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Payroll decepciona e reforça visão de Jerome Powell

Postado por: TC Mover em 07/05/2021 às 14:00
Payroll teve resultado frustrante

São Paulo, 7 de maio – O relatório oficial de geração de empregos não-agrícolas nos EUA, Payroll, frustrou de longe o consenso de 978 mil vagas em abril e criou apenas 266 mil – só 27% do que se esperava na mediana das estimativas. Na última quarta-feira, 5, a prévia do setor privado da ADP já tinha vindo ligeiramente abaixo do consenso, mas com aceleração de 517 mil vagas em março para 742 mil em abril.


Resultado do Payroll está ligado à dificuldade para contratar, dizem analistas

Além da decepção no número de abril, o Departamento do Trabalho também revisou para baixo, em 78 mil vagas, a geração de postos de trabalho em março. Hoje cedo, analistas sugeriram, no The Wall Street Journal, que os empregadores estão encontrando dificuldades para contratar, por três motivos: medo de Covid-19, falta de creches para deixar os filhos e benefícios melhores para os desempregados.

Essa dificuldade para contratar, claro, não dá conta de toda a diferença entre a estimativa e o resultado do Payroll. O que é certo é que os números são um reforço decisivo para a visão do presidente do banco central americano, Jerome Powell, segundo o qual a recuperação do desemprego nos EUA é muito desigual e ainda distante do pleno emprego. A taxa de desemprego do país, que deveria cair a 5,80% segundo o consenso, permanece acima dos 6%, em 6,10%.


Relatório abaixo do consenso beneficia o presidente Joe Biden

Além de reforçar a estratégia do Federal Reserve de manutenção da política monetária frouxa e das compras de ativos ainda por longo tempo, o relatório frustrante também beneficia o presidente americano, Joe Biden.

O presidente ganhou um argumento importante para convencer o Congresso de que os valores de seus pacotes para infraestrutura e educação não são exagerados, mas necessários. Depois do resultado do Payroll, Joe Biden teve um encontro com a secretária do Tesouro, Janet Yellen. Ele falará ainda hoje sobre a conjuntura econômica americana.


Índice de Nasdaq foi o mais beneficiado após Payroll frustrante

Os rendimentos dos títulos de dez anos do Tesouro americano, que habitualmente estressam com sinais de aceleração forte da retomada americana, reagiram virando para baixo. Já por volta das 14h00, subiam 1,1 ponto-base, a 1,572%. O Índice Dólar, o DXY, acentuou a queda para 0,64% no mesmo horário. O dólar futuro no Brasil caía 1,19%, a R$5,231, afetado pelo movimento.

O índice mais beneficiado com o Payroll foi o Nasdaq, onde as ações sofrem mais quando a sombra da inflação descontrolada aparece. Perto das 14h00, subia 1,08%, indicando segundo dia de alta após quatro consecutivos de perdas. No mesmo horário, o S&P500 avançava 0,72%, com auxílio dos papéis de tecnologia. O Dow Jones, das ações que mais ganham com a retomada, tinha alta de 0,50%.

Texto: Lucia Boldrini
Edição: Bárbara Leite e João Pedro Malar
Arte: TC Mover


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