Mover

TC Leituras: sugestões para o final de semana

Postado por: TC Mover em 17/05/2019 às 11:23

Livro da semana: “Quando os gênios falham: ascensão e queda do Long-Term Capital Management”
Roger Lowenstein, um dos repórteres mais brilhantes que já passaram pelo The Wall Street Journal, é o autor de um dos livros mais apaixonantes sobre finanças já escritos neste século: a história do fundo criado por alguns dos maiores gestores de Wall Street e um par de prêmios Nobel de Economia, sintomática dos problemas do capitalismo de bancos. Lowenstein se debruça sobre a linha tênue entre a tomada de risco e a auto complacência. A história tem o hábito de se repetir e, desde a queda do fundo, em 1998, muitos casos similares têm emergido: as quebras dos bancos Bear Stearns e Lehman Brothers, os resgates a gigantes como UBS e Deutsche Bank, e os calotes da Argentina e da Grécia. O uso de modelos matemáticos complexos e a genialidade dos seus sócios, que de abril de 1994 a abril de 1998 transformaram cada dólar investido em quatro dólares, não impediram o naufrágio quando a maré virou. O incrível é ver que, 19 anos após ser publicado, a mesma história parece querer se desenrolar bem na nossa frente.
Ficha técnica: “When Genius Failed: The Rise and Fall of Long Term Capital Management”. Lowenstein, Roger. Editora William Collins. 290 páginas.

 

Liberalismo e dogmatismo (Valor)
O brilhante André Lara Resende traça um paralelo entre a crise vivida pela Grécia e o Brasil de hoje, criticando a aposta exagerada na reforma da Previdência como a forma de resolver todos os problemas do país e o ajuste fiscal de curto prazo: “Transformada num cavalo de batalha com o congresso, insistentemente bombardeada como imprescindível pela mídia, a reforma da Previdência, ainda que aprovada sem grande diluição, como os resultados não são imediatos, não será suficiente para resolver o problema fiscal dos próximos anos. Também não será capaz de despertar a fada das boas expectativas. Como demonstra de forma dramática a experiência recente da Grécia, a busca do equilíbrio fiscal no curto prazo, quando há desemprego e capacidade ociosa, não apenas agrava o quadro recessivo, como termina por aumentar o peso da dívida em relação ao PIB”.

 

Momentos decisivos para as universidades (UOL)
Na semana em que milhares de pessoas foram às ruas contra os cortes na educação, vale ler o texto de Bernardo Machado sobre o histórico das universidades brasileiras. Ele explica que, no Brasil, a experiência universitária foi razoavelmente tardia. Enquanto na América espanhola a metrópole espalhou logo nos primeiros anos cerca de 27 universidades em suas colônias, Portugal só se preocupou com educação formal por aqui em 1808, quando a corte deixou a Europa e D. João VI decidiu fomentar a criação de algumas escolas de ensino para oficiais, engenheiros civis e médicos. A primeira universidade de fato, no entanto, só surgiu em 1920, no Rio de Janeiro. Outra informação interessante se refere ao gasto com educação no país e há quem defenda que o valor investido já é adequado; “costuma-se incorrer em uma pequena imprecisão, avalia-se o valor do PIB destinado à educação sem considerar o número de pessoas em idade educacional (de 0 a 24 anos). Por exemplo, em 2014, a Alemanha destinou 4.9 % do PIB, o que correspondeu a 178 bilhões de dólares. Já o Brasil, em 2014, investiu 5,9% do PIB, ou 143 bilhões de dólares. Contudo, a Alemanha possui cerca de 18 milhões de pessoas em idade educacional, já no Brasil, são quase 80 milhões. Nesse caso, o valor do PIB aplicado por pessoa na Alemanha corresponde a US$ 11.200, e no Brasil, US$ 2.403.

 

(Foto: Manifestação contra os cortes na educação, no dia 15 de maio/ Nelson Almeida – AFP)

Mover Pro

Informação, análises e ideias de investimentos 24/7

Saiba Mais