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Payroll de novembro deve refletir surto da Covid-19 nos EUA

Postado por: TC Mover em 04/12/2020 às 10:14

São Paulo, 4 de dezembro – O relatório de emprego formal nos Estados Unidos de novembro, o chamado Payroll, último a ser divulgado neste ano, deve mostrar uma desaceleração na criação líquida de novas vagas, refletindo a falta de acordo político sobre a extensão de estímulos para combater o impacto da pandemia do coronavírus e, parcialmente, o recente salto das infecções.

De acordo com economistas e contribuidores do TC, a economia americana, a maior do mundo, deve ter gerado 470 mil empregos não-agrícolas no mês passado, abaixo dos 638 mil criados em outubro. O consenso TC também projeta queda de 0,1 ponto percentual na taxa de desemprego, a 6,80%. 

Embora o desempenho esperado para o Payroll de novembro seja, em termos absolutos, o mais fraco desde maio, é inegável que o mercado de trabalho nos Estados Unidos está em melhor forma do que se esperava alguns meses atrás. Os números oficiais do Payroll serão divulgados hoje, por volta das 10h30.

Payroll deve aumentar volatilidade no pregão

A publicação do relatório tende a elevar a volatilidade no pregão das primeiras sextas-feiras de cada mês. A pesquisa Moody’s ADP, divulgada na quarta e que age geralmente como uma prévia do Payroll, mostrou geração de empregos bem abaixo do previsto. Para economistas do Barclays, o Payroll, que é calculado até meados do mês, não deve incorporar os empregos perdidos para as restrições de mobilidade de novembro.

“Como uma vacina contra o vírus não saiu ainda, muitas empresas, em especial no setor de serviços não voltaram completamente às atividades”, disse Fernanda Mansano, economista e contribuidora do TC, explicando por que a lentidão na retomada do emprego nos EUA. 

O relatório de empregos de amanhã é o primeiro desde a eleição presidencial nos EUA e pode pautar o discurso do presidente-eleito Joe Biden sobre como pretende atacar a disparada nas infecções violentas, a situação de setores muito afetados pela pandemia, como bares e restaurantes, e o impasse com o Congresso na extensão dos estímulos.

Impasses do novo pacote de estímulos

Para Chris Rupkey, economista-chefe do MUFG em Nova Iorque, a rápida propagação do vírus nas últimas semanas “coloca toda a recuperação econômica da recessão em risco se o Congresso não conseguir se reunir e votar um novo pacote de estímulo antes do final do ano”.

Na última terça-feira, parlamentares propuseram um novo pacote de ajuda emergencial de US$908 bilhões, que será usado como base para negociação de novos estímulos. O secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, disse ontem que o presidente Donald Trump assinaria um plano de ajuda mais restrito que prorroga os auxílios para desemprego por apenas um mês. Prevê-se que, sem um acordo, 12 milhões de americanos perderão esses benefícios.

Texto: Melina Flynn
Edição: Guillermo Parra-Bernal e Letícia Matsuura
Imagem: TC Mover

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