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O debate Trump-Biden se resume a caos, poucas propostas e temor

Postado por: TC Mover em 30/09/2020 às 8:22
Quem esperava entender um pouco as ideias e propostas de cada candidato no primeiro confronto entre o republicano Donald Trump e seu opositor, o democrata Joe Biden, pode ter assistido, ontem à noite, ao pior debate nos 60 anos de história de transmissão ao vivo desse evento nas eleições presidenciais americanas.

Quem esperava entender um pouco as ideias e propostas de cada candidato no primeiro confronto entre o republicano Donald Trump e seu opositor, o democrata Joe Biden, pode ter assistido, ontem à noite, ao pior debate nos 60 anos de história de transmissão ao vivo desse evento nas eleições presidenciais americanas.


A troca de insultos e acusações e o desrespeito e as interrupções constantes praticamente durante o debate impediram as discussões e deixaram em uma situação constrangedora o mediador, o jornalista Chris Wallace, incapaz de colocar ordem na balbúrdia.


Trump conseguiu tirar Biden do sério, muitas vezes com acusações e informações falsas, tentando passar uma ideia de que o adversário é fraco e apoia grupos de esquerda radicais, e colocou em dúvida o sistema eleitoral americano, denunciando supostas fraudes que permitiram a contestação do resultado da eleição se ele perder.


Já Biden tentou passar uma imagem mais moderada, dirigindo-se várias vezes ao eleitor e pregando a união, mas perdeu a paciência, chamou Trump várias vezes de mentiroso e até de idiota, mandando-o calar a boca.


Até o Brasil foi parar no debate, quando Biden alertou para a destruição da Amazônia. Resta agora a esperança de que os próximos dois debates sejam um pouco mais produtivos. Nos momentos mais tensos do debate, Biden e o mediador pressionaram Trump a condenar atos de violência de supremacistas brancos, que apoiam o atual presidente. Trump hesitou, fez menção de concordar, para logo em seguida atacar os grupos antifascistas.


Confrontado com as críticas sobre a gestão da crise do coronavírus, Trump reagiu afirmando que os EUA terão uma vacina “em semanas” e que a vacinação será feita rapidamente com o uso das forças armadas.


Pouco depois, o atual presidente do país usou seu trunfo contra Biden, acusando o filho do democrata, Hunter Biden, de ter sido expulso das Forças Armadas por problemas com drogas e de ter recebido US$3,5 milhões do governo russo. Biden respondeu afirmando que o filho havia superado os problemas e que tinha orgulho de Hunter. E que a discussão naquele momento não era a família dele, mas a família americana.


Sobre ataques, Biden disse que com Trump o país ficou mais dividido, violento e mais fraco, chamando o atual presidente de boneco do presidente Vladimir Putin. Biden afirmou diversas vezes que quando foi vice deixou o país em crescimento, enquanto Trump causou recessão. Ele também afirmou que bilionários ficaram mais ricos por conta da crise de Covid-19 e que, com Trump, o país está vendo crime subir.


Biden prometeu ainda, se eleito, que ajustaria a taxa de impostos corporativos para 28% e incentivaria empresas a produzirem nos EUA. Disse que pretende retornar a tributação sobre os mais ricos para os níveis de antes do governo Trump e questionou o presidente sobre a denúncia de que ele praticamente não teria pago impostos nos últimos anos. Trump rebateu afirmando que pagou “milhões em impostos”.


Com relação à questão racial, Trump defendeu a repressão aos protestos, atribuindo os maiores conflitos a cidades controladas pelos democratas. O presidente citou o apoio de organizações de policiais. Biden, por sua vez, lembrou o episódio quando Trump usou as forças de segurança para expulsar manifestantes pacíficos do entorno da Casa Branca e defendeu a criação de um grupo para propor soluções.


Sobre a eleição, Trump diz que observa com muito cuidado a votação pelo correio, citando um grande problema na Filadélfia. “Coisas ruins estão acontecendo lá. Estou pedindo eleição justa, mas vejo milhões de votos manipulados”. Trump diz que tem pessoas recebendo dois votos, que não vão saber por meses resultados da eleição, indicando que não deve aceitar uma derrota nas urnas. Já Biden negou risco de fraudes e afirmou que aceitará o resultado.


Sobre o meio-ambiente, Trump defendeu a saída do Acordo de Paris. Já Biden disse que é preciso maior atenção ao meio-ambiente não só nos EUA e que florestas tropicais do Brasil estão sendo destruídas, acrescentando que planeja um pacote de US$20 bilhões para pararem de desmantelar florestas. Ele afirmou que se eleito, fará os EUA voltarem ao acordo climático de Paris.


TC entrevista: debate presidencial

Para repercutir o primeiro de três debates entre o republicano Donald Trump e o democrata Joe Biden, a apenas cinco semanas das eleições presidenciais americanas, convidamos Ivo Chermont, economista-chefe da Quantitas Asset, e Denilde Holzhacker, professora adjunta de Relações Internacionais da ESPM.

Denilde chama atenção para alguns erros de Trump ontem. “Ao não colocar colocar claramente uma declaração contra a supremacia branca, ele mobilizou o eleitorado negro, que é um eleitorado que tende votar menos”, disse. 


Chermont apontou que Biden está sendo mais inteligente do que a Hillary, em termos de estratégia eleitoral, porque em meio a todo caos que o Trump conseguiu criar no debate (“e ele é muito bom nisso, foi para criar o caos e criou o caos”), Biden optou por não bater na figura de Trump como fez Hillary em 2016. 


“Hillary tinha como estratégia ficar batendo na tecla de quão ridícula era a figura de Trump, mas, para quem já era a favor dele, acabava se engajando mais ao republicano”, disse. 


Para ele, Biden não está indo por esse caminho, o que é positivo, e na mensagem de ontem tentou falar para todos, não segmentar entre brancos e negros, que foi outro ponto levantado pelo economista como erro de Hillary em 2016, que focou muito na conquista do eleitorado de Obama, principalmente no chamado Cinturão Democrata, que inclui Pensilvânia, Michigan, Wisconsin. 


Confira a entrevista na íntegra: 


Texto: Angelo Pavini e Paula Barra

Edição: Ana Siedschlag e Ana Carolina Amaral

Imagem: TC Mover

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