indústria e o comércio pagando mais caro, os preços no varejo também deveriam subir e pressionar o IPCA, mas isso é barrado pelo desaquecimento da economia e pela queda da renda de grande parte da população. Mas parte dos aumentos do atacado está se refletindo no varejo, mesmo que de forma mais discreta. 

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O que influenciou o resultado do IGP-M de outubro

O IGP-M de outubro foi influenciado pela trégua oferecida pelo minério de ferro, que contribuiu para a desaceleração da taxa do Índice de Preços ao Produtor, o IPA, de 5,92% para 4,15%, explica André Braz, coordenador dos índices de preços da FGV. A variação do preço da commodity passou de 10,81% para -0,71%, movimento que favoreceu o recuo da taxa do grupo matérias-primas brutas, de 10,23% em setembro para 5,55% em outubro. 

Os demais índices componentes do IGP-M, permaneceram em aceleração. O Índice de Preços ao Consumidor, o IPC, subiu 0,77%, ante 0,64% em setembro, alta influenciada pelo grupo alimentação, de 1,30% para 1,90%. Já o Índice Nacional da Construção Civil, INCC, acelerou de 1,15% para 1,69% graças à alta do grupo materiais e equipamentos, cuja taxa passou de 2,97% para 4,12%, afirma Braz.

Alta do IGP-M impacta principalmente nos valores de aluguéis

Um dos principais impactos da aceleração do IGP-M é nos aluguéis, que costumam ser corrigidos anualmente pelo índice. Mas uma alta de 20,93% em um momento de retração da economia e do emprego deve ser alvo de negociação entre inquilinos e proprietários, especialmente diante do mercado de locação ainda desaquecido. 

Um repasse do IGP-M de mais de 20% para parte dos preços, reflexo da indexação herdada do longo período de hiperinflação brasileira, é um dos riscos para o IPCA e para as metas de inflação do Banco Central. Apesar de o Comitê de Política Monetária relevar a aceleração recente do IPCA-15 e a disparada dos preços dos alimentos, a alta dos preços no atacado começa a pressionar os índices ao consumidor.  

Portanto, toda atenção deve estar nos próximos meses no comportamento do varejo, sob risco de o BC ter de subir antes do desejado a taxa de juros.

Texto: Angelo Pavini

Edição: Ana Carolina Amaral

Imagem: Divulgação

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